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http://blogdorodrigocaldeira.blogs.sapo.pt

Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

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Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

Não posso estar deprimido, posso estar distraído..

17.04.10, Rodrih

Adaptação sobre a reflexão original de Facundo Cabral, "Não estás deprimido, estás distraído." - dita em primeira pessoa. As colocações em itálico também são adaptações.


Eu não estive deprimido, estive distraído, distraído em relação à vida que me preenche. Distraído em relação à vida que me rodeia: Golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.

Eu não devo cair como caiu aquele que sofreu por uma única mulher, quando no mundo existem 5,6 milhões de outras mulheres. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me, o que é algo fundamental para viver.

Eu não devo cair como cai aquele homem, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria aos noventa... Só para citar dois casos conhecidos.

Eu não estive deprimido, estive distraído, por isso acredito que perdi algo, o que é impossível, porque tudo me foi dado. Não fiz um só cabelo de minha cabeça, portanto não posso ser dono de nada.  Além disso, a vida não me tira coisas, a vida me liberta de coisas. Me alivia para que eu voe mais alto, para que eu alcance a plenitude. Do útero ao túmulo, vivo numa escola, por isso, o que chamo de problemas são lições. Não perdi nada, aquele que morre simplesmente está adiantado em relação a nós, porque para lá vamos todos. Além disso, o melhor dele, é o amor, segue em seu coração.

Quem poderia dizer que Jesus esta morto? Não existe a morte: existe a mudança. E do outro lado me esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, Michelangelo, Whitman, Santo Agostinho, a Madre Teresa, meu avô e minha avó, que acreditavam que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.

Devo fazer apenas o que amo e serei mais feliz e aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando deve chegar, porque o que deve ser será, e chegará naturalmente.

Não devo fazer nada por obrigação nem por compromisso, apenas por amor. Então terei plenitude, e nessa plenitude tudo é possível. E sem esforço, porque sou movido pela força natural da vida, a que me levantou quando meu casamento acabou; a que me manteve vivo quando pensei/tentei suicídio por não crer que valia a pena viver.

Deus me tornou responsável por um ser humano, e sou eu mesmo. A mim devo fazer livre e feliz, depois poderei compartilhar a vida verdadeira com todos os outros. Devo lembrar-me de Jesus: "Amarás ao próximo como a ti mesmo". Reconcilio-me comigo mesmo, coloco-me frente ao espelho e reflito que a criatura que estarei vendo, é uma obra de Deus; e decide agora mesmo ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.

Aliás, a felicidade não é um direito, e sim um dever, porque se eu não for feliz, estarei levando amargura para todos os que me amam. Um único homem que não possuiu nenhum talento nenhum valor para viver, mandou matar seis milhões de irmãos judeus.

Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo. Temos para gozar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman, as músicas de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven, as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.

E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e as duas são boas; se a doença ganha te liberta do corpo que é cheio de moléstias: cheias de tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas... e se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido, portanto, facilmente feliz. Livre do tremendo peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente,.... como deve ser.

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