Hoje eu acordei cedo demais, apesar de ter dormido tarde demais também, então, com isso eu dormi pouco demais. Um axioma, "pouco demais", mas é para ser assim mesmo. Acordei e não me mexi, fiquei pensando, olhando para uma costura com linha solta de um dos travesseiros que me fazem companhia durante a noite, aliás, todas as noites. Não consigo dormir sem ver o volume dos dois travesseiros que coloco sempre ao meu lado da cama, como se eu sentisse confortável de saber que não estou tão sozinho. E fiquei pensando sobre a vida. Sim, a vida. A vida?! Como assim? A vida no que ela representa, sua magnitude, seu poder sobre a existência, sua força infinita de ser. A vida é a maior maravilha da existência do universo, nada em lugar algum tem mais força do que a própria vida, nem o sol, nem todo o universo, nada existe para ser maior e mais poderoso do que a vida. As bactérias buscam a vida para existir, os insetos, os crustáceos, os moluscos, os peixes, os mamíferos, os répteis, as aves, as plantas, os fungos, o mofo, o lodo, as cores, tudo busca na vida o sentido para existir e o único ser que tem consciência disso tudo tem a ousadia de tirar de si a própria vida ou tirar a vida dos outros, que somos nós, humanos. A vida é única e não tem volta, e por mais que alguns digam que tem volta sim, eu afirmo que não tem volta não. Por mais que se diga que tem sim, eu digo que pode até ter, mas não ESTA vida que você vive hoje, que eu vivo agora, neste corpo, nesta experiência ímpar. E como eu não sei se já vivi outrora e tampouco sei se realmente viverei noutra circunstância, sinceramente não quero arriscar o palpite e deixar de sentir a vida correndo por dentro de minha existência. Eu vejo a vida se manifestando nos meus pensamentos, nos meus sonhos, o movimento de minhas mãos, meus dedos se articulam de forma tão sincronizada, e com eles consigo pegar todo tipo de objeto. Olho para os dedos dos pés, caramba, como são estranhos e ficam bonitos com uma meia, mas a perfeição não está nisso, mas na forma como os dedos são distribuídos e percebo que o dedo mindinho tem uma função importante, que é de dar equilíbrio à uma fração pequena do meu corpo inteiro, quando estou de pé ou caminhando. Na vida que nós vivemos podemos fazer TUDO o que imaginarmos e queremos fazer, e não digo que podemos ter tudo, até porque TER não é melhor do que PODER, porque para ter você precisa poder primeiro, mas para poder você só precisa querer. E o ter é limitado, é material, já o poder é ilimitado, é maior e vai mais longe. Eu, com meus pensamentos e minha imaginação eu POSSO ir aonde eu bem entender, posso ser rei, posso ser escravo, posso sentir sensações ainda que eu não tenha nada nas minhas mãos, posso sonhar e posso voltar à minha realidade. Posso beijar Marlyn Monroe, posso ir na lua e fincar a bandeira do Brasil ao lado da bandeira dos Estados Unidos. Eu posso! É por isso que a leitura tem tanto poder, porque é através do que lemos que PODEMOS qualquer coisa, não há limites para isso. O ônus para TER é pesado e chega a ser fútil perto das dádivas do que eu POSSO. Para eu ter uma Ferrari terei que suar meus mais ínfimos nervos para levantar um milhão de dinheiro, mas depois que estou com a Ferrari nas minhas mãos vou sentir que tanto sacrifício me levou à uma frustrante situação: "Tá, e daí? Estou com a Ferrari e agora? O que isso me faz bem?". Terei a Ferrari e toda vez que eu precisar sentir que eu a tenho terei que andar nela. Tá, e daí? As pessoas só poderão saber que eu tenho uma Ferrari se elas me verem andando nela ou se me verem entrando nela num estacionamento. Cada pessoa que me ver dentro da Ferrari será um olhar tão caro que terei pago, que não terá compensado tanto sacrifício. Se por um milhão de dinheiro eu tiver a admiração (ou a inveja) de quinhentas pessoas, terei pago dois mil dinheiros por cada olhar dessas pessoas, porque quinhentas pessoas vezes dois mil dinheiros dá um milhão de dinheiro. Serão olhares caros demais, não compensa tanto suor saído de mim. Tive essa sensação quando era dono de um Chevrolet Bel-Air 1954, um belíssimo carro antigomodelo, um clássico americano que me fazia ser parado até