Relacionar com pessoas não é tão simples quanto parece. Somos seres complexos e muitas vezes digladiamos uns com outros por interesse de lutar pelo espaço, muitas vezes, por espaços, ainda que seja de outra pessoa. Muita gente acha que relacionar-se com alguém é simplesmente conhecer a pessoa, ter convívio com ela e se adaptar ou adaptar o outro, mas engana-se e muitas vezes faz com que a aproximação crie um colapso intrapessoal tão intenso, que melhor seria se nunca tivesse se envolvido com aquela pessoa.

*Baseado no livreto da Editora Nova Cultural, Como lidar com pessoas difíceis.  ISBN:85-13-01275-0

Os 4 princípios

Para começar, vamos partir de quatro princípios básicos: o do bem, o da alegria, o do amor e o da ação. Esses princípios servirão como guia quando você estiver lidando com pessoas difíceis.

1. PRINCÍPIO DO BEM - NINGUÉM É DESTRUTIVO PORQUE QUER

Claro que todos nós temos nossos momentos de raiva, vingança, egoísmo, cinismo. Isso não significa, porém, que sejamos assim o tempo todo. Em geral, o sentimento passa depois de algumas horas ou dias.

Mas há aqueles para os quais mágoas e ressentimentos são tão profundos que acabam criando raízes. Essas raízes se espalham, na forma de outros sentimentos negativos, e permanecem muito tempo dentro do coração - a vida toda, se a pessoa não reagir. Portanto, a maldade se instala quando não se reage a ela. E essa não-reação depende de inúmeros fatores: falta de afeto e/ou de carinho, falta de confiança em si mesmo e/ou nos outros, falta de diálogo. Ou seja: a maldade surge quando falta alguma coisa. Ela toma o lugar daquilo que está ausente, dando a falsa impressão de que nada falta - e de que stá tudo bem.

Lembre-se disso quando estiver diante de uma pessoa venenosa. A maldade não é um desejo, e sim uma compensação à ausência de algo muito importante, que essa pessoa perdeu ou que nunca conheceu.

2. PRINCÍPIO DA ALEGRIA - NINGUÉM É TRISTE PORQUE QUER

Todos nós sabemos como a tristeza é prejudicial à vida. E ninguém em sã consciência, deseja ser triste, mal-humorado, destrutivo. Na verdade, nenhum de nós é assim. Simplesmente estamos assim durante algumas fases mais complicadas de nossa vida. Em geral, depois que elas passam, é como se levassem junto os sentimentos negativos. E então voltamos ao bom humor, ao sorriso, à alegria. As pessoas destrutivas, porém, não são capazes de ter alegria. Enganam a si próprias achando que conseguem ser felizes ao ver ou provocar situações difíceis, humilhantes e constrangedoras para os demais. É como se dependessem dos outros para ter um pouco de bem-estar. Elas esquecem que a erdadeira capacidade de ser feliz esta dentro delas, não fora. E que essa capacidade se torna mais forte quando se vive num ambiente descontraído, sem tensões. 

Todos sabemos que é mais fácil ser feliz quando estamos entre pessoas felizes. A alegria é um sentimento contagiante: passa de um para outro com facilidade. Por isso, quem só consegue ser feliz assistindo à tristeza alheia está, no fundo, vivendo um grande engano, uma grande ilusão. É como se usasse uma venda nos olhos - uma venda que torna o mundo sombrio.

Lembre-se disso quando estiver diante de uma pessoa destrutiva. Ela é assim não porque quer, mas porque não consegue tirar a venda dos olhos e enxergar a vida como ela é.

3. PRINCÍPIO DO AMOR - NINGUÉM ODEIA PORQUE QUER

O ódio nasce, cresce e se instala quando somos profundamente humilhados. É uma reação normal a alguém que zombou de nós, que não nos levou a sério, que nos tratou como se fôssemos marionetes de pano, sem vontade própria e sem sentimentos. O ódio só fica anormal quando não vai embora. Quando impede que a gente perdoe aquele que nos humilhou. Aí entra-se numa roda-viva, na qual cada ato movido pelo ódio gera mais e mais sentimentos destrutivos, negativos.

