Post de 17.04.2010 (5:05h) Revisto e atualizado.

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Todos nós precisamos de alguém que precise da gente, mas quando chega um momento em que, infelizmente, nos tornamos dispensáveis, quer por termos perdido o "valor", o status, a beleza, a credulidade, a simpatia ou seja, o interesse em geral (frisa-se: "interesse"), então somos lançados na vala dos mortos, moribundos e dos zumbis.  Lá ficamos perdidos, sem saber que universo é aquele tão frio, úmido e sombrio, vazio, perceptivelmente cheio de morte, tristeza e desespero. É a morte anunciada pela parte que você amava e te dispensou, acima de qualquer suspeita, sem brigas, desentendimentos e ciúmes, simplesmente a pessoa amada mata de você os sonhos e a esperança de repente. Muito bem, você é o lixo da vez e lixos vão para a vala dos descartados. Então leva um tempo para você entender ou assimilar o que está acontecendo. O cheiro ruim de tudo que está ao seu redor desaparece, o calor ou frio também, as cores somem, desaparecem, o paladar deixa de existir, seus ouvidos não escutam absolutamente nada, seu estômago não processa os alimentos e você emagrece sem saúde. A sensação de estar anestesiado, zonzo quase que permanente, como se tivesse a possibilidade de ficar por horas, dias, meses sob as profundezas de um lago, ali, parado sem ouvir, sentir, falar nem participar de nada, só silêncio e muitas perguntas mal formadas na mente. Há pessoas que não atravessam o se deserto sabático forçado, pois são pessoas que não têm resistências às perdas, e se vitrificam. Algumas ainda detém um pouco de fé e mergulham na doutrina religiosa como nunca fez na vida. Eu fui um desses que mergulhou. A Igreja é o único local que você se sente bem, mas é outra mentira, uma ilusão. Na verdade, é o lugar que você se refugia porque não tem outro lugar mais confortável para se sentir um ser vivo. Depois de quase 90 dias você entende que realmente está só, é um prazo para a ficha cair e portanto, o sentimento é de um pós-capotamento de carro, uma sensação estranha, doída, como se estivesse na lua sentindo tudo devagar, um silêncio ensurdecedor, solidão desesperadora e ao mesmo tempo confortável - extamente como um astronauta na lua, onde não pode fazer nada, senão aceitar e caminhar lentamente. A consciência começa a voltar e os pensamentos bombardeiam sua mente, sua cabeça vira uma estação de trem em que você perde o controle das chegadas e partidas, da quantidade de gente na estação, muitos rostos, muitas bagagens e diversos motivos no vai e vem. A partir de 100 dias após a catastrófica experiência de ter sua vida dilacerada pela pessoa amada e abandonado à sargeta dos descartados vem a fase da autossabotagem. Pensamentos confusos, conclusões místicas, reflexões vazias e devaneios tomam conta do seu novo perfil psicológico. Inicia-se um processo estranho de sentimentos de liberdade, acredita que recebeu um livramento, até chega a se sentir leve e solto, então procura por fugas para você preencher o vazio e a vergonha de ter sido excluído, descartado, jogado no lixo. É o momento em que procura se apoiar em bengala ou muleta para tentar confundir o cérebro de que está tudo bem, que tudo está voltando ao seu controle - o que é uma grande inverdade, então se matricula numa academia bem movimentada para desenvolver sua sexualidade renovada, fazer amizades novas e bonitas, mas esquece do seu bem-estar. Não há nada que você possa fazer, tudo o que procura é a própria autossabotagem e você só mergulha numa ilusão sem referências. Você abandona a academia e começa a viver o ostracismo. Se isola das pessoas, de si mesmo, seu rosto não sorri mais, seu semblante é perdido, seus olhos não brilham, sua alegria não existe e sua fé desmorona. Esse sentimento dura aproximadamente 15 meses numa vida estritamente solitária. Tudo se torna sem graça, você se sabota em pensamentos, conversas, encontros, desencontros. É a fase zumbi, em que você já saiu da condição de morto e começa a vagar por aí sem saber de onde veio e muito menos para onde vai. Seu único referencial é dormir logo para o dia passar mais rápido. É a hora crítica em que se busca por substâncias (muletas) para conseguir seguir em frente. Mergulhei de cabeça em remédios antidepressivos e ansiolíticos, produtos químicos escravizantes. Você se torna, literalmente, um morto-vivo. Sua mente é manipulada e seus dias passam como folhas brancas. De repente sua mente faz pequenos buracos na tela branca de seus pensamentos e sentimentos e começa a perceber a ilusão que foi posto a viver. Sempre que dorme, seus sonhos estão todos ligados a um emaranhado de buscas, reconciliações amorosas, sentimentos de perdão, reencontros, resgates, até que você acorda e entende que só foi mais um sonho. Às vezes é