por policiais rodoviários, apenas para eles apreciarem o carro, tirar fotos com seus celulares. E nas exposições eu ficava pensando o quanto era fútil aquilo tudo. Eu lá parado, alguns amigos afins, um belíssimo carro clássico todo original e em perfeito estado ali, parado, inútil. Quem gostava de carros chegava e dispensava toda aquela beleza de uma lataria exuberante, e pedia para ver o motor. Ver o motor?! Sim, o motor. Um monte de peças pretas, parafusos pretos, mangueiras pretas, óleo em algumas partes, mas toda a beleza do veículo se destacava naquilo, no motor. E eu? E o que eu tinha feito para conseguir comprar um carro desses? E a beleza da vida neste carro? Não tinha valor. O carro e eu só aparecíamos quando estávamos juntos e zanzando por aí. Ninguém falava do carro se ele estivesse guardado, nem falava de mim com o carro. Então larguei o clássico impecável debaixo de um abacateiro e lá o deixei apodrecer, até abacate começou a nascer debaixo do carro. Fungos, bactérias, insetos, tudo foi cobrindo o carro. Era a vida sendo buscada n'algo que estava abandonado. E quando eu fui tirar o carro daquele lugar, depois de meses que ele estava ao relento, esquecido e largado deparei com uma rápida sensação de que ali ele estava sendo mais útil do que desfilando por aí. Ali a vida estava acontecendo em volta e em torno dele. A vida estava nele nos fungos, no musgo, nos insetos e até no abacate que estava nascendo entre o vão do parachoque. Então deixei-o onde estava, vindo a retira-lo dali quase um ano depois, e o pé de abatace só não cresceu entre o parachoque porque eu o havia desviado e já estava com mais de três metros de altura. A vida continuou, só o carro que se mantinha como sempre foi. Assim é com a gente, não há nada que possamos fazer para parar a vida, ela sempre irá continuar. A vida é de tamanho poder que nela temos tudo para nossa manutenção. Água, ar, alimento. Tudo para continuar nela e com ela na gente. Até as bactérias buscam se manter para sentir a vida pulsar nelas. Os insetos. A vida de um inseto é tão breve e eles vivem como podem, a luta para sobreviver é imensa e tudo simplesmente para nada mais do que se manter com vida. Na vida temos tempo para aprender a sermos bons, sermos maus, sermos imaturos, sermos maduros. A vida nos permite observar a vida de outras vidas, tanto nas plantas como nos animais. A vida acontece o tempo todo à nossa volta e dentro da gente. A mulher que engravida, caramba, é a vida gerando vida! Como pode isso!? A multiplicação da vida! A busca pela vida é tão intensa que faz com que um corpo gere outro corpo para continuar vivendo, tal qual as plantas fazem, até as bactérias quando se multiplicam. O objetivo é manter o dna vivo! E mesmo que não se tenha filhos, mesmo que não se multiplique, nosso dna é assimilado por outras pessoas com nosso sangue, nossa saliva, nosso contato. Senão dna orgânico, quiçá dna intelectual, sim, por que não? Estamos sempre auxiliando na formação de pensamentos de outras pessoas, mudando sua maneira de agir e com isso causando mutação em sua maneira de viver, e alguma coisa isso muda no seu dna orgânico. A vida nos deixa sentir o dia, nos dá descanso à noite, nos dá fome para saborearmos os alimentos, nos dá sede para nos embriagarmos com os líquidos, principalmente com a água, que vem de nenhum lugar específico, mas vem para nos abater a sede e o cansaço, vem para nos limpar e nos divertir. E como tudo que pode nos trazer a vida, a água também pode nos tirá-la. Tudo dependerá de como queremos viver, isto é, sob riscos de perder a vida, ou não. Com a vida podemos ouvir ruídos, palavras e a música. O que é a música senão ruídos também? A música são ruídos organizados que dão vida às nossas inspirações. Como diz Zé Ramalho, "ninguém quer a morte, só saúde e sorte!", e é verdade. Saúde e sorte para continuar sentindo a vida pulsar na gente. E quando chegarmos ao fim dessa viagem chamada Vida só levamos o sentimento de que vivemos os momentos, sentimos todos os sentimentos e vencemos as dores e os lamentos. Enfim, vivemos!

 

Publicado por Rodrih às 10:28 | Link do post
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