Quando não conseguimos perdoar, é porque nos sentimos inferiores a quem nos desprezou ou maltratou. Essa pessoa, para nós, é tão importante, tão superior, que seus atos e seu comportamento têm o poder de definir nossos sentimentos. Deixar que os outros decidam como vamos nos sentir é sinal de que algo vai muito mal dentro de nós. Do contrário, tocaríamos nossa vida sem depender das opiniões alheias; teríamos a capacidade de perdoar e de seguir em frente.

Lembre-se disso quando estiver diante de uma pessoa vingativa, cheia de ódio. Ela não é assim porque quer, mas porque algo dentro dela faz com que se sinta inferior aos demais. Por isso não consegue prdoar nem amar. Mas se você conseguir, isso fará toda a diferença.

4. PRINCÍPIO DA AÇÃO POSITIVA - NINGUÉM AGE DE MANEIRA NEGATIVA PORQUE QUER

E o que é agir de maneira negativa? É agir não de acordo com aquilo que somos, mas de acordo com aquilo que estamos. Um exemplo: não somos vingativos; estamos (ou ficamos) vingativos em alguns momentos. E "ficamos" vingativos - isto é, achamos que a vingança é necessária - quando alguém nos provoca. Isso quer dizer que, na verdade, a vontade de vingança é uma reação ao que alguém provocou em nós, não uma ação verdadeira - aquela que realizamos por saber que nos trará alegria. 

A reação é uma ação negativa. Ela significa que estamos respondendo a uma provocação. E isso quer dizer que quem está decidindo nossos sentimentos e nosso comportamento não somos nós, mas sim a pessoa que nos provocou.

Lembre-se disso quando estiver diante de uma pessoa que faça alguma coisa, por menor que seja, para magoá-lo pou provocá-lo. Se você reagir, estará fazendo o que ela quer, como um escravo diante do amo. Se você agir - ou seja, se fizer aquilo que sua consciência (não sua raiva) decidir, será porque você é quem decide sobre si mesmo. É realmente livre. A ação positiva é a única capaz de nos levar à verdadeira liberdade: aquela que vem de dentro de nós como afirmação da vida (dos sentimentos positivos), não como reação a algo negativo e destrutivo que existe fora de nós.

IDENTIFICANDO OS TIPOS DE PESSOAS DIFÍCEIS

Apenas nos deixamos enganar quando queremos. O termo deixamos, aqui, é esclarecedor. Fala por si. "Deixar" significa permitir. E só damos permissão a algo quando queremos dar. 

Na maioria das vezes os sinais de quem a pessoa é de verdade estão ali o tempo todo: nas atitudes, nos gestos, na fala, no comportamento, na história dela que ela mesma conta como vantagem ou como vítima buscando que sintam pena dela mesma. Também no comportamento de sua família ou até mesmo nas reações do cachorrinho de estimação. Está tudo ali, explícito para ser visto e percebido, e se você não vê, não enxerga, quer por displicência ou mesmo comodismo pensando que você conseguirá lidar com aquela característica da pessoa, então você está deixando, permitindo ser enganado.

Vemos, percebemos, constatamos, mas, aí, fechamos os olhos a esses sinais. Por quê? É o que veremos em seguida.

Fechamos os olhos por vários motivos. O primeiro passo para mudar esse cenário, e manter os olhos bem abertos, é reconhecer em qual dos tipos "permissivos" (isto é, aqueles que permitem que os outros o enganem) nos encaixamos.

O OTIMISTA

O otimista - em particular o otimista incurável - fecha os olhos porque acha que os sinais são passageiros e que logo-logo a pessoa difícil vai se mostrar como realmente é: simpática, amiga e bondosa. E para esse tipo de pessoa permissiva, o engano costuma custar caro!

O APAIXONADO

O apaixonado fecha os olhos porque está obcecado não por amor, mas pela carência. A necessidade de ter alguém ao lado é tanta que ele nem leva em conta a personalidade, o caráter desse alguém. Aí, é desastre na certa.

O BONZINHO

O bonzinho fecha os olhos porque é incapaz de enxergar a maldade. Pensa que todo mundo é como ele: incapaz de maledicência, de crueldade, de atitudes destrutivas. Por isso é uma das vítimas preferidas das pessoas perversas.

