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 Pode parecer uma viagem na maionese ou que eu tivesse consumido drogas ou algum tóxico e tal, mas não fumo, nem uso drogas (só paracetamol e diclofenaco sódico quando estou com dor de cabeça ou de garganta), mal bebo. Bom, vou só discorrer aqui algo que me veio num sonho de alguns dias atrás. Eu estava andando a pé despreocupadamente (coisa rara ultimamente) e à minha esquerda havia uma rua de duas faixas (mão e contramão) devidamente sinalizada com as faixas pintadas, havia um bueiro do outro lado da rua, que também tinha calçada. Árvores médias formavam uma alameda pelo caminho que eu andava e do outro lado também. Não passava carro, nem nada, era somente eu caminhando num horário das 15 horas. Estava um sol com céu azul, nenhuma nuvem, alguns passarinhos voavam num razante de minha presença, mas não estava calor, e o sol não me queimava o cucuruco (a cabeça), aliás, nem sol tinha com aquela intensidade, estava mais brando. Eu caminhava lentamente, sem pressa, sem preocupação sobre uma calçada de cimento recortado por ripas finas de um metro de comprimento, que dava a largura da calçada, e cada quadrante de cimento eu tinha que dar três passos entre uma ripa e outra, completando assim meus passos. Dei 33 passos nessa calçada. Do meu lado direito havia um bosque com muita vegetação de altura média, troncos finos na maior parte das plantas. Não vi nenhum pássaro, senão uma serpente amarelo-dourado com rajadas pretas no dorso, sobre um galho de uma árvore mediana e de folhinhas minúsculas, que caíam o tempo todo. Uma brisa passou por mim pelas costas, um cheiro de incenso de canela e cravo. À minha frente no 33º passo vi uma moeda dourada com um furo quadricular no meio. Me abaixei para pegar essa moeda tão interessante e toquei nela por curiosidade. Imediatamente todo o cenário de árvores e vegetações, calçada de cimento e a rua de ida e vinda sumiram diante dos meus olhos e fiquei atordoado com aquilo. O céu continuava limpo sem nuvens, mas a cor estava parecendo uma imensa aurora boreal. Vi uma trilha perpendicular à calçada que até a pouco tempo estava sob meus pés. Peguei essa trilha que era de chão batido seguindo pela direita de onde eu estava caminhando. Andei muito, foi preocupante, não via nada, ninguém, sentia uma sensação de medo, eu só queria sair dali. Vi a serpente descendo pelo tronco e sendo transformada numa pessoa - que não sabia se era homem ou mulher. Então se aproximou de mim e me disse: "-Pergunte". Não hesitei e perguntei porque existe o inferno? A resposta foi dada e assim que ouvi a primeira letra desta o cenário mudou, e vi centenas de milhares de pessoas sérias, sofrendo, agonizando, chorando e pedindo ajuda: "-Me tirem daqui, eu não aguento mais". Foi estranho. Tinham tantas pessoas soterradas até o pescoço que mais parecia uma estrada de pedras redondas. Muitos simplesmente se quietavam e esperavam as horas passarem. Me sentei sobre uma pedra e perguntei à pessoa, que antes era a cobra, o que era aquilo tudo. Ela me respondeu que era o inferno. Franzi a testa e sem mexer a cabeça olhei à minha volta até onde os olhos conseguiam alcançar, tanto para a direita como para a esquerda, de baixo para cima e vice-versa e disse que não estava vendo nada parecido com capetas, que nem fogo tinha. A pessoa me disse que o inferno é a espera na expiação. Bom, enquanto vinha digitar esse sonho aqui abri o dicionário Houaiss aqui no meu computador e busquei um significado para essa palavra tão estranha: "expiação", e eis que significa que seria a purificação de crimes ou faltas cometidas, no Antigo Testamento, uma classe de contrições que consistia em sacrifícios expiatórios, e cuja finalidade era a de reparar os pecados e por fim é o meio usado para expiar(-se); penitência, castigo, cumprimento de pena; sofrimento compensatório de culpa. Perguntei qual seria o peso e a medida para tal julgamento, já que parecia que alguém impetrava as punições deliberadamente. Então a pessoa disse que havia uma voz maior, universal, que dava às pessoas o direito de se julgarem e expiarem segundo a força de suas faltas. Antes que continuasse a falar cortei o seu barato e perguntei um tanto confuso: "-Tá, tá, beleza, entendi, mas qual é a métrica, a fórmula para se chegar à uma sentença justa?" A pessoa me respondeu que a expiação se dá pelo tempo da espera da salvação dos justos. É, eu sei, também não entendi nada, e perguntei como seria isso. Então a pessoa se calou, se afastou e subiu de volta na árvore como uma grande serpente dourada