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http://blogdorodrigocaldeira.blogs.sapo.pt

Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

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Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

Até quando se sofre por amor... (não correspondido)?

21.02.10, Rodrih

Renascer - óleo sobre tela 2007 - 60 x 60 cm - Fernanda Martins

 

 

Sinceramente eu também gostaria muito de saber. Sim, porque estou por demais desgastado, feio e sem muita energia boa para compartilhar com as pessoas realmente boas que conheci a pouco.

 

É muito sofrível sofrer uma dor que atinge em cheio o fígado, depois os rins e em seguida o coração. O timo vai pro espaço e todo o corpo se definha de tal maneira que me olhar no espelho é uma auto-ofensa pessoal.

 

Mas por mais que eu já tenha lido inúmeros textos de ajuda, freqüentado ou sei lá prestado muita atenção em anciãos de quantas e tantas doutrinas de fé, crença e filosofia estou próximo a me tornar um C-3PO (o robô dourado de Guerra nas Estrelas) quando raramente saio para andar por Brasília e "retransformar" no Mestre Yoda quando me escondo no minúsculo quitinete onde passei a me ocultar desde que todo meu universo de amor desmoronou.

 

Reflexão é o que mais ando fazendo ultimamente e já nem me importo mais se o mundo lá fora está seguindo à risca das previsões dos antigos Maias, se já estamos em 2012 ou se estou vivendo dentro de um Cubo do qual não mais consigo escapar ( Título: Cube Ano de Produção:1997 Gênero: Horror psicológico Duração: 90 min Diretor: Vicenzo Natali.

 

Eu li a pouco o texto deliciosamente bem elaborado postado no blog da (...bom, como não a conheço e por isso não tenho intimidade vou referi-la com sutileza... vai que ela é lutadora de kickboxing e de sofrimento já bastam o amor e o casamento destruídos), enfim, da graciosa e inteligentíssima Elenita Rodrigues.

 

O texto de seu blog está aqui (Amor não correspondido e agora) e de fato tudo o que está lá faz sentido e serve de estímulo para se pensar e agir.

 

Entretanto penso que a graciosa púbere tem o que eu não tenho e é isso que muitas vezes faz a diferença na vida de uma pessoa. Essa energia e tanta vitalidade - não que eu nunca tive, aliás, eu sempre fui intenso e de uma energia produzida por reatores atômicos, mas os anos passam e as pancadas que se leva ao longo do caminho vão remodelando nossas atitudes, redefinindo as escolhas e bombardeando o coração.

 

Certamente que o desgaste da longa estrada da vida não são só causados por desilusões amorosas, mas por um conjunto de desilusões que fazem pessoas como eu, isto é, altamente sem resistência às perdas arriar as velas e deixar outros ventos passarem para longe. O que estou dizendo é que tal texto até consegue fazer com que eu, meio C-3PO, meio Yoda sinta no fundo do fundo uma vontade, um suspiro de querer levantar a cabeça, sacudir a poeira (no meu caso seria descascar-me da lama que secou por todo meu corpo) e seguir em frente como se tudo fosse simplesmente aceitável e as mágoas fossem como os sonhos, que hoje são, mas daqui algumas horas caem no esquecimento.

 

Não, infelizmente não é assim. Envolve muito mais que o sofrimento da perda, da mágoa, da dor, da angústia e da tristeza. Este sofrimento rouba a fé, estraçalha a esperança e decepa a auto-estima.

 

Eu quero ser feliz, mas já nem sei se quero mesmo.

Eu quero amar e ser amado, mas já nem sei se quero mesmo.

Eu quero voltar a dar risadas como há dez anos, mas já nem sei se quero mesmo.

 

Considere, para visualizar meu pensamento, que o conflito cintila em cor azul neon e a angústia cintila em cor magenta, então digo que há um conflito pulsante que se mescla com a angústia dentro de meus pensamentos e sentimentos que me lançam para dentro de um tribunal de julgamento donde sou o réu sendo julgado pelo juiz que sou eu também. Sou eu me acusando e me defendendo simultaneamente pelos dissabores que dei e recebi em meu casamento, na empresa e até na vida social. Como o filme com Kevin Spacey em "O Psicólogo - O Doutor está fora..." (Shink), ora estou na condição do doutor, ora na condição de seus pacientes, ora em nenhuma condição, ou seja, conflitos que geram angústias o tempo todo.

 

Então agora você entende a profundidade do que estou dizendo? É disso que falo. Deveras que aos 30 anos, isto é, a nove anos eu estava extremamente o oposto do que estou atualmente, mas é que há quase dez anos eu não tinha apanhado tanto da vida como apanhei aos 38 anos. De bom conselheiro do amor e do comportamento resiliente humano que eu era, agora não ouso nem mesmo encaminhar a carta da Elenita para quem quer que esteja precisando dela neste momento. Não agora, não é meu momento. Será que estou errado mesmo assim?

 

Tenho 39 anos e me sinto com 93, mas já nem sei se tenho 39 mesmo.

 

Quando você perde o chão por amor desgraçadamente destruído, vão-se os projetos de vida, os sonhos, as metas e tudo o que girava em torno da graciosidade que era a vida. Digam todos que é depressão, talvez tédio, há quem diga que é a síndrome do pânico, não importa, quando somos nós o alvo do tomahawk das desilusões tudo muda, até nosso modo de ver e viver a vida.

 

A minha micro-esperança é que de alguma maneira (que não sei como será) isso será superado e a companhia de uma pessoa super para cima, porém paciente e zelosa será a mola-mestra que me arrebatará para o universo das delícias de uma maturidade forte, resiliente e capacitada absurda, e tudo o que tem consumido meu cérebro e meus cabelos da cabeça se tornará fraco o suficiente para nunca mais me atormentar.

 

Mas isso.. hunf... eu também nem sei se acontecerá.

 

No mais fica aqui meu agradecimento pelo carinhoso convite de Tita, a boa alma que postou um comentário em minha ostra fechada e me trouxe o belíssimo texto postado no blog da Elenita Rodrigues.

 

Para essas pessoas de Luz um abraço e borboletas em suas janelas para sempre!

 

mvr.Rodrigo

 

 

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