um alívio acordar, mesmo que o sonho tenha trazido a pessoa amada para seus braços, porque até mesmo nos sonhos sua consciência prevalesce e seu psicológico sabe de tudo o que está acontecendo.E descobre nos soníferos matadores a morte que você sempre buscou. Esses soníferos deletam literalmente memórias em sua mente, faz você esquecer de muitas coisas, até mesmo das coisas que gostaria de lembrar. Nomes de pessoas, rostos, lembranças, memórias, experiências, encontros passados, tudo desaparece de sua mente. E não adianta acreditar que a sua mente recuperará tais imagens, sensações ou informações, porque não vai recuperar. Quanto mais você mergulha nos soníferos - o que será um vício, já que você dorme mas não sonha, mais você deleta memórias de dez, vinte anos atrás. Então sua vaidade está a zero, seus cabelos caem por falta de nutrientes alimentares, você se torna fraco, quase-mudo e seu sorriso sai tímido e com vontade de chorar sempre. Seu organismo mal processa os alimentos e começam a surgir problemas gástricos e intestinais. Num dado momento você pensa que ainda pensa e quando isso acontece se ilude novamente e toma para si outra muleta se permitindo um banho de loja, cortar o cabelo, se vestir bem melhor como nunca esteve. Tudo ilusão, tudo gasto e perda de tempo, pois os pensamentos bombardeiam na vontade tardia de que gostaria de ter feito isso para a pessoa amada e não sozinho como está agora. A sensação disso é fácil de entender, basta que compre a roupa mais cara numa loja de shopping, vestimenta completa e leve essa roupa para uma roça. Estando lá encontre um espantalho e o vista com essa roupa. Pois bem, é assim que você estará sendo visto e será assim o seu sentimento. Não adianta! Não há resgate psicológico nem espiritual. Muito embora essas coisas de mudar o visual funcionam melhor com as mulheres, a grande verdade para os homens está em algo que ele menos pensa nessa fase de transição. A única coisa que alivia a dor, o cansaço, a tristeza e o pensamento autossabotador e autodestrutivo se chama "ter sexo com outra mulher". Eu passei por tudo o que foi possível passar na busca do meu Eu íntimo e pessoal, nada me fez resgatar a autoestima e tampouco me trouxe a alegria de volta, senão e somente depois que eu comecei a ter sexo. Minha testosterona aumentava à medida que eu me sentia dominador de minha virilidade. Não há sentimento maior do que você saber que serve de referência para uma mulher sentir desejo em sua carcaça moribunda e triste. A cada nudez, a cada toque, a cada arrepio eu sentia que estava vivo e era capaz de seguir adiante. Minha autoestima se reconstruía e tímidos planos de melhora de vida roubavam meus pensamentos. As roupas que eu queria usar já não era para aquela que me descartou junto aos desvalidos, mas para aquela que eu estava sentindo tesão sem o menor pingo de amor ou paixão. O coração passa a se blindar, você passa a se fortalecer e sua morte passa a ressuscitar. Seu corpo passa a respirar, suas determinações passam a mostrar que você não é tão desvalido assim e que aquela que você amava até mesmo em seus momentos mais terríveis, na verdade não merecia todo seu sofrimento. Você aprende coisas sexuais que a ex-amada, agora ex, nunca saberá como você se tornou melhor. A vida floresce, a energia volta aos nervos, seu sangue aquece e você não pára enquanto a dor do vazio persistir. Mas o sexo resgatador só acontece quando você o tem com a mulher que é melhor do que a sua pôde ser ou que seja mais bonita, mais gostosa e principalmente mais amorosa. Se não o conjunto, alguma dessas qualidades a mais também serve para resgatar sua autoestima e amor próprio. Então, é nesse momento quando se deve entrar em harmonia com seu corpo e sua mente, buscando exercícios físicos e fazendo novas amizades. Eu não tive nenhuma orientação, fiz o caminho mais sofrido e destrutivo possível, e juro que adoraria se algum sobrevivente me ensinasse o caminho da cura. Meus cabelos caíram exageradamente, emagreci sobremaneira, me enfraqueci e me afastei em cem por cento das amizades que eu tinha. Isso tudo o que aconteceu comigo não precisava ter acontecido se eu soubesse como me resgatar. Me autossabotei inúmeras vezes, me dei por humilhação muitas vezes, me entorpeci de remédios e soníferos matadores, perdi muitas lembranças e memórias que nem faço ideia do quanto, mas sobrevivi para contar minha experiência e mostrar que há caminhos melhores de seguir. E viver sem culpa, renascer.

Publicado por Rodrih às 05:05 | Link do post
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Comentários
Olá Quésia, obrigado por deixar seu comentário e c...
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Muito interessante, obrigada por compartilhar!
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