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http://blogdorodrigocaldeira.blogs.sapo.pt

Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

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No ápice do TDAH, ajudem seus filhos e filhas!

20.08.16, Rodrih

Revisado em 20/08/2016, às 13h. Post original de 11/06/2011, às 13h. 

Eu já falei aqui sobre um transtorno que atrasa ou extingue a vida sócio-financeira e cultural de uma pessoa portadora de TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade em 24 de Julho de 2009, praticamente a 1 ano, para alertar pais e mães do perigo que estraga os sonhos, projetos e toda a vida social de uma pessoa. Hoje estou aqui novamente para falar um pouco do que este TDAH tem se tornado em minha vida. Não, nunca tratei o TDAH e tampouco fiz o exame P300. Entretanto o diagnóstico se deu em 2000, em São Paulo, numa consulta com um psiquiatra respeitado e reconhecido na comunidade médica, mas que não lembro o nome por agora. Cheguei a comprar Ritalina para tomar, mas não sei a que cargas d'água parei ou ignorei a importância do medicamento. Talvez porque deva ter sido esquecido ou perdeu o referencial já que o TDAH faz exatamente isso, desvia a atenção do indivíduo para outras coisas afora. Recentemente tive uma recaída extremamente aguda, uma profunda infelicidade destruidora de todos os frágeis alicerces que venho reconstruindo desde a separação conjugal, na qual depositei mais do que amor e paixão, mas adornei-o de toda fé, crença, vontade, esperança e resiliência que me restava ter. O portador de TDAH funciona por estímulos externos, de outra parte, para responder com louvores em intensidade ainda maiores, então tive um - de tantas dezenas ou centenas que tenho diariamente - insight, um lampejo de discernimento que até parei para prestar atenção, refletir e procurar absorver o máximo de seu significado. Este reflexo de auto-crítica e observação quase clínica me levou à reflexão sobre o que está realmente acontecendo comigo, portador de um Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade quando lembrei dos relacionamentos, dos negócios, dos estudos, do interesse por notícias, livros, audiobooks, documentários e tudo o que deveria me fazer sentir inserido cultural e intelectualmente numa sociedade formadora de opiniões, que perdi e venho perdendo com o avanço de minha idade, o passar dos meus dias. Uma coisa que admiro em mim é que ainda que eu esteja afetado por algo que me dá dissabores na vida, tenho conseguido diagnosticá-lo com boa observação, auto-crítica e certa dose de humildade, pois somente assim tenho acessado informações importantes para o desenvolvimento de alguma cura ou estabilização do problema ou ponto de fuga. Perto de completar 40 anos sinto meu cérebro em pânico, alarme que soa geral e um desinteresse extremo pelos estudos, atualizações que requerem concentração e acompanhamento intelectual. Sinto um profundo e extremo desinteresse em leituras de todos os tipos, apesar que sei que escrevo/digito muito bem.  Ignoro notícias de tevê (já não assisto tv há 1 ano e meio, literalmente), não leio revistas e jornais nem passo perto, muito embora eu esteja antenado sobre tudo o que acontece à minha volta, na sociedade, no mundo. O caos tomou conta! É angustiante não gostar de estudar, compro livros que sei que não vou ler. Audiobooks que nem os tiro do plástico que os envolve para sequer ver a cor da mídia (cd). E isso tudo chegou a um ponto que me desespera, pois sinto grande desejo e o mais profundo de me atualizar, estudar com fome de informação, ler até morrer, ouvir audiobooks até ficar com os tímpanos doendo, assistir tele-notícias até virar do avesso, mas nada disso me prende atenção. Ainda nesta semana, numa certa manhã, resolvi estudar alguma coisa. Montei a mesa, organizei a bagunça, preparei os papéis brancos para anotações, canetas de diversas cores, marcadores de texto, apostilas abertas, cadeira e luz ambiente favoráveis para uma boa leitura e aprendizado. Faltou-me um copo d'água para fechar com chave de ouro e iniciar o estudo a tempos protelado. Fui à cozinha pegar água. Abro o armário, pego o copo de vidro e despejo a água do garrafão de plástico no copo. Notei que estava com a temperatura natural, logo começou o desvio de atenção involuntário. Me ponho a procurar um vasilhame para pôr a água para gelar. Procurei por diversos utensílios e não encontrei. Vesti-me, tomei posse da carteira, chaves do carro e lá estou eu encarando um engarrafamento para comprar um inútil vasilhame de plástico para gelar a água. No mercado, não só comprei o bendito vasilhame de água, mas também vários vasilhames iguais dentre outras coisas quem nem precisava, mas que chamaram minha atenção pela estampa do rótulo, ou cor do objeto. Tudo comprado a contento, fui para o