Eu estava catando feijão ainda há pouco, faz tempo que não faço um feijãozinho carioca cozido à minha maneira - que fica muito saboroso, tenho me alimentado só de arroz com pedacinhos de carne, vez outra lingüiça para compor a receita como um arroz carreteiro não sendo carreteiro exatamente. Azeite verde, sal e batatas doce e inglêsa, também cebola - todos cozidos ao vapor do arroz enquanto coze. Então minha mente começou a divagar sobre uma compilação de pensamentos, diálogos, expressões, citações, argumentos, desabafos, teorias, poemas, fofocas e risadas que ouvi durante as duas semanas primeiras desse mês de maio. Eu sou assim mesmo, ouço tudo o tempo todo, depois quando minha mente já não consegue processar mais as minhas próprias informações é quando começo a digerir o excesso que transborda na minha cabeça pelos meus olhos, vez outra pelos ouvidos.

 

Enquanto eu catava os feijões pensamentos vinham como ondas que batiam no meu peito e o que mais se destacava dentre tantos sons, palavras e ruiídos eram as reclamações. Nossa! Como nós reclamamos de tudo e de todos, é incrível como damos energia para coisas tão fracas. Alimentamos monstros que não estão nem aí para nós, só querem ver nossa queda, nosso cansaço e nossa lamúria. E a maioria das reclamações que ouvi foram queixas contra alguém, que um dia compartilhou um sentimento bom, de felicidade e muito amor. Fiquei matutando isso. Como é que tudo acontece? Se o sentimento de amor é o mesmo, como pode ser melhor com uma nova pessoa e não pode ser melhorado com aquela com quem já está nutrindo um sentimento mais envolvente, donde segredos são revelados, cercas são retiradas e horizontes são expandidos? Fiquei quebrando a cabeça para entender essa premissa do amor. Seria por necessidade do novo ou curiosidade do desconhecido? Já que todos podem dar e receber a mesma coisa. E sempre ouço queixas contra quem se amou. Daí me toquei que fui um dos que mais reclamou também e foi aí que tive um insight que até me fez parar de catar os feijões, pois meus olhos se fixaram num ponto da parede e nem piscavam. Eu estava parindo uma reflexão interessante e que não tinha me dado conta disso. Mas é óbvio! As queixas, reclamações, manifestos de repúdio, raiva e até mesmo de asco são outra vertente do amor! Se há qualquer sentimento que mexa e abale as estruturas físicas ou mentais de uma pessoa, ainda que não abale tanto, que seja só um blablabla solto no ar, isso é um amor suprimido que a pessoa está procurando reforçar sua morte ou mesmo extinguir sua existência. É claro que todas as pessoas que reclamam negarão minha teoria - que para mim é mais do que isso, certamente um discernimento. 

 

As pessoas que reclamam de alguém a quem se amou um dia, na verdade, essas pessoas ainda amam tanto quanto amavam antes e não conseguem se libertar por inteiro, porque sempre quererão falar da pessoa amada buscando aprovação cada vez que abre a boca para falar, reclamar, caluniar, repudiar e manifestar sua insatisfação, inocência, raiva, desprezo etc. Eu levei três anos para não sentir absolutamente mais nada pela primeira mulher que passou por minha vida e que foi minha esposa um dia. Na libertação que tive me envolvi com uma mulher que ficou menos de dois anos na minha vida e precisei de mais três anos para me libertar inteiramente dela e de tudo o que ela significava para mim. Nessa rabeira de libertação estava envolvidíssimo num sentimento novo com uma terceira mulher, quase uma menina, e que - de todas elas - fez o maior estrago dentro de mim. Todas entraram e saíram de minha vida tendo por termostato minha condição social, meu status. Não as culpo, mas a partir do momento que comecei a refletir esse texto que faço decidi também não criticá-las. As duas primeiras jazem enterradas no meu passado, a terceira ainda me incomoda e saber que esse incômodo é uma vertente de amor me estressa. Então me propus cuidar de mim somente e cuidar pra valer. Já que meu status está acima da minha importância como pessoa, então vou cuidar de mim primeiro. 

 

E quando você aceita e assume que sua bronca, seu desprezo demonstrado como resposta - cada vez que ouve o nome da pessoa a quem você amou um dia - é nada mais do que um veio que corre como um riacho no subúrbio do seu coração, sendo reflexo do amor, um amor envenenado de sentimentos de saudade, raiva, protestos, carências e frustrações, decepções, enfim.. então você passará a se libertar mais, até não sentir nada quando lembrar, ouvir ou até mesmo ver a pessoa que machuca você. Pode observar, ouça uma reclamação de uma pessoa contra outra a quem ela amou um dia, verá que será um manifesto cheio de saudade, carência, dor, mágoa, raiva, necessidade de justiça e tudo o mais que prende essa pessoa àquela. Mas ninguém assume nada, prefere o sofrimento à dor. Eu prefiro a dor e o sofrimento, como eu já havia dito antes, não será mais prioridade para mim. Se você está amando e sendo uma pessoa amada por alguém, aconselho que valorize cada momento, porque quando passar - se passar - você poderá ser a próxima pessoa a encher o ar com reclamações e muito blablabla, que só servirão para denunciar seu amor transviado. Desapegue-se, atravesse o seu deserto e aprenda com a travessiamergulha no que te dá vontade e ame você primeiro, e o resto será acréscimo.

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Ouço ou Leio: O que que há

 

"A dor é inevitável, mas o sofrimento é uma escolha." Nietzsche

 

Começo esse post assim, pra mim. Talvez sirva para você também. Leio, releio, e não consigo encontrar uma frase, palavra ou letra para me satisfazer na minha escolha de manter os sofrimentos. Acho que colecionei tantas escolhas de sofrimento, que me acostumei a viver com isso. Mas estou cansado de gostar do sofrimento, quero só sentir a dor e deixar o sofrimento morrer no esquecimento. Prefiro a dor, ao sofrimento. E tudo está em minha mente, me consumindo, corroendo meus pensamentos, comento meu cérebro, destruindo os meus cabelos finos e ralos. Eu preciso escolher a dor e desapegar do sofrimento, de qualquer espécie ou natureza. Devo conseguir, pois quando decidi não mais me apaixonar, estou até agora neutro e na minha. Até sinto um ímpeto de vontade, mas quando penso na experiência derradeira, logo desisto e escolho negar o sofrimento e a angústia de passar por outra decepção novamente. E tenho visto cada menina linda, e tenho recebido cada proposta... mas não quero, sei como vai terminar todo o glamour de uma paixão. Não, não quero. Dizem que quando acontecer será arrebatador, me tirará do chão, ainda que eu relute para não sentir nada. Eu não sei se isso é verdadeiro. Bom, vou dormir, depois continuo esse post.

 

10/05/12 - 12:18H

 

Ontem encontrei-me com uma moça, bela, doce, gostosa, infinitamente carinhosa - a mais carinhosa de todas - e no intervalo do momento que vivo, da correria que me encontro, do frenesi a que fui convidado a mergulhar numa proposta desafiadora de trabalho, que tem substituído minhas insônias por sonos profundos de um corpo e cérebro cansados de tanto raciocinar, por um trabalho enriquecedor e esgotante, me permiti em minhas raras permissões degustar ser desejado, amado, bem quisto e beijado. É maravilhoso sentir ser querido sem mentiras nem enganações, um sentimento aberto, espontâneo e entregue sem misérias, nem migalhas, nem julgamentos ou raciocínios. Por mais que tudo se complete, ainda assim minha mente e coração temem num trauma que arregaçou toda minha existência, deturpou inteiramente o sentido do meu buscar, agora não sei o que eu realmente estou buscando e por isso não busco mais. Tomei o punhal e o escudo, não amo mais. Apaixonar então, não. Também não. Estou assustado comigo mesmo, não esperava tanta determinação de mim. 