O INGÊNUO

O ingênuo fecha os olhos porque está sempre envolto na capa da ingenuidade. Tem uma pureza interior que - como acontace com o bonzinho - o impede de ver as coisas como realmente são. Também é uma das vítimas preferidas das pessoas destrutivas.

O NECESSITADO

O necessitado fecha os olhos porque tem alguma relação de dependência com a pessoa difícil. Pode ser cônjuge, empregado, subordinado, filho/filha, ou até mesmo candidato a emprego de alguém complicadíssimo. Finge que não vê os sinais por uma questão de sobrevivência. Mas logo percebe que "sobreviver" não é só uma questão financeira ou de estado civil. Sobreviver é, antes de tudo, estar inteiro, estar feliz. O resto é consequência.

O DESLIGADO

O desligado nem precisa fechar os olhos - eles já estão fechados. Com a cabeça nas nuvens, ele não percebe nada além de... nuvens. Perdido em pensamentos, ou em sonhos, só presta atenção numa coisa: nele mesmo. E aí, claro, tropeça na própria sombra. 

Agora é hora de saber identificar, pelos sinais, o tipo de pessoa que está a seu lado. Este é o segundo passo para nunca mais, mas nunca mais mesmo, deixar-se enganar por ela.

O ARROGANTE

O tipo arrogante é um dos mais fáceis de identificar: nariz empinado, expressão de desdém, olha todo mundo por cima, como se fosse um ser superior. em compensação, quando fala, procura manter a voz mansa, controlada, para dar a impressão de que as coisas que pensa e diz são razoáveis e produto de muita reflexão. Não entre nessa. É pura jogada. Na verdade, o que ele quer é conquistarsua simpatia para poder contar com você. E pretende contar com sua ajuda tendo em mente um único objetivo: pôr em prática os próprios planos para benefícios pessoais e não seus, dos quais, na verdade, ele será o único beneficiário. Desse tipo de gente queira distância, não se apaixone, não se acomode em confiar e contar seus segredos, pois usará suas fraquezas para usar você.

Afinal, como se acha uma pessoa superior às demais, pensa que pode "levar vantagem em tudo". 

O AUTORITÁRIO

O tipo autoritário faz o possível para esconder suas verdadeiras intenções. Ao menos no começo, claro, porque, com a convivência, fica impossível manter o autoritarismo sob controle. Mas, mesmo quando tenta se esconder, ele se revela. Como? Simples: ele não demonstra, na fala, o que realmente deseja, mas mostra isso na voz e nos gestos. Repare: fala alto como se fosse uma pessoa animada, determinada e segura. Na verdade, o tom de voz indica a personalidade autoritária. A maneira de vestir também conta. Sempre impecável, o tipo autoritário se veste de modo conservador. E prefere cores sóbrias. Tudo isso cobre um corpo rígido, disciplinado (muitas vezes "sarado"), que não relaxa nunca.

Verifique também os gestos. São contidos, poucos e pequenos. Não acolhem o outro, ao contrário, querem impor-lhe um caminho. O autoritário, na verdade, só fala a linguagem da imposição.

O IMPULSIVO

 

É preciso ter cautela com o tipo impulsivo. Ele pode ser totalmente transparente, e portanto não oferecer riscos, como pode fingir ser o que não é. Vejamos como reconhecer um e outro.

O impulsivo sem riscos é aquele que solta as emoções o tempo todo. Se tiver que chorar, chora, se tiver que rir, gargalha; se ficar muito bravo, explode. Ele pode até magoar, e na maioria das vezes magoa mesmo. Mas ao menos você sabe com quem está lidando. Esse tipo de pessoa impulsiva nunca esconde o jogo.

Complicado é lidar com o impulsivo fingido. Esse é um perigo em potencial, porque nunca se sabe o que fará, como fará, por que fará e, o pior, a quem fará. Identificar esse tipo de impulsivo é fácil. 

Quando provocado, mesmo só um pouquinho, ele cerra os dentes, procurando controlar-se. Pode até sorrir, mas é um sorriso amarelo. E o brilho furioso nos olhos revela exatamente quem ele é e o que está sentindo. Para fingir que está no controle das emoções, e da situação, o impulsivo perigoso fala baixo - até porque, se falasse normalmente, o tom sairia agudo, traindo seu nervosismo - e seus lábios quase não se movem. Caso se movessem, iriam se abrir, num grito de raiva. E, depois do grito, ninguém mais seguraria a explosão. Aí, mágo e ressentimento tomam conta de quem está ao lado dele. Um estresse sem fim.

