O corredor paralímpico A.J. Digby durante um treino nos Estados Unidos

Hoje pela manhã, como de costume, pego o celular e já leio a manchete do dia da BBC - Brasil, que diz: "Rio corre contra relógio por "paralimpíada da superação". Já se fala há um bom tempo sobre a tímida participação dos atletas paralímpicos no Rio de Janeiro - cidade maravilha mutante... purgatório da beleza e do caos (parafraseando a bela e ex-vocalista de apoio da banda saudosa banda Blitz, Fernanda Abreu em sua música: Rio 40 graus). Não só o Rio de Janeiro está sob pressão com a eminente derrota de bilheteria e público com os jogos paralímpicos, mas o Brasil inteiro. Diferentemente das Paralimpíadas de Londres, o país é subcultural e toda opinião é formada - antes - pela mídia televisiva. E essa mídia está pouco se fodendo para os excluídos, porque são a parte feia da realidade brasileira. Deficientes físicos e mentais só têm uma utilidade: fomentar a benevolência e a santidade da sociedade hipócrita, isto é, aqueles que exploram a imagem destes para serem lembrados na mídia. São voluntariados, são visitações, doações, fotos e vídeos timidamentes feitos para divulgar o quão aquele artista, aquele rico, aquela sensação do momento merece ir para o céu. Obviamente não estou dizendo que as pessoas que se ocupam e se dão para os excluídos ou um pouco de si estão fazendo mídia com isso. Não todas elas, uma minoria, com certeza, mas não estou dizendo das que se preocupam com o próximo debilitado. O que estou dizendo é que essas pessoas não têm espaço definido na mídia televisiva - que é o veículo de comunicação mais incisivo mundial. Você vê vídeos na internet, pelo whatsapp, uma coisa aqui outra ali sobre superações do cara sem braços e nem pernas que surfa, por exemplo, com o intuito de vários intuitos ambíguos - como de estimular pouquíssimas pessoas a acreditar nos seus sonhos também, como promover uma depressão ainda maior em quem está com paralizia emocional, justamente porque o que pode ser interessante para você - que pode estar de bem com a vida - pode ser o gatilho para destruir o resto de amor-próprio naquela pessoa com quem você compartilha o tal vídeo, pois ela passa por um momento de profunda tristeza e paralizia de autoconfiança. Então, voltando ao assunto, a minha reflexão é sobre o espaço micro das pessoas que estão confinadas eternamente (enquanto fisicamente humanos) em suas limitadas condições físicas ou mentais na mídia brasileira e, consequentemente, em nossas mentes. Não se fala em cobertura exclusiva ou um período inteiro de cobertura de um jogo, apenas flashs ou notícias. Se Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, se as mídias televisivas - principalmente a Rede Globo - que é uma espécie de "deputado Eduardo Cunha", que foi um mal necessário, já que é a força da Rede Globo que repagina o conceito e as opiniões públicas - a ex-presidente da República Dilma Roussef quem diga - e se o próprio Governo Federal estivessem interessados em ter uma Paralimpíada tão boa, teriam feito o dever de casa antes, há pelo menos três anos atrás incluindo personagens paralímpicos em novelas, filmes e comerciais, principalmente comerciais conscientizando do valor e direito dos portadores de necessidades especiais - o que não costuma acontecer, quando vemos gente imbecil estacionando em vagas para deficiente físico. Estiveram mais preocupados em incluir os homossexuais, os polígamos, os psicopatas, os assassinos, além dos filhinhos de papai mauricinhos, como as patricinhas mimadas, do tipo que são sustentados com dinheiro público roubado ou por pai rico, que quer vê-los longe de seus negócios e pagam o que for preciso para ter tal sossego (pode-se ver isso claramente em Brasília, no Iate Club na hora do almoço, uma vitrine de clientes entre os ricos politicamente corretos e os mimados desocupados), enfim... Mas não se viu nada a respeito, o povo brasileiro - que não foge à luta e nem da frente da tevê, não foi preparado pela mídia para gostar de deficiente físico ou mental, essa é a verdade. Fato é que "Além da transformação do Centro Olímpico de Deodoro em arenas independentes, sem as áreas comuns, e da redução da força de trabalho nas instalações, o comitê organizador reduziu drasticamente a oferta de ingressos. A carga inicial de 3,1 milhões foi reduzida para 2,4", mas mesmo com 2.400.000 ingressos disponibilizados para a Paralimpíada foram vendidos apenas 300.000. Ou seja, 2.100.000 ingressos correrão o risco de serem vendidos à esmola de R$ 10,00 ou US$ 3,11. Há a possibilidade de oferecer entrada franca, na intenção de não ficar registrado na história dos jogos paralímpicos do Brasil a lembrança de que os brasileiros não têm o menor interesse de saber sobre a superação dos excluídos. Superação boa mesmo é de quem tem a saúde de ferro, com Michel Phelps, Usain Bolt, Neymar e cia. Ou de atletas de beleza midiática a ponto de estarem participando também da Olimpíada da Beleza, uma brilhante ideia da formadora de opiniões Rede Globo. Se a própria tevê não se interessa em promover marcas com excluídos, por que os brasileiros se interessariam? Há quem tentará me dizer que teve sim inclusão de atletas com deficiência na mídia. É, até que teve, como, por exemplo, da Terezinha Aparecida Guilhermina, corredora cega que, se você não souber que ela é deficiente visual não dirá, jamais, que seria cega - nem os olhos denunciariam. Se teve algum outro comercial televisivo que tenha destacado deficientes com paralisia cerebral ou que fossem visualmente difíceis de olhar, então me contem, porque eu nunca vi. Agora, e se as novelas mostrassem deficientes físicos e contassem histórias de superação, busca pelos esportes, ao invés de uma putaria homossexual sem fim ou dos psicopatas, malévolos e todo submundo cultural com certeza que as Paralimpíadas (ou paraolimpíadas) seria também bastante interessante. Se as Paralimpíadas viessem antes dos jogos olímpicos, isso também seria muito interessante. Mas gastar com excluídos é demais para todo mundo, essa é a verdade. O mais interessante é que todos nós, sem excessão estamos sujeitos a nos tornarmos paralímpicos de repente. Na pior das hipóteses podemos nos tornar excluídos também, porque perfeito que somos podemos acordar e nos ver sem alguma parte dos membros de nosso corpo (dedo, mão, braço, pé, perna) ou coisa pior, com paralisia cerebral, por exemplo. Daí que seríamos postos de lado, como bem aconteceu com Osmar Santos, comentarista esportivo da Rede Globo, após sofrer AVC. É isso, se quisermos ter nossa rendenção pessoal e formarmos opinões genuínas, isto é, nossas, sem a interferência das belas mídias televisivas - principalmente da Rede Globo, que me desculpem os anti-globais, mas essa emissora de tevê é quem dá as cartas na opinião pública brasileira e não há nada o que possa ser feito para mudar isso - então que acompanhemos os jogos paralímpicos e torçamos por todos os atletas, porque eles sim superam todas e quaisquer limitações do corpo e da mente. 

Para saber mais: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37146489

Publicado por Rodrih às 09:27 | Link do post
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Comentários
Ma ra vi lho so! Td q eu precisava. Grata!
Faz sentido...
É incrível, mas vc "desenhou" a imagem dele. Ele é...
Cuidado com a autossabotagem. A mente humana é cra...
Olá! Sou separada e ultimamente tenho pensado muit...
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