 

A vida é estranha. Meu sonho desde garoto era ter minha família, uma bela esposa que me fizesse crescer como está em Eclesiástico na Bíblia, de ponta a ponta, de ter um filho e uma filha ou vice-versa, de poder brincar com eles como um pai bobão por não acreditar que de mim gerisse outras vidas. Uma casa com coqueiros. Três ou quatro coqueiros num terreno retangular, de comprido, plantados do lado esquerdo sobre um gramado de grama pêlo-de-urso. Uma garagem ao lado direito, defronte para os coqueiros (ou palmeiras, nem lembro ao certo) e nessa garagem três carros, um meu, um da minha amada e um antigo-modelo para eu tirar onda nos fins-de-semana com a molecada. Ao fundo, perto do sobrado de tijolinhos e uma varanda cercada de uma cobertura feita com telhas coloniais sobre toras de cedro sombreando o piso de cerâmica de barro do estilo barroco, uma piscina na forma de uma castanha de caju, azul da cor do céu, com água cristalina, morna. Dois cachorros soltos, um peludo e um pelado, para que ambos se confortem sempre juntos no frio e que o peludo tenha no pelado ânimo para brincar no calor. Um labrador no canil, bege, para latir grosso e espantar os outros à noite.  E no estranho da vida sou divorciado e não tenho filhos, nem a casa, as palmeiras, os três carros, a piscina, os cachorros nem as telhas coloniais. Moro num apartamento mó sem sal e tenho a estação de metrô como meu único quadro pintado pendurado na parede, que muda de cenário todos os dias, que faz barulho de trem passando, polícia disparando a sirene e um buzinaço infernal sempre às 18:30h. Quando chove, a pintura fica mais linda, igual a minha alma que chove todos os dias desde certo dia. Mas já me acostumei com esse sofrimento e não quero mais isso pra mim. Por isso topei encarar um desafio inusitado, do qual sempre estive preparado, porém nunca pensei nele um dia. Quero agora fazer o bem para as pessoas, não sei como, mas esse desafio é a minha melhor oportunidade. Estou aprendendo tanto com outras pessoas, cada uma mais capacitada, especializada, inteligente, interessante do que outra. Um universo novo de possibilidades, mentes pensantes, formadoras de opiniões, capazes de transformar o mundo e estão reconstruindo o meu sistêma solar interior. Mas meu coração parou. Ele só bombeia o fluxo de adrenalina e raciocínios lógicos na função que me foi dada, que na verdade nem eu sei qual é, mas estou dando o meu melhor. O meu pior está ficando calado, aborrecido porque está perdendo a força. E o meu pior é alimentar o sofrimento.

 

Há dias me lembro de pessoas deliciosas que conheci desde janeiro deste ano. A mineúcha, doce, linda (linda mesmo), parceira, devotada e envolvente gaúcha criada em Uberaba, Minas Gerais. Um sorriso feito com dentes brancos como o sorriso de todas que conheci neste ano, mas o dela chegava a me incomodar de tão branco quanto o branco mais branco. Engraçada e teimosa, mas não rebelde nem dissimulada, amiga, querida e ímpar. Lembrei-me de uma linda menina do Rio Grande do Norte, de um coração puro e uma vontade grande de se libertar de seus pré-conceitos tomando em mim seu direito de saber mais. Tive propostas lindas, cada uma mais geniosa dentre outras amorosas tudo a partir de janeiro deste ano. Uma mineira teimosa que de tão teimosa conseguiu me tirar do sério, não menos carinhosa, independente sim, e cheia de amor para me dar. Uma carioca, fluminense, linda a sumir de vista, loira de olhos verdes, um mimo sem igual, inteligente, mesmo com seus 21 aninhos põe muita mulher de 40 no bolso, de uma visão sobre a vida e sobre o amor que eu me surpreendo, e aprendo. Nossa! E sequer passou a metade do ano. Sou infinitamente grato a Deus por me conceder essas lindas garotas, meninas, mulheres para gostarem de mim. Mas e eu? O que restou de mim depois do depois? Não restou muito para ser aproveitado e o que restou é meu, preciso proteger esses cacos para um dia, quem sabe mais forte, fortalecido, possa eu dar para alguém enfim. Não. Não e não. Não vou fazer isso. Não é justo. Vou seguir como estou: sozinho. Bebo menos o néctares do amor, da paixão e do sentimento de sonhar, porém evito o sofrimento pela condição. Durmo consciente de que escolhi a solidão e com isso não machuco mais ninguém. E sofro menos também. Agora só a dor me vale sentir, porque a dor é inevitável, mas o sofrimento é escolha. E não escolho mais o sofrimento. Se, na pressa de ser pai, esposo e um homem realizado com uma família feliz, do tipo propaganda de margarina, não aconteceu dilascerando minha juventude, estragando o começo de minha vida adulta, agora é que não tenho mais pique para acreditar nisso com a força que eu cria. 

 

Desapegar é algo difícil, leva anos para ser absorvido pela mente e coração. Não é algo que se decide da noite para o dia. Berth Hellinger, pai da teoria sobre a Constelação Sistêmica Familiar, no âmbito da Psicologia, também teve que aprender a se desapegar durante todos os seus 50 e lá vai pedrinha de anos de vida. Berth Hellinger é um forte exemplo para minha reflexão sobre a difícil arte do desapego e do quanto precisamos viver "vidas" para chegarmos em algum lugar.

 

Aos 10 anos, Berth Hellinger, foi para o internato cujo endereço foi dado pela amiga da mãe. O internato era dirigido por missionários às margens do Reno em 1.936, onde ele desfrutava de uma vida melhor, praticava esportes, excursões, aulas de música, como tocar violino e participava da orquestra da casa, e cantava no coral. O internato tinha uma grande biblioteca. Aos 15 anos voltou para a casa de seus pais porque o convento foi fechado. Admirador dos Jesuítas, só não foi um deles porque era obrigado ser professor e isso ele nunca desejou. Queria ser missionário, andar pelo mundo. Serviu ao exército alemão, sofreu perseguições e conseguiu fugir num trem. Seis semanas depois de voltar da guerra, depois de escapar da perseguição, com 19 anos ingressou numa ordem religiosa. No seminário aprendeu meditação, recolhimento, sai das impressões senso-reais, abstem-se da visão, audição, olfato e vai para a purificação do espírito. Com grande aprofundamento místico estudou além do seminário, Filosofia e Teologia. Iniciou o sacerdócio no qual permaneceu durante 25 anos e aos 45 anos deixou a ordem religiosa e entrou numa ordem missionária na África do Sul, seguidoras de Santo Bento, onde desenvolveu um trabalho missionário, trabalhando com a tribo dos Zulus, que eram inicialmente nômades – e esse trabalho missionário era, para Hellinger, apenas de cunho cultural. 

