No quarto mês de meu Ano Sabático me sinto em harmonia pessoal para explorar meu ego e afirmar que estou sozinho de fato e de direito. Levo uma vida solitária desde a separação, que culminou em divórcio em dezembro de 2008, quando me vi encenando uma presepada bem articulada de uma acusação infame e de muito mal gosto. Me rendeu oito anos de um sentimento de culpa, cultivando traumas sociofóbicos num ostracismo interminável. Esse acontecimento mudou todo o curso de minha vida, me fez perder os melhores momentos de minha fase juvenil-adulta, em que se eu realmente tivesse culpa, a culpa que me foi imputada, jamais perderia tanto tempo refletindo os pormenores de cada dia de um casamento hostil, ensaiado por pessoas que hoje já lembro sem qualquer esboço de sentimentos e com profundo desprezo. Hoje, oito anos depois, estou convencido que fui vítima de um sistema doentio e psicótico para o qual não estava preparado, não tinha malícia e tampouco cultura para conviver com pessoas complicadas, de sistemas familiares totalmente diferentes do que fui criado. Hoje sei quem sou e o valor que eu tenho. Assim é a transgeracionalidade, que compreende o que acontece em ou que diz respeito a várias gerações¹, na repetição de padrões de eventos semelhantes dos antepassados, em que o indivíduo atual é acometido de reagir de igual maneira no estado de limerência, vividos por seus ancestrais. Uma trama em que estamos todos conectados a nosso tempo, até que possamos quebrar essa corrente repetitiva e prejudicial. Há poucos dias conversava indignado com minha mãe sobre o porquê de eu ter me casado, que hoje, na minha malícia de vida, no meu conceito de homem dificilmente teria me apaixonado por tais mulheres que devastaram minha vida. Se tivesse que pôr Deus no meio diria que o Criador foi misericordioso com essas duas em não me conhecer hoje, pois seus planos de me usar como degraus de ascenção social não iria acontecer, seria um fiasco. Não que eu trate assim as mulheres que conheço em geral, mas me sinto maduro e malicioso o suficiente para identificar o risco e antever-me dele o quanto antes. Esse risco não se dá pelo caráter em si somente, até porque naquele tempo eu não tive a prudência de me afastar ante dissimulações tão perceptíveis - hoje. A liberdade de expor um pouco minha vida assim tem o objetivo de materializar o entendimento conseguido a duras penas, por longos anos. Para aquela situação oportuna para tais ex, fui a peça elementar de seus fortalecimentos pessoais com benefícios incomuns. A carga de sofrimento e dor que rasgou minha alma foi, ao mesmo tempo de premiá-las, uma transmutação do indivíduo inocente e imprudente em mim para o homem que sou agora. A malícia pulsa em meu sangue, e isso me faz compreender coisas que há muito não conseguia enxergar. A mortificação de meus conceitos de amor e sonhos estraçalhados em minha alma, que me queimou no fogo do inferno por longos anos me fundiu num novo ser que admiro ter me tornado. O amor não é para os fortes, senão para os loucos. A paixão é para os fortes. Na loucura compreendi o valor do sentimento, o peso do perdão e o custo da justiça - tudo vem e virá a seu tempo, não há porque ter pressa e a conexão que temos dá o seu tempo de justiça. Depois desses pensamentos em que compartilhei com minha mãe, tive um insight sobre o que venho fazendo da minha vida, já que dei de bandeja oito extensos e preciosos anos dela para refletir, analisar, compreender e concluir as conexões dessas tragédias nas quais fui o único prejudicado. Enquanto minha memória não era destruída lentamente pela depressão e pelo Rivotril fui escrevendo todas as cenas que me senti violado, roubado, violentado e enganado nessas relações que vivi imprudentemente. Não passou um dia que eu não tenha refletido meus relacionamentos, prova disso é este blog. Então, dirigindo, conversando com meus botões fui pego de assalto de reflexões intensas. Na vida somos bombardeados por motivos para fazer tantas coisas, mas são os momentos que farão a nossa vida ter sentido. Meus motivos gritam para mim. Será que posso aprender inglês, francês e até japonês, por que não? Posso aprender a cantar, dançar e até tocar violão. Por que não? Posso saltar de páraquedas, voar de asa delta, mergulhar ou mesmo voltar a ganhar dinheiro, por que não? Posso fazer trilhas, escalar encostas, viajar o mundo ou mesmo competir por medalha, e por que não? Oito anos para perceber isso só agora, porque o trabalho psicopático foi muito bem feito. Perdi mais do que amigos, reputação, credibilidade. Perdi tempo, porque me perdi no tempo de minhas memórias e que jamais será recuperado. Então por que estou sem me pôr no limite de minha capacidade de transformação? Eu posso mais, eu sou mais. Em oito anos transformei mais de trinta pessoas lapidando-as de suas formas brutas em jóias resultantes de pessoas mais felizes, mais conscientes dos valores da vida, pessoas de sucesso, casamentos restaurados, filhos em ventres desacreditados pelos próprios maridos. Se eu tive poder para fazer isso tudo em oito anos de ostracismo, o que não poderei fazer pelos anos restantes de minha vida? Todos estamos conectados. Talvez eu precisasse ser estraçalhado por vis personagens para que eu pudesse renascer na consciência que tenho hoje. Se é dito que depois que morremos somente nossa consciência transcende à eternidade minha evolução deve ter começado ainda em vida. Todas as pessoas que pude ajudar de alguma maneira estavam conectadas à minha história e aguardavam o meu tempo de maturação para que também fossem resgatadas, orientadas e reinventadas. Hoje não vejo outra resposta diferente desta. Se eu não tivesse sofrido os horrores dos sentimentos doídos em meu coração, muito provavelmente não conseguiria ter discenimento para indicar o melhor conceito para problemas irresolutos. A conexão que me ligou às personagens de minha desgraça é a mesma que me leva à glória de meus valores e à libertação de meus temores. Você está conectado a mim por ler este texto e de alguma forma o seu eu intrapessoal poderá encontrar respostas a partir de uma palavra, uma frase ou parágrafo que leu aqui. No final, todos nós somos necessários uns nas vidas dos outros, porque o grande segredo da vida é que estejamos conscientes de nossas atitudes, porque o corpo perece, mas a memória é eterna. Faça o bem às pessoas conectadas a você, não somente para que seu corpo, que é matéria e como tal faz parte conexa aos elementos químicos deste planeta, então viva o hoje em harmonia, não só para que seus descendentes vivam a vida sem serem vítimas da transgeracionalidade, mas para que sua consciência viage pela eternidade em paz.

1."transgeracional", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/transgeracional [consultado em 12-07-2016].
Publicado por Rodrih às 03:11 | Link do post
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