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http://blogdorodrigocaldeira.blogs.sapo.pt

Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

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Acometido

25.06.10, Rodrih

Por: Rodrigo Caldeira


 

 

Depois da nova vida a que fui acometido, voltando à situação de recém-solteiro ou ex-casado pude refletir muitas coisas. Eu refleti sobre os erros que cometi e a outra parte cometeu contra minha vida, meus valores e meu desenvolvimento. É, não posso dizer que foi bom, porque não foi, sofrer pelo tumor que se instala nos órgãos da vida a dois é doloroso demais para ser resumido facilmente como um "valeu a lição". O que resta não dá para gerar energia suficiente para retomar o curso da história. Tudo pára por um tempo. Ao afortunado surgem o ostracismo e a reflexão. A glória é tanto mais tardia quanto mais duradoura há de ser, porque todo fruto delicioso amadurece lentamente. Já a quem causa o dano a vida "la fora" é um cassino de sorte ou revés.

 

ERROS QUE VOCÊ DEVE EVITAR NUM CASAMENTO:

 

1. Não fique em silêncio, jamais.

 

Ficar em silêncio significa que você não dialoga, não conversa, não manifesta suas idéias, seus pensamentos nem suas vontades. Você negligencia a você e se omite para quem vive ao seu lado.  O silêncio constante deprime a relação, provoca projeções, cultiva a insegurança e sufoca o prazer de ficar perto um do outro. A dúvida precisa de som, mas o silêncio por si só não ajuda em nada. A resposta também precisa de som, porque silenciosa ela inibe, rotula, agride e confunde a companhia amada. Dentro do silêncio pode coexistir pensamento longínquo, planos egoístas, projeções maliciosas, pessimismo, projeto de vingança, consentimento diante uma situação que incomoda, frustração, medo, rancor, mágoa, tristeza, desejo de isolar-se, pensamentos hostis, regurgitação de fofocas, deslealdade.

 

2. Não seja desleal, nunca.

 

A deslealdade é a pior traição que pode existir dentro de um casamento, donde quem é desleal está sendo um conjunto de desonestidade, desonra, descabido e desumano com a parte com quem divide um teto ou sentimento. A traição sexual não é mais severa ou mais perversa que a deslealdade. Uma vez que você faltar com a lealdade, você então faltou com o amor. A deslealdade nasce do silêncio, do pensamento longínquo e dos planos egoístas.

 

3. Não exponha sua vida conjugal, nem para a melhor amiga.

 

A vida conjugal foi formada para ser do casal, conjugado significa ligado, unido, misturado, combinado. Se fosse para ter a influência e a interferência da melhor amiga ou de outras pessoas não seria uma vida conjugal, mas sim uma vida grupal. O casamento não merece esse tipo de desgaste, pois a pessoa que você escolhe para falar daquele que ama você e vive ao seu lado todos os dias, dorme com você e acorda com você se torna o vírus que estraga e danifica seu relacionamento. Esse tipo de conselheiro ou ouvinte é a pior das piores escolhas que você faz ao querer buscar ajuda emocional pensando que obterá conforto e paz de espírito. Não. Pelo contrário, você estará mais vulnerável e seu casamento ficará exposto não só para a melhor amiga ou "pessoa de fora", porque com toda certeza possível essas pessoas - consciente ou inconscientemente - levarão a notícia para além de seu olhos e ouvidos. Sempre surgirão novos ouvintes, curiosos, ávidos para saber do seu problema conjugal e novas melhores amigas também surgirão do nada, apenas para contribuírem com o envenenamento de seu sentimento à pessoa que escolheu viver ao seu lado.

 

4. Não discuta a relação (D.R), dialogue.

 

Viver sob o mesmo teto tem lá seus momentos de pânico. Isso acontece quando queremos nossa privacidade um pouco só nossa. Mas o casamento é uma união, que significa a necessidade de cada um pela companhia do outro, do contrário não seria necessário o casamento ou simplesmente morar junto. Discutir significa examinar pormenorizadamente uma situação que gerou incômodo. Esse tipo de exame cabe melhor a um examinador do que para alguém que ama alguém. Não há necessidade de levantar questões a respeito como se o casal fosse uma dupla de serviços ou de um jogo qualquer, não há espaço para táticas, regras, normas. Mas tenho certeza que se vocês montarem um projeto de vida conjugal antes de tudo começar, a vida a dois será muito mais prazerosa de se viver. O diálogo nutre o prazer de ouvir a voz da pessoa companheira e estimula um timbre e volume de voz ajustado para cada situação. Atenua a gravidade dos problemas, pois o costume de dialogar promove a segurança e a paz de espírito. Qualquer fofoca - que geralmente vem das melhores amigas ou de familiares - se torna impotente diante a tranqüilidade que um sente pelo outro, a fim de que um espera o outro se manifestar para depois pensar alguma coisa.