 

Ao trabalhar na tribo Zulu, ficou admirado pelo respeito que os filhos tinham por seus pais. As mãos lidavam com seus filhos com total segurança, simplesmente sabendo do que as crianças precisam. Outro grande exemplo era o respeito do próximo, cada um preserva sua reputação e todas as decisões são decididas em assembleias comunitárias. Trocavam idéias com muita vivacidade até que chegassem a uma solução. Essa forma de convivência também o marcou. Berth  passou 55 anos de sua vida em contemplação, meditação, ensino e terapia, o que o fez progredir no crescimento interno. E teve grande contribuição de sua vivência na África. Nos seus ensinamentos catequéticos da fé cristã descobriu que outras pessoas também são boas e que a bondade não depende apenas da fé, mas principalmente da experiência de vida. Conheceu a dinâmica de grupo em 1.964 na África do Sul, organizado por sacerdotes anglicanos e eram frequentados por negros, brancos, índios, mestiços, católicos e protestantes. Todos aprendiam juntos. Eram grupos ecumênicos, sem separação de raças e credo – algo inédito na época. Nesse período fez uma linda experiência na terra da Apartheid, tendo convivido na religião católica num sistema hermético no trato com o outro, porém na África aprendeu muito quando passou a ser tratado sem privilégios e era visto como igual a todos.

 

No seu modo de ensinar e proclamar a fé a uma moral como se fosse válida para todos e no treinamento com treinadores anglicanos, o ser humano voltou a ser o mais importante para ele, o que lho deu novo olhar no prisma de seus conceitos. Desligou-se da Ordem e pouco tempo depois casou-se, continuando com sua formação psicanalítica em Viena. Algum tempo antes conheceu o livro de Arthur Janov – O grito primal – com o qual o fascinou e usou em seus métodos, em seus grupos de dinâmica. Trabalhou em Salzburg com esse método e foi mandado embora porque ele, como bispo ortodoxo, não podia receber ninguém do “Jesus People” (movimento cristão de inspiração hippie que floresceu na costa oeste dos Estados Unidos nos anos 60 e 70).  Com isso procurava todo tipo de terapia e ia cada vez enriquecendo-se mais. Viajou para os Estados Unidos e se apresentou a Janov para fazer formação da “terapia primal”. Nessa época já conhecia a análise transacional através de Fanita English, que ensinou a “análise do script”, que foi introduzida por Eric Berne. 

 

Por fim, teve que desapegar da análise do script para aprofundar-se de corpo e alma na teoria sistêmica das relações familiares, conhecida atualmente como Constelações Familiares. Vê-se o quanto Hellinger teve que viver vidas, desapegar-se e apegar-se novamente, até chegar num dado momento em que sua vida se consumisse no êxtase de sua busca. Nota-se quantas vezes Berth Hellinger precisou abrir mão do sofrimento, vivendo apenas da dor de cada dia e com isso elevar-se em mente e espírito para que tudo não implodisse em seu ser humano e limitado. É com esse pensamento que tenho feito minha caminhada desde abril passado. Na minha reflexão, se eu conseguir isolar a dor do sofrimento, conseguirei sentir o inevitável e me libertarei do que posso evitar. Não importa a idade em que eu estiver, mas se eu conseguir me livrar do vício de sofrer terei encontrado a verdadeira paz interior que nunca tive. Conseguirei viver sem culpa e tampouco culpar as pessoas que me trouxeram dores, simplesmente me adequarei ao sistema harmônico da vida, da qual farei parte como uma célula de energia intensa contributiva e inteligente.

 

 


Contribuição sobre Berth Hellinger: Minha mãe.

Publicado por blogdorodrigocaldeira às 23:57 | Link do post
Estado de Espírito:

 

É verdade, eu já casei e divorciei. De certo casei para constituir família, mas não deu certo por um detalhe que eu não sabia, mas hoje sei. Esse detalhe tanto pode acontecer de um jeito ou de outro, mas sempre acontece com pessoas desavisadas ou mesmo acomodadas. Sim, desavisadas por serem educadas num meio familiar por vezes de linha opressiva, às vezes por conceitos cuja baixa auto-estima é constante, sem esquecer do sistema machista também. E acomodadas por causa da preguiça emocional que a pessoa permite ter, como um tumor, que ganha proporções maiores e mais incisivas, se tornando parte da pessoa.

 

Bom, estou falando de relacionamentos. Há pessoas que namoram anos a fio, um tempão com a mesma pessoa, fazem de tudo, vivem de tudo e no fim das contas se cansam umas das outras, se fartam e terminam o namoro. Simplesmente não ganharam nada, nem experiência, simplesmente nada. Uma ocupou a vida da outra e vice-versa por mero comodismo ou por desaviso. 

 

Conheço e já conheci mulheres que namoraram por cinco, oito e dez anos. Loucura isso! A menos que o ideal não seja unir-se com a outra parte, estender um namoro por mais de três anos começa a se tornar um grande problema a futuro incerto. Principalmente para a mulher, um namoro demorado faz com que ela perca seus anos mais doces e melhores para atrair alguém realmente interessante. A mulher sofre mais com isso, porque a dado momento na vida dela o tempo é o seu pior adversário e tudo passa a ser mais difícil depois de um rompimento na relação. Muitas se deprimem, ou fazem escolhas precipitadas porque se desesperam e jogam no lixo a realidade de ser definitivamente feliz com alguém interessante. Serve para os homens também, que se desgastam muito em relações duradouras de namoro e deixam passar uma fase interessante de aprendizado no instinto masculino como caçadores. Se tornam bundões, homens inexperientes e insensíveis, cheios de frescuras e conceitos pré formados sobre coisas tôlas como sexo, vida a dois, fé e projeto de vida. Levanto aqui a bandeira da revolução para casais de namorados que perdem tempo com um namoro longo e sem perspectivas de futuro, sem projetos, sem nada. Simplesmente uma relação que vai ganhando os dias, meses, anos para nada. Por favor, isso não é amor!

 

Uma relação que começa bem precisa continuar bem e não terminar. Mas essa continuidade requer que ambos tenham um projeto de vida a dois, necessita que haja luz no fim do túnel, isto é, o casal de namorados precisam falar de um futuro dos dois, ter uma conversa franca e honesta sobre esse futuro que tem várias faces para acontecer, mas não pode e não deve ficar nesse esfrega bom e gostoso a vida toda sem tocar nesse assunto. Se uma das partes franzir a testa e evitar falar desse assunto, acredite numa coisa que eu vou dizer: Essa pessoa é a última no planeta que você deveria estar agora, neste momento, se entregando, dando o seu corpo para proporcionar prazer e satisfação. É uma pessoa que não sabe ler as placas das estradas, como um barco sem velas, tanto um como outro não tem destino, não há caminho ou estrada que a leve para algum lugar, então faça algo por você, salve-se enquanto sua idade, sua fé e suas qualidades ainda não assentaram-se, tornando-se acomodada e preguiçosa demais para fazer algo por si mesma. Digo assim para que o mundo melhore, para que haja uma seleção natural das espécies humanas e aqueles humanos fracos, preguiçosos, egoístas, hipócritas, acomodados e sem qualidade fiquem sem nada até se decidirem ser alguma coisa para alguém ou até para si próprios, mas que façam algo, se mexam e se decidam sem enrolar a vida de outra pessoa.

 

Tudo é passível de mudanças, não existe a pessoa única e perfeita para amar por mais que a carência afetiva lhe diga o contrário. Pessoas que não sabem de nada, que nunca sabem alguma coisa e não têm projetos de vida sempre traem, são vulneráveis, sugestionáveis e fracas. Assim eu digo para você que não demore muito namorando quem não namora você. Namorar é conhecer, noivar é se comprometer e casar é assumir o compromisso. 