O DISSIMULADO

O tipo dissimulado é muito mais perigoso do que o impulsivo, que explode, põe a raiva para fora, relaxa e em seguida vem conversar, como se nada tivesse acontecido. O dissimulado não é assim. Ele não explode "por fora". Explode "por dentro" - a palavra exata seria implode - e mantém toda a energia negativa guardada, a fim de direcioná-la a suas vítimas. E faz isso pelas costas, para que ninguém perceba que foi ele que armou as ciladas para prejudicar aqueles com quem não simpatiza.

O dissimulado tem o que a gente chama de "duas caras". Todo sorrisos à nossa frente, é capaz de ser cruel por trás. E, em geral, não costuma ir direto ao ponto, em assunto nenhum. Fica dando voltas, a ponto de a gente até se esquecer de qual era o assunto principal da conversa.

O EGOÍSTA

O tipo egoísta não consegue esconder aquilo que é. A gente logo percebe os sinais: só pensa nele, comporta-se como se fosse a única pessoa no mundo, faz questão de ser o centro das atenções. Você pode até desmaiar à sua frente que ele nada fará, só tomará alguma providência se alguém cair em seus braços. Nesse caso, afastará esse alguém sem muita delicadeza e continuará com o foco nele mesmo. 

Conviver com alguém assim às vezes é até engraçado - você nem acredita nas coisas que ele é capaz de fazer. Como chorar e desesperar-se não adianta, só rindo mesmo. E perguntando como uma pessoa pode se ocupar tanto consigo mesma a ponto de esquecer da existência de quem está bem ao seu lado. 

O egoísta também costuma ser vingativo. Como pensa que está no centro do mundo, acha normal "castigar" aqueles que não se rendem à sua vaidade. Pode fazer isso diretamente, para humilhar o outro, ou indiretamente, para que a vítima, sem saber de onde veio o golpe, sinta-se ainda mais perdida.

O INSEGURO

O tipo inseguro é muido diferente do inseguro "comum" - ou seja, aquele que sempre tem um pouco de falta de confiança. A maioria de nós é assim. O inseguro capaz de causar estragos em sua vida é aquele que cria dependência e que não dá nem mesmo um passo sem consultar você. Por um lado, esse comportamento é instigante, porque dá a sensação que você é importante para a pessoa, mas aos poucos vai aborrecendo profundamente, e com o tempo cria um desgaste impossível de conter. Vira um peso, um fardo. Por outro lado, do mesmo modo como o inseguro se apegou a você pode se apegar a outra pessoa. e se essa pessoa quiser te prejudicar, terá uma arma e tanto nas mãos: o inseguro dirá tudo sobre você, apenas para agradar o outro.

O aspecto terrível é exatamente esse. Ele age sem saber que está causando prejuízos. Na sua ânsia de satisfazer a curiosidade de quem lhe dá a falsa impressão de segurança, o inseguro é capaz de deflagrar verdadeiros "terremotos" em sua vida. Por isso, todo cuidade é pouco.

O DOMINADOR

A diferença entre o controlador e o dominador é que este último controla para exercer, ele mesmo, o poder. Não o faz para contar aos outros o que se passa em casa ou no escritório, por exemplo, mas para melhor poder dominar. 

Essa necessidade de mando revela insegurança íntima, coisa que o dominador jamais reconhecerá. Ele se julga forte, imbatível, quase um semideus. Por esse motivo acha que tem o direito de controlar as pessoas, para que elas façam o que ele quer. Cuidado com esse tipo, que gosta de fazer perguntas, que tem um ar sedutor e que quando contrariado, mostra sua raiva querendo se impor ainda mais. O dominador não reconhece o outro como possuidor de direitos porque acha que só ele os tem. e convencê-lo do contrário é como dar nó em pingo d'água, impossível. 

O dominador é potencialmente destrutivo. Perto dele não há criatividade que floresça nem novas ideias que sejam respeitadas. Você pode fazer o melhor projeto do mundo que ele não reconhecerá as qualidades nem do que você fez nem as suas. É como um túmulo: enterra todas as boas intenções.