estacionamento do mercado, entrei no carro e me pus a voltar feliz para casa, donde um galão com água natural aguardava ansiosamente pelo bendito vasilhame para gelar o líquido. Dirigindo tranquilamente paro no semáforo e olho os arredores, vejo calçadas, lojas, sobrelojas, quitinetes, placas e janelas. Ôpa! Eu disse quitinetes? Sim, disse... e esse pequeninos imóveis têm janelas, numa delas vejo panos-de-prato pendurados para secar ao sol da tarde que já se vai. Lembrei que não lembrava onde estavam os panos-de-prato em meu cafofo e aciono a seta para pegar o primeiro retorno e procurar uma sacaria ou loja que vendesse panos-de-prato. Procurei por lojas de toda a avenida comercial e enfim encontro uma aberta, quase fechando no fim do expediente. Escolhi dois panos de pratos muito bons, diga-se de passagem, e volto pro carro, dou ré e já tenho que ligar os faróis para alumiar a pista à frente pois já está escurecendo. Voltei para o apê com os vasilhames, lavei apenas um único vasilhame para despejar a água e por na geladeira. Assim que solucionei a questão da água gelada - e o copo estava lá, sobre a pia e cheio de água natural no mesmo estado e local que havia deixado horas atrás - notei que a torneira, na qual lavei o vasilhame estava pingando demais. E lá vou eu arrumar o gotejamento da pia... Esse episódio é um entre dezenas que acontecem semanalmente. Se vou viajar de carro, quem me espera em outra cidade pode cuidar da própria vida, pois chegarei no dia seguinte ou na semana seguinte, porque certamente vou pegar pistas novas, conhecer cidades etc, se não tiver alguma coisa ou alguém para me lembrar que tenho casa para voltar ou um objetivo me aguardando chegar, eu simplesmente me disperso. É um tormento que não dá trégua, não descansa a mente, não propicia paz e atrasa a minha vida com o peso de um elefante sobre meus ombros. Me considero até muito inteligente e equilibrado para não surtar de vez, perder o foco da vida e a referência do que é necessário para viver bem com as pessoas. Em salas de aulas ou palestras sempre tenho flash de entendimento de todo o conteúdo, que acontece antes que o palestrante ou professor termine seus exemplos. É o famoso ditado: "Enquanto você vem com a cana eu já voltei com a rapadura". Entretanto, e mais uma vez, a falação e repetição de informações, exemplos e notícias faz meu cérebro entrar em conflito interno, meus neurônios entram em pânico se perguntando do por que o indivíduo lá na frente não pára de repetir o que já está mais do que claro e aprendido? Então acontece o fenômeno do TDAH novamente e uma baratinha passando no rodapé da parede me leva a criar uma fórmula que exterminará baratas de todo o sistema global, daí não só crio uma fórmula, como já monto toda a publicidade para vender o novo controlador e exterminador de pragas rastejantes, com slogam, logomarca, todo o colorido e até as falas dos atores no comercial e tevê já vislumbrado. Tenho em mente tudo montado, do faxineiro até toda a diretoria que compõe a indústria de substâncias eliminadoras de baratas e de quebra tenho os números dos telefones criados para um Disk-Barata, o modelo e a cor da moto do motoboy, que já estará usando a jaqueta com as cores e traços da bandeira que estampa a empresa, no totem de entrada ao lado da bandeira nacional e a bandeira da cidade. Enquanto isso o professor/palestrante está lá na frente mexendo a boca e emitindo barulhos que meus ouvidos já não escutam mais. Se me perguntarem o que aprendi da aula farei uma bela apresentação para explicar que nem sei do que se trata. É o TDAH destruindo um pouco mais a vida de uma pessoa que tinha tudo para ser muito mais. Todos os relatos acima mencionados NÃO são ficção para servir de exemplo, a fim de enriquecer a idéia desse assunto. São fatos literalmente reais e dolorosamente verdadeiros. Portanto, venho pedir que você que lê este blog faça sua parte e observe as suas crianças, dos seus amigos e parentes, os adolescentes e jovens também. Não seja negligente nem omisso! Se notar que os pais reclamam que o filho/filha é muito agitada, arteira, criativa, que se dispersa com facilidade, se perde dos pais numa ida ao mercado, está tirando notas baixas na escola etc, peloamordedeus oriente os pais para tomarem conhecimento sobre o TDAH para que esses filhos se tornem adultos de sucesso e preenchidos de alegria. Coisa que não dá pra falar com muito ânimo quando se está com a idade que estou. O exame para averiguar se o indivíduo possui TDAH chama-se P300 e o remédio que controla a disfunção hormonal chama-se Ritalina: NÃO DÊ RITALINA PARA SEU FILHO!!! Estimule-o naquilo em que seu dom se manifestar e encoraje-o a seguir adiante, mesmo que lá adiante sinta que já deu e não quer mais, então encoraje-o a se reinventar!

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