 

Há muitas coisas que um casal de início de namoro precisa conversar. Se o casal tem relações sexuais precisa falar de doenças sexualmente transmissíveis, ainda que ambos sejam leais entre si, porque a liberdade de dialogar sobre isso é que faz com que um seja ideal para o outro e vice-versa. Necessita falar de gravidez involuntária, desenhar um plano B caso isso aconteça e preferencialmente que não usem da idéia de abortar, mas até valeria tomar a pílula do dia seguinte, por mais que muitas pessoas dissessem que poderia estar fazendo um aborto, mas isso é vago, porque no dia seguinte não se sabe de nada, é um ato preventivo, literalmente feito por precaução, mas isso eu só apóio se feito no dia seguinte realmente. Por isso o plano B, para que não tome nenhuma atitude errônea se o descuido for por mais do que alguns dias da semana seguinte, por exemplo, ou no mês seguinte.  Outros assuntos como "se ambos se derem bem" qual será o plano depois e por quanto tempo? Vão se casar? Vão se juntar e viverem juntos? Como é o pensamento de cada um na relação? Quais são seus sonhos, suas vontades? Mesmo que sejam bem jovens e estejam começando a vida, é sensato pegar o jornal para ver preços de aluguéis de um apartamento pequeno, ter noção de valores monetários, custos de vida a dois, para não ser um casal imprudente, desavisado e acomodado o bastante para fazer valer o namoro. Sim, é importante conversar sobre isso, porque assim estarão fazendo um namoro honesto, santo e digno. Quando digo namoro santo, não quer dizer que o casal não tenha sexo na relação. Eu apóio casais que tenham sexo na relação, porque ninguém quer ter uma companhia ruim de se dar de corpo e alma, principalmente de corpo. Sexo não é tudo na relação, mas é quase tudo por um bom momento da vida do casal. Depois do sexo vem o amor, que se traduz com a entrega, o cuidado com a outra parte, a doação e a paz. Sem o sexo o casal se manterá unido por causa do que? Dos ideais? Dos diálogos? Claro que não. Sem intimidade o casal está fadado ao fracasso, tanto no namoro como na vida a dois vivendo juntos.  Certamente que o casal não precisa falar de planos e projetos de vida todas as vezes que se encontra, mas é necessário que ambos saibam a força que o outro tem, e isso se mede pela determinação, pelo carinho e pela disposição de falar sobre um possível futuro a dois. 

 

Então, digamos que o casal trace uma possível meta de vida a dois, isso é bom, é saudável, mas consideremos que uma das partes começa a mostrar comodismo e se torne impaciente para, vez outra, tocar no assunto, falar de projetos de vida. Será um indício de que essa parte não é a pessoa mais ideal para continuar tentando conviver, ou seja, continuar o namoro honesto que antes parecia ser real. Não adianta, não há como mentir ou sustentar mentiras. Se uma parte mente, não demora muito se revelará como uma pessoa mentirosa e o melhor a fazer é abandonar o barco, deixar que este fique à deriva, porque perder tempo com quem não tem propósitos de vida com você é a sua maior prova de ausência de amor próprio. É dar murros em ponta de faca. Se o namoro passar dos três anos sem projeto de vida, pode acreditar que você está com a pessoa mais gostosa do planeta e a mais errada possível. Então saiba que pessoas gostosas para você existirão sempre, mas a pessoa certa, esta você só encontrará quando se livrar da errada - por mais gostosa que ela seja, ainda assim, não vale a pena perder tempo com alguém acomodado.

 

Está bem, você pode estar resmungando que há pessoas que queiram curtir de boa e pelo tempo que for possível, parafraseando Vinícius de Moraes, "que seja eterno enquanto dure", e Fernando Pessoa disse "tudo vale a pena quando a alma não é pequena", assim temos o casal que não quer planejar nada, simplesmente quer viver a vida, a felicidade e a alegria de estar com a pessoa amada. Isso acontece mais com quem já tem uma idade mais vivida, porque justamente já viveu muitas coisas, já se decepcionou com uma ou algumas pessoas, então se torna alguém maduro o suficiente para saber viver a vida, porque um dos dois já está estruturado, até mesmo as duas partes. Trata-se de outro contexto, não do contexto que trago aqui. Se o casal decide viver a la Vinícius e Pessoa estarão de parabéns, desde que cheguem à essa busca depois de terem conversado e chegado, ambos, a um consenso pelo bom senso e ideal semelhantes.

 

E assim, se você for mulher, não perderá tempo com um cara sem futuro com você, por mais que sinta gostar dele. Se você for homem, também. Tenha sempre à mente que o planejamento é que faz qualquer coisa ser melhor. Mesmo que tenham escrito ou desenhado um esboço de plano B ou simplesmente traçarem planos, fazerem projetos, idealizarem o futuro, sonharem situações futuras a vida não ficará melhor nem pior, mas a consciência de cada parte estará de bem com a vida, porque nada é mais gratificante no universo do que estar convivendo com uma pessoa que, além de amável, deliciosa e companheira, é também inteligente, perspicaz e interessante. Mais vale uma pessoa interessante na sua vida do que dezenas de outras que não sabem sonhar e tampouco conversar sobre o futuro com você. Pense nisso e tome decisões, afinal ninguém se importará com você senão você somente e não aparecerá um que queira doar-se para você, simplesmente porque merece ou consegue fazer o olhar piedoso do Gato de Botas. Por mais que a separação enquanto namora seja dolorosa porque a outra parte não sabe o que quer, você encontrará mais cedo e mais depressa do que imagina alguém que realmente seja tudo o que aquela pessoa anterior foi, e a nova pessoa em sua vida será muito mais, pode acreditar, porque eu falo com propriedade de causa, ainda que eu esteja atravessando o meu deserto... de novo.

 

Espero ter incomodado você e ajudado bastante.

 

Rodrigo Caldeira

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Ilustração: "Caos Urbano" de Glauber Shimabukuro

 

O mundo, há muitos séculos, perdeu o juízo. Parece que Deus se cansou da humanidade ou perdeu o controle da densidade demográfica. E os seres humanos perceberam isso. Vivemos numa espécie de carceragem que não tem mais a mesma graça que tinha antes. Chegamos num ponto grosseiro da nossa existência, que não sabemos mais ter limites, estrapolamos os ideais, nos tornamos canibais psicológicos, verdadeiros kamikazes mentais. Não há freio, as leis perderam sentido e vivemos uma sociedade corrompida pela corrupção. O alimento não é mais o mesmo, o sentimento também não, nem a fome é como era antes. Tudo está à mercê da mão do homem e nada pode detê-lo. O sexo está banalizado, o corpo e a mente são dois seres distintos. As mulheres já não precisam mais dos homens e eles estão dispensando elas. Tudo é válido, a expressão é a que importa. Psicólogos dizem na televisão que tudo pode, vale tudo. Tim Maia perdeu a razão, porque vale também dançar homem com homem e mulher com mulher. O resto também vale. Vale abortar, estuprar, assediar, vender e alugar. Roubar, matar, vingar, bater, surrar, sacrificar, romper, violar, maltratar. Pichar agora virou arte, as músicas perderam o sentido nas letras e ganharam força no rebolation, a apelação sexual está até nos desenhos para as crianças. Tudo isso é visto como algo normal. Enlouquecer já faz parte da normalidade, tudo é possível e aceitável. Os filmes seguem o que a humanidade deseja para si: a ilusão. Harry Porter, Senhor dos Anéis, Batman, Jurassic Park, Imortais, O mestre do ar, Guerra de Los Angeles, Cloverfield, Premonição, Atividade Paranormal, Shrek, X-Mans, Hulk e tantos outros catequisam a nova geração de uma realidade imaginária fatal. Pula-se de muros altos e caem em pé como gatos, saltam de prédios com uma mangueira amarrada na barriga, tudo é permitido, a dor faz parte da graça. Nada mais serve de comparação para alguma coisa, está tudo misturado. Quem vai à missa também vai ao culto e participa da mesa branca no centro espírita. Buda, Gandh, Cristo, Luther King, Einstein, Deepak Chopra, Che Guevara, Maradona, Neymar e o Google tanto faz, todos se tornaram a mesma coisa. Na mesma página da internet, no buscador do Google digita-se "Maria" e clica-se em imagem para poder ver que a mãe de Cristo disputa um quadrado na tela com muitas garotas sensuais ou nuas.

