Resultado de imagem para um idiota

Não sei você, mas eu me policio muito, ou pelo menos me observo bastante. E me observando, também observo as pessoas à minha volta e todo o resto. Sempre vejo gente idiota por todos os lados, o tempo todo. Há pouco vi uma mulher deixando um bebê sentado num canteiro sem grama, só terra, onde tinha titicas de cachorros espalhados, e aquele bebê branquinho batendo as mãozinhas na terra, enquanto a vaca mulher, escorada no muro do condomínio defronte ao Águas Claras Shopping mexia no whatsapp de seu smartphone. Pensei em filmar, mas como o assunto não era da minha conta segui adiante, até porque tinha mais o que fazer. Também em Águas Claras, tem um idiota que não sabe fazer o arranque do carro como todos os normais, mas faz cantando pneus e esgoelando o motor do Chevrolet Astra 1998, cinza prata. Ele mora na quadra 104, defronte ao SuperMaia (supermercado), e acho que ele é o mesmo idiota que tinha um Renault Logan com um escapamento que parecia um cano de esgoto, e antes disso tinha um Honda hatch vermelho que também fazia as mesmas cagadas coisas no bairro. Acho que é o mesmo idiota, porque o Honda vermelho sumiu, e surgiu o Logan azul marinho, que sumiu e apareceu o Astra cinza prata. Ou então existem três idiotas morando no mesmo bairro. Fora esses idiotas que citei têm aqueles que fazem retorno e não dão sinal com a seta, e temos que adivinhar a intenção do animal motorista, principalmente se o carro é novo e caro. Mas andei me reparando também. Sem muito incomodar os outros, senão bem mais a mim mesmo, banquei o idiota, quando poderia ter sido um cara normal. Um amigo ligou às dez da manhã dizendo que estava pegando fogo no pomar do lote de minha mãe. Perguntei onde ele estava, que disse que estava no local. Disse que o fogo estava alto e que havia queimado várias árvores frutíferas, além de ter torrado as bananeiras (banana prata), sapecado as jabuticabeiras e tal. Eu, se não fosse tão idiota, poderia ter pensado que nada havia de ser feito, já que era o pomar que estava em chamas, apesar que continham materiais como ferramentas e tábuas corridas para piso no fuzuê do fogo. Eu poderia ter ido tranquilamente para a residência de minha mãe e lá tomado conhecimento da situação, para ver o que fazer em seguida. Mas não. Desci as escadas como se eu fosse salvar o mundo, parecia que eu era do corpo de bombeiros. Entrei no carro como se estivesse fazendo filme policial e saí rasgando asfalto, passando por quebra-molas enormes, passando pelo sinal vermelho, fazendo curvas em alta velocidade como se o mundo fosse acabar naquele dia. Cheguei levantando poeira na frente do portão de ferro com acionamento eletrônico, e foi aí que vi como eu estava sendo idiota. Acionei a abertura do portão que, se ele percebesse como eu estava afoito tentando salvar o planeta abriria a jato, e até explodiria depois, bem hollywoodiano, mas abriu lentamente, 20 centimetros por segundo, uma lentidão deprimente, e todos os carros que ficaram super para trás - pela velocidade e idiotices que fiz anteriormente estavam passando pela pista, atrás de mim. Eles com certeza devem ter pensado: "Que cara idiota, correu, correu, pulou os quebra-molas feio maluco e olha ele lá no portão esperando a lesma da grade abrir a 1km/h". Ou seja, adiantou correr feito doido? Não! E o pior, cheguei lá no pomar e coloquei a mão na cintura para ficar assistindo o resto de foguinho aceso, com tudo devastado. Então para que eu corri tanto? Para chegar lá e colocar a mão na cintura e assistir o cenário? É, bem idiota mesmo. Em outra ocasião eu fui calibrar o pneu do carro num posto, e entrou um cara num Chevrolet Ômega 93 rebaixado com o maior som alto tocando. E pensei, com meu ímpeto orgulhoso e nada humilde: "Que imbecil, esse cara branquelo careca, tatuado num Ômega fudido, velho. Metido a besta". Daí o cara pára e abre a porta posicionando a cadeira de rodas para ele se sentar. Olhou pra mim e disse: "Adoro escutar um som potente, me sinto livre". Caraca, fiquei com mais raiva de mim, como sou um idiota. O que eu tinha que julgar o cara pela aparência? Só mesmo um cara idiota. Fiquei com vergonha de mim, fui pra casa tentar esquecer isso. Então temos tantas idiotices, achamos tão lindo sermos idiotas, quer seja com a felicidade alheia, quer seja tirando a tranquilidade ou mesmo querendo corrigir o mundo. Outra ocasião foi na garagem do prédio que trabalho, alguém estacionou o carro Honda Civic último modelo exatamente no meio de duas vagas. Eu, o consertador do mundo, peguei rapidamente um papel e escrevi em canetinha preta: "FOLGADO / FOLGADA", posicionei no vidro da porta do motorista, acima da maçaneta e subi para o escritório, todo saciado da vingança particular por ter feito justiça para toda a sociedade. Dias se passaram e tive a infelicidade de estar estacionando justamente no momento em que a pessoa do Honda Civic também estacionava na vaga à minha frente, e exatamente no meio das duas vagas. Parei e fiquei curioso para saber que idiota estacionaria assim. Desceu um rapaz, que logo foi para a porta de trás, abrindo-a escancaradamente para que sua esposa segurando uma nenenzinha recém-nascida pudesse ser carregada com todo o cuidado do mundo. Uma doçura do casal com o bebê, um cuidado do rapaz com sua esposa, e eu lá com os julgamentos meus. Pô, foi outro tapa na cara, me envergonhei de mim mesmo e pensei: "Era realmente da minha conta a pessoa estacionar em duas vagas, sendo que eu já tinha conseguido estacionar em uma das 56 vagas livres?". Então eu fui um autêntico idiota. Com isso vou aprendendo, me reinventando, cuidando mais da minha vida (apesar que tem tantos idiotas querendo cuidar dela por mim, me dizendo o que fazer para ser mais feliz e próspero, que prefiro ignorar). Procuro me perdoar de minhas idiotices gratuitas, e ficar mais atento com minhas vaidades. E assim acho que vou me tornando uma pessoa melhor.

Publicado por Rodrih às 19:42 | Link do post
Rodrigo, descobri teu blog recentemente, ontem, ao ser "ferida" pelo teu texto " a demora que se vive na pressa que se tem" e desde então não parei de ler teus ótimos artigos, como este:)
Muito bom!
Jaqueline a 7 de Novembro de 2015 às 16:53
Obrigado Jaqueline pelo seu precioso comentário e sua validação. Por mais irônico que pareça, gostei de feri-la com o texto "a demora que se vive na pressa que se tem". Desejo piamente que tenha te levado à uma reflexão profunda e decisiva. Quanto ao "idiota que somos" espero que tenha refletido algumas idiotices despercebidas por aí. Acredito que pessoas que percebem o que faz são as que mais sofrem, porém também são as que vivem mais, pois são mais verdadeiras. Volte mais vezes e deixe seus comentários para que saibamos o quanto te faz bem. Abraços.
Rodrih a 10 de Novembro de 2015 às 19:46
Pontos vermelhos = acessos no mundo!
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