 

5. Não se cale, mas não insulte.

 

Ser companheiro de alguém não significa que você precisa ficar calado o tempo todo, quando algo está incomodando. Fazer vista grossa para a pessoa companheira para não gerar um problema ou um desgaste ainda maior é sinal de que você está perdendo o controle do seu papel no casamento. Não deve calar-se se a outra parte é bonita demais, gostosa de monte, sensual ao extremo ou se lhe parece ser frágil, sensível e vulnerável, pois você estará reforçando exatamente as qualidades que você passa na frente do seu valor como pessoa e companhia. Se você se cala pela beleza da outra parte, ela se tornará cada vez mais bela e isso se tornará um problema a mais na sua cabeça. Se parecer frágil, se tornará mais frágil ainda a ponto de tornar você uma ameaça e um verdadeiro incômodo real. Simplesmente seja você e dialogue sobre os valores que o casal tem. Certamente que você não pegará uma lista de valores já existente por aí ou na internet, mas poderá montar os valores que vocês prezam e preferem seguir, como: "não sair para baladas todo fim de semana, se sair para uma festa permanecer no máximo uma hora e voltar pra casa, não fazer brincadeiras que exponha a outra parte ou familiares etc.". Esses valores não são normas, são valores. Valor significa qualidade humana de natureza física, intelectual ou moral, que desperta admiração ou respeito um pelo outro.

 

6. Não traia, não escolha o caminho promíscuo.

 

Quando você trai a sua parte companheira, na verdade está traindo a si mesmo. Não existe a traição à outra pessoa. Quando você trai está traindo a si próprio e não à pessoa  que lhe é companheira. Mas à parte companheira você está sendo desleal, então isso é grave, porque a deslealdade corroe, apodrece e mata o sentimento. Ao trair você estará se ferindo física, mental e espiritualmente. É como se você concordasse que você é tão, mas tão, mas tão fraco e inútil que está isento de qualquer qualidade ou atributo mínimo positivo para reconquistar a pessoa que já lhe está 50% conquistada, porém, você - que já não acredita nem um pouco em si próprio - prefere gastar o resto de energia que tem para tentar adquirir 100% do interesse de outra pessoa. Se estiver decidido em ficar com outra pessoa prefira contratar um serviço especializado. Assim você sentirá no bolso o quão cara ficará sua vida quando optar em não reconquistar a pessoa que você convive, porque ao tentar conquistar uma nova pessoa você tentará o impossível, que é dividir o seu amor em duas partes distintas, sabendo que uma das partes não lhe retornará o mesmo peso de afeto e amor. Agora pense um pouco, se você optar por gastar suas economias com um serviço profissional será porque a parte que você acompanha não está lhe sendo interessante. Então será justo você comer fora e manter a sua companhia cada vez mais desinteressante para que você sempre se incomode quando voltar pra casa? Óbvio que não. Sendo assim, lembre-se da lealdade pelo menos nesse momento de desilusão sócio-amorosa com a parte que escolheu você para viver a vida. Você tem duas opções, talvez até uma terceira: Primeiro chute o pau da barraca, pelo simples fato de que seu interesse em pular a cerca está em evidência e a outra parte não está respondendo às suas expectativas e diga num diálogo honesto e leal o que está lhe afastando de sua companhia. Diga olhando nos olhos, quer seja para doer em ambos, mas dê um referencial para que a pessoa possa ter parâmetros de medida, distância e exemplo. Segundo, ouça o que a outra parte também tem para dizer-lhe sobre suas faltas. Certamente será muito melhor do que ficar planejando mentiras, fugas, disfarces e situações para justificar suas escapadas. Talvez a terceira coisa é anunciar sua intenção de procurar serviços profissionais extras para complementar sua necessidade e carência na vida conjugal, você poderá receber sua alforria mais rápido do que imaginava, sem muito aborrecimento nem estresse maior que se a parte companheira fosse a última a saber.