 

A pedofilia proibida para muitos e permitida no Oriente Médio em nome de uma fé sem sentido. Homens casando com homens, tudo está natural, não há mais nada que seja novidade ou que se torne chocante. Garotas querem se sentir seguras nas relações, desde que os homens, geralmente mais ricos as banquem e sejam cornos. Um grande jornalista, Arnaldo Jabour, disse certa vez: "Nunca deixe as mulheres inseguras. Antes elas choravam, agora elas traem", e isso parece agradar as mulheres modernas. Olho por olho, dente por dente e a Palavra que se dane. Adultério já faz parte da cultura, cerimônia de casamento se tornou fetiche e casar, uma fantasia. Certo dia, estava sentado à direita de uma moça muito linda, aparentando ter seus vinte e pouquíssimos anos que dizia, abertamente para quem quisesse ouvir, numa naturalidade que me fez cair o queixo: "- Me casei com um cara que não gosto, mas ele me banca. Está pagando o cursinho aqui no Obcursos pra mim fazer uns concursos. Assim que eu passar num vou dar tchauzinho pra ele e viver minha vida" (sic). Assaltos com trotes telefônicos, sequestros-relâmpagos, mutilações, queima de arquivo, justiceiros, humilhações. Tudo faz parte de um só engodo para provocar uma reação. Quanto mais tatuado melhor, quanto mais buracos de piercing ou argolas que deformam a orelha, os lábios melhor, não são mais aberrações, mas cada um faz parte de uma tribo urbana. Tribo urbana? Ah por favor! O pedreiro que atropela a cunhada, mas queria matar a esposa em São Paulo, o pai e a madrasta que joga a filha pela janela do apartamento, a menina que cai de um brinquedo no Hoop Hari, o dinheiro na cueca e nas meias, a imprensa que dita as regras com o apoio da massa que assiste passivamente, a banalização da sexualidade nos programas de televisão, tudo é normal. Já existe há tempos um spa no Rio de Janeiro, que masturba você por mais de trezentos reais, tendo por base a espiritualidade como pano de fundo, isso tudo é visto com compaixão pela imprensa. Vivemos o caos! O homem atira em dezenas e mata, depois chora e diz que matou inocentes por legítima defesa, nada mais assusta, nada mais incomoda, basta passar três dias e ninguém lembra do assunto. Tudo é motivo para zombaria, doação é o melhor marketing, a corrupção está no auge. Vivemos a Era do Corruptismo. E até que ponto vamos viver assim? O mundo se reorganiza à sua maneira? Se o amanhã não importa mais, o depois de amanhã significaria alguma coisa? Se a vida não faz sentido, depois que se morre fará? E como seria isso? E Deus? Continuaremos orando, rezando, implorando, adorando por fé ou por ilusionismo? A ciência será revelada como o próprio Deus? Precisamos saber quem é Deus realmente? Como diz na 'fábula' "O Segredo", somos nós o próprio Deus? No Japão o zentai é a nova modalidade sexual onde ninguém se vê, nem se penetra, nem se molha, nem se sabe se homem ou mulher mas se curte em busca de novas sensações. Precisamos de novas sensações ainda? Mais uma vez menciono o intrigante filme que mostra a total fragilidade humana: "Cegueira". Estamos todos cegos e enxergando ao mesmo tempo. Até quando eu não sei. Se sei, vou fazer igual a você e também não quero saber.

Publicado por blogdorodrigocaldeira às 21:28 | Link do post
Estado de Espírito:
Quem tem uma razão de viver é capaz de suportar qualquer coisa. Quando perdemos de vista nossos objetivos fundamentais, somos dominados pelo estresse e pela desorientação. A sensação de "trabalhar muito para nada" e o esgotamento que dificulta a concentração podem ser combatidos com a definição de uma meta clara, que ofereça sentido ao que estamos fazendo nos bons e nos maus momentos. Se o indivíduo encontra um sentido para sua vida, é capaz de superar a maior parte das adversidades, disse o psicólogo Viktor Frankl. A logoterapia, criada por ele, busca exatamente isto: em vez de escavar o passado do paciente, tenta explorar o que é possível fazer com o que ele tem aqui e agora. Em outras palavras, devemos encontrar um motivo para nos levantar da cama todas as manhãs. O problema de muitas pessoas insatisfeitas com sua existência é que elas não pensam na vida que gostariam de viver. E a primeira condição para encontrar-se é saber aonde se quer chegarComo fez Frankl meio século mais tarde, Nietzsche destaca a importância de se buscar uma “razão de viver”. Quando nossa vida se torna plena de sentido, de uma hora para outra os esforços já não são cansativos, e sim passos necessários em direção à meta que estabelecemos.

Diante disso me fiz a pergunta "Qual é a minha razão de viver agora?"; "O quanto fiz muito para nada e agora preciso fazer de novo e melhor?". Sinceramente, eu não sei a resposta. Parece absurdo dizer assim, mas eu realmente não sei. Não obstante, acabei de assistir um filme chamado "Ensaio sobre a Cegueira", que conta a história de uma inédita epidemia de cegueira, inexplicável, que se abate sobre uma cidade. Tal "cegueira branca" - assim chamada, pois as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa - manifesta-se primeiramente em um homem no trânsito e, lentamente, espalha-se pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. À medida que os afetados pela epidemia são colocados em quarentena e os serviços do Estado começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afetada pela doença.

Por vezes o filme me irritou por me causar angústia e raiva pela falta de iniciativa dessa mulher do médico. Às vezes senti repúdia pelo médico que se tornou um inútil. Vez outra passei a querer desligar o aparelho e ir deitar-me, pois eu ganharia mais. Por fim eu fiquei, porque percebi que o ensaio sobre a cegueira tocava na minha falta de visão, minha ausência total de iniciativa e por muitas vezes reclamava minha inutilidade. Perder coisas e pessoas que adorava ter, passar a enxergar gestos e traições que eu insistia não ver, deixar de notar a mentira que me iludia foram sensações desconfortáveis que me mostraram o quanto não vejo nada e ainda me confronta nas coisas que não quero perceber, ver e nem observar. Também estou cego? Devo estar. Talvez eu exija muito de mim, talvez nem tanto. Se Nietzsche me visse agora diria exatamente isso para mim: Rodrigo, você está com a cegueira branca.  Se Frankl olhasse para mim suspiraria e diria para eu ter paciência, pois essa cegueira um dia passaria. E realmente passou, no filme "Ensaio sobre a cegueira" o primeiro homem infectado voltou a enxergar, sorrindo feliz e quase não acreditando ele passou a dar esperanças para os que ainda estavam cegos. 