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA

Agora que você já identificou seu tipo e o das pessoas com quem se relaciona, terá de aprender como lidar com elas.

A primeira providência é abrir bem os olhos e prestar atenção aos sinais que os outros nos enviam. Assim, você saberá exatamente em que tipo cada um se classifica. Em seguida, comece a usar as técnicas ensinadas aqui. Não desanime. Seja perseverante, tenha em mente, o tempo todo - em especial nos momentos mais difíceis, os quatro princípios (do bem, da alegria, do amor e da ação positiva) e siga em frente.

Seja compreensivo, mas evite que essa compreensão resvale para a passividade. Tenha compaixão e perdoe, mas não permita que o outro abuse desses sentimentos a fim de prejudicar você. 

Enfim, não reaja. Aja. Trace seus objetivos de acordo com o que manda seu coração, sua consciência, e vá em frente. Esteja certo de que, com essa atitude, você poderá vencer qualquer obstáculo. E ao sentir-se em paz consigo mesmo, conhecerá a alegria verdadeira, aquela que nos ilumina por dentro e que, por isso mesmo, nos transforma no farol que guia e clareia nosso próprio caminho.

LIDANDO COM O ARROGANTE

1. O arrogante, no fundo, é inseguro e tem autoestima baixa. Assim, evite entrar em confronto, porque isso reforça esses sentimentos e o torna ainda mais arrogante.

2. Trate-o com respeito, mas deixe claro que respeito não é subordinação. Quando ele passar dos limites, diga-lhe isso com carinho e firmeza e peça-lhe para reconsiderar a atitude.

3. Quando a arrogância estiver em grau máximo, afaste-se o mais que puder. Se não puder, lembre-se de que esse tipo de comportamento é uma armadura, uma defesa que o arrogante pensa que tem. Perdoe-o por isso. E toque sua vida, sem se deixar abater por ele.

Minha dica pessoal para desarmar o arrogante: Faça silêncio, não procure-o para contar do seu dia, nem de alguma ideia que teve. Simplesmente faça silência a ponto dele vir saber o que estaria acontecendo. Não responda como se quisesse dar lição de moral, simplesmente diga que não sentiu mais vontade de falar (e ponto, sem esticar, sem falar mais do que somente e apenas isso).

LIDANDO COM AUTORITÁRIO

1. O autoritário padece pela falta de confiança nele mesmo. Por isso confere a si uma falsa "autoridade" - julgar-se acima dos demais lhe dá a ilusão da autoconfiança.

2. Por isso, também evite confrontações com ele. Quando se julgar magoado, humilhado lembre-se dos quatro princípios e se fortaleça. Olhe a pessoa nos olhos, procurando transmitir carinho, simpatia e... confiança.

3. Lembre, igualmente, que ele não sabe acolher ninguém, sente-se sozinho. Acolha-o, demonstrando compreensão. Mas mostre com palavras e atitudes que o relacionamento seria muito melhor se ele evitasse contrangê-lo e o respeitasse mais, assim como você o respeita.

Minha dica pessoal para desarmar o autoritário: Procure falar baixo, tão baixo que ele se incline para ouvi-lo. Fale devagar, tão devagar que ele se incomode e saia andando para que você o siga falando seu raciocínio, mas não vá, não o siga, fique onde está e se ele estiver à uma distância que não dê para te escutar pare de falar e vá cuidar da sua vida. Quando ele chegar pedindo para você falar novamente, diga que não precisa mais (por mais que ainda precise) e com o tempo ele aprenderá a permanecer no local para ouvir você falar.

LIDANDO COM O IMPULSIVO

1. Lidar com o impulsivo transparente é simples: basta seguir o princípio da ação positiva e não reagir. Afaste-se, espere que ele se acalme e então procure-o para conversar. Com muita calma.

2. O impulsivo fingido, mesmo representando seu papel de "controlado", está quase fora de si. Assim, evite qualquer palavra ou atitude que possa provocá-lo. Afaste-se e aguarde que as coisas voltem ao normal.

3. Caso seja impossível sair de perto, mantenha-se calmo, aconteça o que acontecer. Argumente com serenidade, mostre-se simpático, sorria. Aos poucos ele irá se desarmar.