 

7. Não vigie, nunca.

 

Instalar programas de acesso remoto no computador da pessoa amada, escuta no celular, gravador debaixo da cama ou dentro da gaveta, até mesmo equipamento de gravação de telefone no próprio telefone fixo, espião no notebook etc., só fará de você uma pessoa desleal. Se está se sentindo trocada ou desmerecida como pessoa companheira de uma relação conjugal faça o certo, dialogue e seja leal. Seja melhor que a parte que está lhe causando desconfianças. Não é possível que um adulto deva ser vigiado por outro adulto, quando adultos vigiados são só os que estão na prisão ou dentro de um sistema financeiro. Casamento não é prisão e não pode ser vendido ou roubado. A vida conjugal tem um valor intangível, exclusivo. Vigiar demonstrará que você é tão desleal quanto a outra parte companheira e que seus valores são tão menores quanto. Vigiar é motivo para um encerramento da relação e não de um controle para mantê-lo. Se a necessidade de vigiar surgiu, entenda uma coisa muito importante: o seu casamento acabou de acabar. É melhor pedir ajuda a profissionais como terapeutas de casais ou, em último caso, a destituição conjugal. Quem vigia é porque precisa ser vigiado. Sim! Se chegou ao cúmulo de querer vigiar a parte companheira é porque você está expondo seu casamento para "melhores amigas", além de também estar sendo desleal, está se calando quando deveria falar e tudo mais que já disse aqui.

 

8. Seja sócio, não seja subordinado.

 

Se pensar que se humilhar lhe dará bônus ou créditos de valor num casamento estará se enganando redondamente. Como ir lavar as vasilhas de cabeça baixa, rosto lânguido e sem voz, praticamente um ser mudo, ou procurar fazer um sexo oral na outra parte companheira para demonstrar o quanto você é útil para alguma coisa. Não... você não está fazendo nada útil, apenas está reforçando o quão fútil você se tornou. Esse teatro funcionaria nos anos 20, mas hoje isso não lhe bonifica em absolutamente nada. Se você não se manifesta, não se valoriza e não se apresenta, como deseja ser a parte notada do casamento? É preciso que você se respeite e mostre o seu valor sendo uma pessoa agradável e sociável. Dialogue! Seja leal!

 

9. Se ame de verdade para poder amar a outra parte.

 

Você estará enganando-se e enganando a outra parte quando tem nela o referencial de felicidade e contentamento. Não! Você precisa gostar de você primeiro, antes de se alimentar do amor de outra pessoa, do contrário você estará sempre à mercê do outro e seu valor próprio ficará no esquecimento. Mas para amar-se de verdade não precisa deixar de amar a parte companheira, entretanto, precisará de entender seu valor na vida dessa outra pessoa, seu cônjuge. Entenda que a felicidade brota da independência, mas se mantém da união entre vocês. Se você sente felicidade sem referi-la à parte companheira como única razão para esse sentimento acontecer, então você está cultivando e se alimentando de uma felicidade saudável. Se sua felicidade não puder continuar sem a presença física de outra parte companheira, então você está em maus lençóis. Porque poderão acontecer algumas coisas que pegarão você de surpresa como: a parte que você ama e não vive sem, poderá sentir uma segurança além do necessário e essa parte será desleal a você cedo ou tarde. Se isso acontecer você sucumbirá em depressão, desespero e caos mental. Humanos são vulneráveis ao poder e se a sua parte companheira perceber sua dependência dela, rapidamente seu valor como companhia estará correndo sérios riscos de abalos e quedas. Quando você passa a se amar saudável e livremente, a outra parte sentirá necessidade de amar você ainda mais, porque todos nós precisamos de alguém que precise da gente.

 

10. Cuide de sua imagem física e moral.

 

Não adianta dizer que está feliz pesando uns quilinhos a mais ou a menos. Ou se suas roupas estão interessantes, apesar de serem de extremo mal gosto ou maus tratos. Não adianta ser boa companhia se a outra parte sabe que sua índole é amoral. Você precisa cuidar do seu físico com alimentação saudável, bebidas saudáveis, exercícios físicos regulares, banho de sol, de piscina e até de lama medicinal. Também precisa ser referência de caráter e hombridade para a pessoa que lhe ama, isso lhe manterá no ranking dos exemplos a seguir da pessoa amada.

 

Cláusula Pétrea

 

Quando se diz cláusula pétrea significa que é uma afirmação que está petrificada, não tem como ser removida, refeita, reelaborada. Isso significa que você precisa ter como princípio universal em seu casamento:

 

Mantenha em harmonia esses três elementos que garantirão o seu casamento sem erro de qualquer espécie, são três elementos derivados do amor: Amor Phileo, Amor Eros e Amor Ágape.