Qual é a sua razão de viver? Muitos que são pais dirão que suas razões de viverem são seus filhos. Sim, seus filhos pequenos, indefesos, incapazes, inocentes. Mas depois de adultos esses filhos não precisarão mais da proteção e do sustento de seus pais protetores. Ainda assim, seriam eles a razão de viver desses pais? Não. É óbvio que não. Hipocrisia pensar que sim. Por certo os pais não querem ver seus filhos morrerem antes deles, mas eles não serão a razão de viver de ninguém. Nem os netos ou bisnetos. A pergunta vai além disso, mexe com a base forte do emocional e direciona o questionamento sobre onde está a consciência que faz a paixão arder e que define a razão de viver de cada um de nós. Por isso não consigo responder, talvez respondesse há poucos meses até perceber que ao pensar ter muito não tinha absolutamente nada. Agora ao ver que nada tenho quero ter ao menos alguma coisa e fazer disso meu tudo. Qual é a sua razão de viver? Muitos diriam que suas razões de viverem são a família. Será? Seriam "a razão" para tudo? Estaria na família a base forte que faz a paixão arder e que define a razão de viver de cada um? E quando a família se desfizesse com o tempo, morrer seria a consequência? Não. É claro que não. Então essa resposta também não caberia para tal pergunta.

Qual teria sido a razão de viver de Abraham Lincoln, 16º presidente dos Estados Unidos? Ele perdeu o seu emprego quando tinha vinte anos de idade. Desejou ir para uma Faculdade de Direito mas não conseguiu. Aos vinte e três anos, juntamente com um sócio, abriu uma pequena loja. Três anos mais tarde o sócio morreu e uma grande dívida levou anos a ser paga. Teve quatro filhos, mas apenas um viveu até à maturidade. Aos trinta e cinco anos a sua esposa faleceu. À terceira tentativa foi eleito para o Congresso, mas aos trinta e sete anos perdeu a reeleição. Quando tinha quarenta e cinco anos, candidatou-se ao Senado e perdeu. Aos quarenta e sete anos tentou a Vice-Presidência e perdeu. Dois anos mais tarde perdeu novamente como candidato ao Senado. Mas, aos cinquenta e um anos foi eleito Presidente dos Estados Unidos. Caramba... aos cinquenta e um anos livrou-se da cegueira, a mesma que eu tenho comigo. Então é um sinal de que há esperança para todos nós que, cegos que somos, ainda não conseguimos responder algumas singelas perguntas como "qual é a sua razão de viver".
Tive um insight que me levou a acreditar numa razão de viver, criei um projeto que fará milhares de pessoas como Abraham Lincoln, como eu, como você ou quem quer que seja a ter razões para viver, e viver muito. Um projeto inteiramente fundamentado no humanismo e inspirado pela ideologia do renascentismo. Diria que seria a revolução das duas coisas fundidas numa só. Quando você passa a sua vida perdendo muito mais do que ganhando acontece um fator interessante, isto é, você passa a pensar mais no quanto o outro pode estar precisando de ajuda. A razão de viver precisa acontecer para cada um de nós e o que nos provoca reações para isso acontecer chama-se entusiasmo. Então fica a questão que torna a pergunta ainda mais difícil de ser respondida: "Onde tirar motivação para ter entusiasmo e perceber a sua razão de viver?". Certamente que se você souber enxergar a motivação conseguirá entusiasmar por ricochete. Mas isso, realmente, lhe definiria a razão de viver? Seria então a razão de viver não só uma, mas diversas, já que vivemos de situações cíclicas, que mudam o tempo todo? O trabalho, o lazer, o relacionamento, a paixão, o amor, a esperança, a saudade, o reencontro, a superação, o perdão, filhos, os pais, o dinheiro, as viagens, ver o mar, natal em família, dormir com um cachorro do seu tamanho no mesmo sofá seriam razões para viver? Ou seriam momentos bons da vida, episódios esperados de ações feitas outrora, fazendo com que não fossem exatamente a razão de viver? Pior do que não saber qual é a razão de viver seria morrer sem descobrir. Por vezes, ninguém está a fim de saber, quer apenas seguir vivendo, porque pensar muito pode ser tão desanimante quanto viver por viver. Eu vivo pensando, não sei até que ponto isso me ajudará ou se ajudará alguém.
Publicado por blogdorodrigocaldeira às 05:30 | Link do post
Estado de Espírito:

Tomar 24 vezes ao dia

 

Por: Friedrich Wilhelm Nietzsche e outros ilustres


 

Precisamos amar a nós mesmos para sermos capazes de nos tolerar e não levar uma vida errante.

 

Viva para si mesmo, não para o mundo. As pessoas que não sabem amar a si mesmas buscam constantemente a aprovação alheia e sofrem quando são rejeitadas. Para quebrar essa dinâmica, devemos admitir que não podemos satisfazer a todos.

 

Fuja das comparações. Elas são uma importante causa de infelicidade. Muita gente tem qualidades e atributos que você não tem, mas você também possui virtudes que não estão presentes nos outros. Pare de olhar para os lados e trabalhe na construção de seu próprio destino.

 

Não busque a perfeição. Nem nos outros nem em si mesmo, já que a perfeição não existe. O que existe é uma grande margem para melhorar.

 

Perdoe seus erros. Especialmente os do passado, pois já não podem ser contornados nem têm qualquer utilidade. Aprenda com eles, para não repeti-los.

 

Pare de analisar. Em vez de ficar pensando no que deu errado, é muito melhor agir, porque isso permite aperfeiçoar suas qualidades. Movimentar-se é sinal de vida e de evolução. 

 

Não há razão para buscar o sofrimento, mas, se ele surgir em sua vida, não tenha medo: encare-o de frente e com a cabeça erguida. Em um de seus aforismos mais célebres, Buda disse que "a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional". Do nascimento à morte, a vida está repleta de dor, mas o sentido que damos à essa dor só depende de nós. Se a encararmos de forma trágica, ela se transformará em sofrimento. Uma coisa é o que acontece no exterior e outra é o que se dá no interior de cada indivíduo. Aquele que tem medo de enfrentar a dor a receberá sempre como uma maldição. Ele nunca saberá o que fazer com a escuridão que toma conta de sua vida, que antes parecia tão feliz. O filósofo lida com a dor e tenta extrair dela um benefício em forma de conhecimento. Mesmo os momentos mais duros da vida, como quando sofremos uma terrível perda, são portas abertas em direção a algo que precisávamos conhecer. Se estivermos conscientes de que todo fim é ao mesmo tempo um começo, a dor e o possível sofrimento serão para nós uma escola que nos permitirá entender mais profundamente o que significa ser humano.