Minha dica pessoal para desarmar o impulsivo: Olhe-o nos olhos em silêncio e deixe-o que ele fale e até se desmorone de explosão. Não pare de olhá-lo nos olhos, não esboce reações, não exploda com ele, não responda, não faça caretas, não faça nenhuma expressão, apenas olhe para ele com cara séria, sem rancor, sem reprovação, sem olhar medroso, simplesmente não tire o olhar dele. Se ele se irritar, então faça o inverso, olhe propositadamente para um móvel, mesmo quando for falar com ele, isso o mostrará o quanto ele é ridículo e você está acima da infantilidade que ele transmite.

 LIDANDO COM O DISSIMULADO

1. Só há três maneiras de lidar com o dissimulado. A primeira, mais simples, é evitar fazer parte do seu círculo de relações. Mantenha-se bem longe dele e isso bastará.

2. Não deu? Então vamos ao segundo método: Procure não lhe dar muita atenção. Responda às perguntas com respostas de sentido vago, com que se evita responder a alguma questão de modo categórico, ou, se possível e/ou necessário, diga que prefere não tocar em assuntos que são só seus. Ele vai perceber a negativa. Insistirá um pouco, mas depois desistirá.

3. Se o dissimulado conviver com você, o melhor a fazer é ter uma conversa séria com ele. Fale sobre ética, responsabilidade mútua, sinceridade. Sempre que perceber alguma artimanha, desmonte-a. Ao flagrar mentiras, desmascare-as. Tudo com muita calma e muita classe. Ele pode continuar a ser dissimulado, mas saberá que isso não funciona com você.

Minha dica pessoal para desarmar o dissimulado: Siga o que foi sugerido no item 3.

LIDANDO COM O EGOÍSTA

1. As táticas para lidar com o egoísta são semelhantes às aplicadas ao dissimulado. A diferença é que ele nem irá reparar se você se afastar da convivência, a não ser - e se for do tipo ultravaidoso, que precise de platéia para seus caprichos.

2. Se for difícil se afastar, abra o jogo. Fale, com toda sinceridade, sobre os problemas que encontra em se relacionar com ele. Avise que irá alertá-lo sempre que um ato ou um comportamento esgoísta, da parte dele, magoar você ou atrapalhar a convivência. Quando fizer isso, faça com calma e compreensão. Lembre o velho ditado: "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". Um dia o egoísta se "toca". Pode não deixar de ser egoísta, mas com certeza irá tratá-o com mais respeito.

3. Caso o egoísta seja seu chefe ou tenha um cargo superior ao seu no trabalho, e seja explosivo ou mal-humorado, vingativo, você terá duas saídas: A primeira: aprenda a não se estressar com ele. Escute por um ouvido e solte pelo outro, e não permita que a rabugice estrague sua vida. A segunda: Procure outro lugar para trabalhar. Melhor fazer algo por conta própria do que ser infeliz ao lado de uma pessoa infeliz.

Minha dica pessoal para desarmar o egoísta: Perto dele seja egoísta igualmente. E se for o seu chefe, também, porque da mesma maneira que ele falar na sua cara um pensamento que deixaria você desbaratinado, em outro momento mais tranquilo faça o mesmo e jogue sincero a verdade nua e crua de volta - sem ofendê-lo, mas faça isso olhando para o olho esquerdo dele, sem piscar nem desviar o olhar antes dele. Esteja sempre muito bem arrumado e quando notar que ele está te notando, ignore-o. Se ele elogiar, confirme-se: "Gosto de me sentir bem". 

LIDANDO COM O INSEGURO

1. São duas as principais dificuldades no relacionamento com os inseguros crônicos. A primeira diz respeito à necessidade que eles têm de contar o tempo todo com alguém que possa protegê-los e guiá-los em meio aos perigos e às indecisões da vida. Isso cansa. E muito.

2. A segunda decorre da primeira. Quando conseguimos convencê-los de que não somos nem guias nem protetores, corremos o risco de vê-los levar aos próximos "eleitos" tudo o que observaram e escutaram ao conviver conosco. Por isso, convém tratar o inseguro com reservas.