com rajados negros nas costas. A voz - que veio do nada mas se apresentou como Mistério, mais ou menos assim: "Sou o Mistério e você está aqui para uma experiência pessoal sua" - e continuou me dizendo que quando uma pessoa faz outra sofrer por tristeza, angústia, algum sofrimento do dia-a-dia saberá que essa culpa será cobrada pelo tempo que a pessoa sofreu, quer por pensamentos, quer fisicamente, quer sejam as duas coisas. Ou seja, fazer uma pessoa sofrer por até um ano, resultará na expiação de cem anos. Nesse caso, se uma pessoa faz outra sofrer por até três anos, a expiação da parte infratora será de 300 anos. Serão trezentos anos vivendo as mesmas angústias da pessoa ferida, com renovação de cada dia infeliz, enterrado até o pescoço, imóvel e com a consciência renovada todos os dias, isenta de emoções (como chorar, rir, gritar, sentir raiva, medo etc), como se aquele dia fosse o primeiro a ser lembrado. Achei bizarro, mas interessante, porque fazia sentido. Pôxa, 300 anos vivendo os sofrimentos da pessoa que sofreu é dureza! Perguntei sobre quem matou alguém, ou estuprou, ou sequestrou, quiçá uma relação amorosa totalmente destruída por maldade. Então o Mistério disse algo que eu não havia mensionado. Aquele que ceifa a vida - disse a voz no ar - de outra pessoa expiará por mil anos por cada ano que cada pessoa ligada à ceifada sofrer. Seguido do sofrimento que causou, muito certamente a sentença aumentará fortemente de cem em cem anos. Perguntei se vale para quem aborta ou permite um aborto. Novamente a voz, quero dizer, o Mistério me respondeu que é uma vida ceifada e dá-se mil anos de angústia para quem tirou ou permitiu o aborto. Se outras pessoas ligadas ao ser ceifado se compadecerem em sofrimento a pena aumenta a cada cem anos. Perguntei quando ou a partir de quando a pessoa em alma terá seu julgamento e o Mistério me respondeu que assim que a pessoa se desencarna se torna espírito consciente e sua inteligência intelectual se expande. Penso que com uma inteligência intelectual expandida, eu não iria me sentir confortável de ficar soterrado até o pescoço, imóvel aguardando (e sentindo) o peso de consciência passar (por isso o consciente seria preservado, mas sem o emocional). O mesmo acontece aos suicidas, sendo que alguns fizeram inconscientes por efeito de entorpecentes ou desatenção, já outros suicidavam por motivos torpes. Mas eu não sei a que cargas d'água, enquanto o Mistério falava eu meio que me vi afastando do local, indo para o calçamento e caminhando de volta sem olhar para o lado. Sentia que precisava de um tempo para assimilar isso tudo, e mesmo que tenha acontecido no sonho, eu acordei muito pensativo com esse "filme que assisti" nesse sonho. Fiquei imaginando que eu devo passar um bocado de tempo até expiar minhas faltas, sei lá, talvez 300 anos ou 500. Complicado, até mesmo porque não tenho como voltar atrás para corrigir ou mesmo não cometer as faltas. Se a alma viverá em eternidade, caramba, a eternidade dispensa relógio, calendário, até mesmo a luz. E o que é que eu vou fazer nesse tempo todo? Sinceramente nem precisava de um ano pra eu expiar minhas faltas, só de pensar já é ruim. Mas essa penitência são para os que merecerem o inferno, creio eu. Que seria o caso de quem mata ou se mata. Mas a voz do Mistério não disse que se tratava do inferno exatamente, mas da expiação das ações que ferissem outras pessoas. Não é à toa que o Mistério é um mistério. O mistério é algo que não podemos compreender. Eu tenho 45 anos e já vivi tantas coisas, já sofri e padeci tantos sofrimentos e só se passaram quatro décadas e meia. O que deverei fazer nas próximas quatro décadas e meia? Não sei, é como se eu fosse viver todo o tempo de minha vida de novo. Aos 45 anos vivi duas vezes minha juventude de 22 anos praticamente. É muito maluco isso. E quando se fala em eternidade, uau, é sem noção. Onde estarei em consciência e intelecto daqui a mil anos? Terei deixado de existir pra sempre ou viverei em outra civilização de outra galáxia? É... só sei que preciso viver a intensidade de meus sentimentos, aceitar os pequenos presentes que a vida me dá enquanto posso e me é permitido, porque o tempo passa e não percebê-lo não é matá-lo, e sim tirar de si a maravilhosa experiência de sentir a vida e suas experiências.



Publicado por Rodrih às 02:25 | Link do post
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Comentários
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É incrível, mas vc "desenhou" a imagem dele. Ele é...
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