 

O futuro influi no presente da mesma maneira que o passado. O presente é um estado tão difícil de ser alcançado que a afirmação de Nietzsche não deveria nos chocar se analisássemos bem o que ele está dizendo. Ninguém duvida de que o passado tem influência no que somos, pois, juntamente com nossa herança genética, constituímos o produto de nosso caminhar pelo mundo. No entanto, o futuro também nos molda, pois, tendo o passado nas costas, construímos o dia a dia de acordo com os objetivos que estabelecemos para nós mesmos. O ideal seria fazer com que o futuro não esteja muito distante de nossos atos – pois isso nos levaria ao terreno da eterna fantasia – e cuidar para que o passado não seja uma carga demasiado pesada. Viver no passado, às vezes, pode se transformar em uma doença, que apresenta dois sintomas mais evidentes: A melancolia recorrente. A evocação de bons momentos do passado pode ser uma fonte de prazer, mas, quando se torna um hábito, acabamos nos privando do presente, que deveria ser a fonte de nossas lembranças futuras. O rancor: Manter abertas as feridas do passado impede que elas cicatrizem e não nos permite desfrutar o que acontece aqui e agora. Além disso, o tempo tende a deformar o acontecido e, às vezes, um episódio insignificante pode ganhar falsa importância.

 

Não deveríamos tentar deter a pedra que já começou a rolar morro abaixo; o melhor é dar-lhe impulso. Eis um pensamento taoísta: em vez de se opor a uma força contrária – o que acabaria dobrando a potência do impacto – as leis do Universo aconselham a se unir à ela e usá-la para os próprios interesses. Muitas artes marciais utilizam o mesmo princípio: direcionar a força existente é muito mais efetivo que se opor à ela. Por isso, o lutador de judô acolhe o golpe do oponente e canaliza a energia dele em benefício próprio. Aplicando essa sabedoria ao nosso cotidiano, uma medida muito útil é evitar – a menos que seja impossível – tudo o que implique problemas com o que nos cerca, como por exemplo: Discutir quando os nervos estão à flor da pele. Tentar modificar a opinião de uma pessoa que esteja absolutamente resoluta. Enviar um e-mail cinco minutos após ter se desentendido com alguém (é preciso deixar que se passem pelo menos 24 horas.) Querer ganhar a amizade de quem já demonstrou que não gosta de você, não importa se essa amizade seja de alguém próximo como um conhecido ou alguém como uma ex-namorada, por exemplo. O silêncio é a maior confissão de alguém que não gosta e não suporta a sua existência, então não dê sua energia para quem não vai aproveitá-la.

 

A maneira mais eficaz de corromper o jovem é ensiná-lo a admirar aqueles que pensam como ele e não os que pensam de forma diferente. A existência de um grande número de seitas, times de futebol e partidos políticos revela que o ser humano se sente confortável dentro de uma comunidade em que a linha de pensamento é estabelecida de antemão. Pensar é um trabalho árduo. Não é à toa que não é ensinado nos colégios e a filosofia tem peso quase insignificante no currículo escolar. A consequência lógica de não pensar é seguir sempre os outros, abrindo mão da capacidade de tomar decisões e traçar o próprio destino. Além disso, reduzir nossa mentalidade a uma única perspectiva faz com que entremos constantemente em conflito com os que seguem outros caminhos. Um exercício para manter a mente aberta seria comprar, de vez em quando, um jornal com tendência política diferente da nossa, assistir à programação de uma emissora de TV que nunca sintonizamos ou, ainda, ler um autor de cujas ideias discordamos. No final, nos daremos conta de que existem outros mundos dentro do nosso. Aquela pessoa, quer seja um amigo, um amado, um conhecido que incomoda você por ter opiniões fortes sobre as coisas e faz parecer que as suas opiniões não tem peso para eles, é justamente a quem você deve se aproximar e se manter firme por perto de seus ouvidos e sua boca. Se ele é mais velho e não é um tolo você está sob-boa companhia e acredite, tudo o que você diz é ouvido. A diferença é que o processo mental de ouvir, refletir, digerir e aparar as arestas de sua opinião acontece na velocidade da luz, enquanto você ainda está tentando acreditar no que opina.

 

No amor sempre existe algo de loucura e na loucura sempre existe algo de razão. Já que nos referimos ao amor louco, Julius Henry Marx dizia que o problema do amor é que muitos o confundem com a gastrite e, quando se curam da indisposição, percebem que estão casados. O amor é uma insanidade temporária que só o casamento cura. As noivas modernas preferem ficar com o buquê e jogar fora o marido. O homem não controla o próprio destino. É a mulher de sua vida que faz isso por ele.

  

Quem luta contra monstros deve ter cuidado para não se transformar em um deles. Os cínicos costumam se esconder por trás da maldade do mundo para dar asas à própria perversão. No entanto, os atos alheios nunca justificam os nossos. Nesta reflexão, Nietzsche faz referência às dificuldades da vida como uma escola que pode nos endurecer ou até nos transformar em pessoas cruéis, ainda que, no final, essa seja uma opção pessoal. Contra os determinismos negativos, Viktor Frankl comentou no livro "Em busca de sentido", que até nas circunstâncias mais adversas o ser humano tem o direito de decidir qual será sua postura diante do mundo. Sobre sua passagem pelo inferno de Auschwitz, Viktor relatou que alguns prisioneiros se embruteciam e colaboravam em atos de tortura, agindo contra os próprios companheiros, ao passo que outros consolavam os doentes acamados e dividiam com eles seu último pedaço de pão. Referindo-se ao conceito budista de dor e de sofrimento, ele afirmou: “Mesmo que não esteja em suas mãos mudar uma situação dolorosa, é sempre possível escolher a forma de lidar com o sofrimento.”

 

A mentira mais comum é a que alguém usa para enganar a si mesmo. Nietzsche dizia que "enganar os outros é um defeito relativamente insignificante"; o que nos transforma em monstros é o autoengano. Uma forma de mentirmos para nós mesmos é imaginar que estamos sempre certos e que o resto do mundo está errado. Existe uma piada que ilustra muito bem esse posicionamento: um motorista segue em uma estrada de mão única e escuta pelo rádio que um carro está circulando na mesma via, mas na contramão, colocando todo o tráfego em perigo. Após ouvir a advertência, o motorista diz: “Um carro, não. Todos!” Para o ser humano, é muito mais fácil concluir que os outros estão errados do que aceitar o próprio erro. É aí que nasce a depressão, pois, quando vemos todos os outros veículos trafegando no sentido contrário, o mundo se transforma em um lugar hostil, que parece ter sido criado para frustrar nossa felicidade. Às vezes, basta assumir humildemente que você estava errado. Como diz um aforismo indiano: “É mais fácil calçar um chinelo do que estender tapetes por toda parte.”

 

Eis a tarefa mais difícil: fechar a mão aberta do amor e ser modesto como doador. O filósofo Jiddu Krishnamurti discorre da seguinte maneira sobre o que significa amar: Liberdade e amor andam juntos. Amor não é reação. Se eu o amo porque você me ama, trata-se de mero comércio, algo que pode ser comprado no mercado. Amar é não pedir nada em troca, é nem mesmo sentir que se está oferecendo algo. Somente um amor assim pode conhecer a liberdade. Quando vemos uma pedra pontiaguda em um caminho frequentado por pedestres descalços, nós a retiramos não porque nos pedem, mas porque nos preocupamos com os outros, não importa quem sejam. Plantar uma árvore e cuidar dela, olhar o rio e desfrutar a plenitude da terra... para tudo isso é preciso liberdade – e, para ser livre, é preciso amar. Dar de si e receber o retorno é trocar o amor pelo amor somente, e isso liberta. Essa liberdade é o que permite a duas pessoas amarem-se sem imposição. Também está por trás do amor universal: uma atitude generosa do indivíduo com o mundo; dar pelo simples prazer defazê-lo, sem esperar nada em troca, nem sequer reconhecimento. Se uma parte começa a pedir retorno é porque já percebeu que não está sendo amado e a liberta de um sentimento que já não existe mais.