3. Nada de recebê-lo em casa ou no escritório, mesmo que ele insista ou apareça sem aviso. Nada, igualmente, de abrir o coração com ele ou de comentar fatos pessoais, mesmo os menos importantes. Não se esqueça de que qualquer tipo de informação distorcida e usada por pessoas sem escrúpulos, pode causar sérios prejuízos. Assim, o melhor é afastar-se do inseguro o mais depressa possível e nunca sentir pena dele, porque cedo ou tarde ele vai ferrar com você.

Minha dica pessoal para desarmar o inseguro: Fale na "lata" que você não curte gente insegura e que não consiga tomar as próprias decisões. E evite contato.

LIDANDO COM O CONTROLADOR

1. Ter um controlador por perto é o mesmo que sentir-se vigiado por olhos invisíveis o tempo todo. Não sabemos como ele consegue acompanhar todos os nossos movimentos, mas que ele consegue, sim, consegue. Chegams até mesmo a perder a espontaneidade e a prestar atenção a cada gesto que fazemos, como se estivéssemos atuando uma peça.

2. Claro que isso é muito desagradável. E a única saída, se não houver possibilidade de afastamento, é não dar importância ao controlador, mas mesmo assim é muito complicado, porque ele sempre irá tentar tirar você do seu foco. Princípio da ação positiva: não reaja. Aja, isto é, faça o que precisa fazer sem se incomodar com a vigilância. No começo pode ser difícil, mas com o tempo o incômodo passa. Você se acostuma.

3. Há, também, uma solução divertida: pagar na mesma moeda. Mas atenção: é só uma brincadeira que pode dar certo, não uma conduta a ser levada a sério. Passe a vigiá-lo. Observe seus movimentos, siga-o até o café, comente sobre as coisas que viu e escutou, só para ele perceber como é aborrecido ter alguém controlando os passos alheios. Faça isso por alguns dias e em seguida volte à solução do item 2. Mas esteja certo de que o controlador vai sentir o golpe.

Minha dica pessoal para desarmar o controlador: Assista o filme Chocolate e tire desse filme lições de como lidar com um controlador.

LIDANDO COM O DOMINADOR

1. Com o tipo dominador é preciso ter muita, mas muita paciência. Conviver com alguém assim sob o mesmo teto pode ser altamente desgastante. Por outro lado, podemos conversar com ele sempre que necessário, com calma, expondo nossos pontos de vista e alertando-o quando passar dos limites.

2. Complicado é relacionar-se com o dominador no ambiente de trabalho. Aqui valem as mesmas dicas de como lidar aplicadas ao egoísta. Primeiro, abrir o jogo e explicar que uma relação igualitária e respeitosa será muito melhor para ambos. O estresse será menor, e o ambiente menos tenso.

3. Caso isso não resolva, você tem duas opções. A primeira é pedir transferência para outro departamento, ou procurar outro trabalho, em que as relações sejam menos desgastantes. A segunda é treinar a indiferença. Com base nos quatro princípios, um pouco de meditação e de técnicas de relaxamento, é possível reduzir o desgaste ao mínimo. Lembre-se de que o dominador não pode resolver seus problemas internos sozinho e modificar suas atitudes, mas você pode. Por ser mais forte e ter uma compreensão mais ampla do ser humano, é capaz de perdoá-lo e de não se magoar com as coisas sem sentido que ele faz.

Minha dica pessoal para desarmar o dominador: Afaste-se desse tipo de gente ou seja melhor do que ele, a ponto dele ser menor do que você nas condições pessoais, sociais, políticas e econômicas. Aí ele puxará o seu saco. Do contrário, ele vai passar por cima de você feito rolo compressor.

De tudo que eu li neste livreto antigo tirei muitas observações e apontamentos para mim mesmo, serviu como uma carapuça. Também muitas pessoas que conheço passaram por minha cabeça em que, inevitavelmente, eu tentava identificá-las, e identifiquei muita gente. E como não se pode voltar atrás no tempo, o jeito agora é seguir em frente e evitar topar com esses tipos de gente nociva.

Minhas dicas pessoais, às vezes, vão contra o que prega o texto acima, mas é que por experiência pessoal acredito mais na minha observação do que no clima de amor e paz eternos que o(a) autor(a) expõe nos textos.

Desejo que te ajude tanto quanto me ajudou, e muito.

 

Publicado por Rodrih às 16:52 | Link do post
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