 

Dois grandes espetáculos são muitas vezes suficientes para curar uma pessoa apaixonada. Como se apaixonar envolve projetar mentalmente a imagem da pessoa amada, em alguns casos a afirmação de Nietzsche pode fazer sentido. Ao substituir uma projeção por outra – por exemplo, a de um filme , podemos aliviar uma paixonite por algumas horas. No entanto, é conveniente analisar de onde surge a necessidade do amor romântico, que prefere a idealização e a fantasia ao conhecimento e ao amadurecimento do amor. Segundo Platão – que Nietzsche achava chato, amar é caminhar em busca da parte que nos falta, da velha “metade da laranja”. Essa visão é questionada atualmente por muitos terapeutas de casais, que dizem que todo ser humano é uma “laranja inteira” e não deve esperar por ninguém para se sentir completo e realizado. Mesmo que estar apaixonado seja um prazer, graças à energia que envolve os que entram nesse estado, quem busca o caminho do meio deve colocar o amor a longo prazo e a ternura à frente das flechadas do cupido.

 

Usar as mesmas palavras não é garantia de entendimento. É preciso ter experiências em comum com alguém. Há um trecho no romance "Amor em minúscula", de Francesc Miralles, que fala da impossibilidade de compartilhar verdadeiramente uma experiência. Imagine que vou fazer uma longa viagem, sem saber quando volto, e você vai até a estação de trem para se despedir de mim. Se depois nos comunicarmos por carta ou telefone e nos lembrarmos da despedida, não estaremos falando da mesma coisa, mesmo que imaginemos que sim. A minha lembrança e a sua serão diferentes, isso quando não forem exatamente opostas. Você se lembra de um homem que se afasta em um trem e que acena da janela. Mas eu me lembro de um homem imóvel em uma plataforma e de que ele ficava cada vez menor. É a única coisa que podemos compartilhar: a sensação do outro ficando menor. Trata-se de algo que encontra eco em nossas emoções. Quando nos distanciamos fisicamente de alguém, sua presença no inconsciente se reduz progressivamente. Talvez, nesse sentido, o que acontece no nível óptico seja mera preparação para o que acontecerá na mente. Mas voltemos ao início: a experiência nunca pode ser compartilhada. Ela é servida sempre em frascos individuais.

 

De que vale o ronronar de alguém que não sabe amar, como um gato? É discutível o pressuposto de que os gatos não sabem amar. Eles simplesmente amam à sua maneira. A questão é que nos esforçamos para ser amados por pessoas que não nutrem amor por nós. Contra esse vício improdutivo, John W. Gardner fez a seguinte reflexão, em “Personal Renewal” (Renovação pessoal): O que se aprende na maturidade não são coisas simples, como adquirir habilidades e informações. Aprende-se a não voltar a ter condutas autodestrutivas, a não desperdiçar energia por conta da ansiedade. Descobre-se como dominar as tensões e que o ressentimento e a autocomiseração são duas das drogas mais tóxicas. Aprende-se que o mundo adora o talento, mas recompensa o caráter. Entende-se que quase todas as pessoas não estão a nosso favor nem contra nós, mas absortas em si mesmas. Aprende-se, finalmente, que, por maior que seja nosso empenho em agradar aos demais, sempre haverá pessoas que não nos amam. Trata-se de uma dura lição no início, mas que no fim se mostra muito tranquilizadora.

 

Antes de se casar, pergunte a si mesmo: "Serei capaz de manter uma boa conversa com essa pessoa até a velhice?" Todo o resto é passageiro num matrimônio. "A arte de amar", de Erich Fromm, publicada em 1956, é uma das obras mais lidas sobre um tema que preocupa a imensa maioria dos seres humanos. Para analisar o que sugere o título, o psicólogo e humanista alemão reflete sobre o que significa o amor para a sociedade moderna: Para a maior parte das pessoas, o problema do amor está mais em ser amado do que em amar. Daí vem a grande questão de conseguirem ser amadas, ser dignas do amor. Para alcançar esse objetivo, seguem vários caminhos. Um deles, utilizado principalmente pelos homens, consiste em ser bem-sucedido rico e poderoso a ponto de conquistar uma boa posição social. O outro, mais empregado pelas mulheres, consiste em ser atraente mediante o cuidado com o corpo, as roupas etc. Fromm afirma que uma pessoa só pode amar outra se conhecer a si mesma e respeitar a própria individualidade. Só então estará preparada para entender e respeitar seu parceiro. Como diz Nietzsche, ser capaz de conversar por toda a vida garante que o casal poderá se aproximar mais e mais e se conhecer cada vez melhor.

 

Um dia escutei de uma pessoa a quem amava profundamente: "Eu não gosto de receber presentes, não me dê mais presentes" e também ouvi "Eu não tenho nada para te dar em troca". Então eu fui arremessado para uma frase de Nietzche que disse: "Quem não sabe dar nada não sabe sentir nada", e isso foi o fator determinante para que eu decidisse parar de me iludir e alimentar um amor por uma garota 20 anos mais nova e 20 vezes mais insensível.

 

Quando sentimos que oferecemos algo ao próximo, de repente tomamos consciência de nosso valor. Ninguém é mais pobre que uma pessoa que não dá nada, pois é na doação que demonstramos nossa riqueza. E não se trata apenas de bens materiais. A maior avareza que existe é a do coração. Os que andam pelo mundo sem transmitir seus sentimentos acabam aprisionados em uma couraça, impedidos de sentir qualquer coisa, como no conto "O cavaleiro preso na armadura", de Robert Fischer. Sobre isso, o dramaturgo Alejandro Jodorowsky disse o seguinte: “O que você dá, dá. O que não dá, perde.” 

 

Vale a pena verificar em que nível está nosso intercâmbio com o mundo. Assim como acontece com a economia dos países, a prosperidade depende da circulação de riquezas. Quando elas param, perdem o valor e a economia entra em recessão. O mesmo acontece com a riqueza do coração. Tão importante quanto dar é saber receber. Somente as pessoas capazes de fazer o amor fluir em ambas as direções podem se considerar prósperas emocionalmente.

 

Adaptação e contribuição: Rodrigo Caldeira

 

Publicado por blogdorodrigocaldeira às 14:45 | Link do post
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Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces, porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida, e eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz. Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada, que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Publicado por blogdorodrigocaldeira às 04:43 | Link do post
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O homem que amava as mulheres.

Eu me tornei um homem que não só ama as mulheres, mas eu também me encanto com cada uma delas. Deveras (e graças a Deus) existem outros "Rodrigos Caldeiras" pelo mundo a fora, românticos, intensos, excêntricos, intrigantes, inteligentes, safos, presentes, interessantes, surpreendentes, apaixonantes, inquietantes, mirabolantes, descomedidos, pensantes, ansiosos, charmosos e observadores. Cada um conta como vê as mulhers e suas infinitas belezas, seus detalhes e todas as suas riquezas! Eu amo a mulher, adoro contemplá-la, venero e me entrego numa devoção escancarada, envolvente, apegada e eloqüente. Ainda que eu volte para dentro da ostra em mim, minha fonte de insipiração e força de continuar seguindo em frente sempre foi esse amor maravilhoso que sinto pela mulher que me encanta.


Publicado por blogdorodrigocaldeira às 03:59 | Link do post
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comentários recentes
Entendo perfeitamente as suas palavras.Até parece ...
Adorei as dicas, amanhã mesmo começarei. valeu. ^^
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