 

O Amor Phileo é o amor de família, donde não importa ninguém fora de seu âmbito familiar, é o amor que acolhe, tolera, acredita e aposta. É o amor que constrói uma casa nova, compra um novo carro e paga as contas mensalmente. É o amor que faz churrasco em casa e chama amigos ou parentes, o que faz caminhada, feira e até assiste bang-bang num domingo à tarde.

 

O Amor Eros é o amor sensual e erótico. É a sensualidade em se vestir dentro e fora de casa. É o erotismo que se provoca na intimidade do casal. O que cuida do físico e da conquista sexual afetiva e se torna uma energia extremamente forte entre os amantes. É a atenção nos modos, no comportamento pessoal. O comportamento pessoal pode conquistar a pessoa amada, como também pode frustrá-la. A conquista ocorre a longo prazo, mas os resultados já são sentidos a curto. A frustração não é sentida a curto prazo, mas destrói a longo. O amor eros é todo o marketing e propaganda que nutre o interesse e estimula os desejos, aguça o prazer e renova o psique.

 

O Ágape é o amor espiritual, ligado a Deus, à fé e à uma doutrina de fé. Não há casal que se mantenha sem a presença de Deus e da fé entre os cônjuges. É o que escolhe perdoar a julgar, ceder a medir forças, a respeitar acima de qualquer opinião alheia. É o amor de Deus na vida do casal, um tipo de amor que só pode vir de ações que agradam a Deus.

 

Esse tripé é fundamental para que um casamento sobreviva. Se um pé não estiver acontecendo, pode acreditar que os demais cairão numa questão mínima de tempo. Não há como um casamento sobreviver somente com o Amor Ágape e o Amor Phileo. Nem há como perdurar uma união com o Amor Phileo e o Amor Eros, e tampouco o Amor Ágape e o Amor Eros. Tem que ter os três acontecendo simultaneamente.

 

11. Sejam amigos, não sejam colegas nem cônjuges.

 

Não dá para amar um cônjuge, é impossível. Quem tem cônjuge não está vivendo o amor com alguém, está registrado no papel com a outra parte no contrato. É bem diferente. O termo cônjuge talvez fosse criado para ser usado nas separações, nos divórcios, donde a expressão "esposa", "esposo" e "marido e mulher" não coubessem para a ocasião.

 

Quando (e se...) eu tiver uma nova pessoa nova em minha vida amorosa vou ter o prazer de riscar com um traço à caneta as expressões "Cônjuge" nos cadastros de preenchimento para bancos, títulos, contratos, planos de saúde etc., e escrever sobre esta: "Amada" ou "Esposa", só para firmar para mim mesmo o poder do meu entendimento. Que se dane a instituição se reclamar que não pode alterar o sistema, não durmo com um sistema, mas estaria vivendo com a Mulher de minha vida.

 

A amizade é o maior ingrediente que mantém e sustenta um casamento. Ela repõe o estoque de lenha na lareira da paixão e nutre o amor mútuo com muito mais poder e valor. Ser amigo à vida a dois é antes de tudo um ato de inteligência e raciocínio lógico. Você se livra do peso da desconfiança e da vigilância que atualmente as pessoas insistem em manter na relação no meu caso a minha cônjuge era a parte do contrato que insistia nesse "big brother" cansativo.

 

Quando se é amigo um do outro o bálsamo do sentimento é recíproco e tolerante, porque um conhece o valor do outro e não tem medo de perder por prejuízo de desinteresse. Não há "lá fora" nada que seja melhor do que se tem dentro de casa, debaixo das cobertas, ao pé da pia da cozinha, no sofá da sala ou nos ambientes da vida em si. Tudo se fala, tudo se ouve, se discute e no fim das contas o companheirismo sempre vence e a individualidade sempre perde. Penso que ter alguém como pessoa amiga antes de se casar com ela deva ser o supra-sumo da felicidade, da alegria e do contentamento! Até o fruto dessa união se torna um clone da resistência à solidão. Doenças que surgem entre cônjuges, não surgem entre o casal amigo e mesmo que se tenham alguns desajustes de saúde, ambos driblam a adversidade com muito mais força e resiliência. Os amigos se tornam parentes, sogro e sogra são literalmente parte da família e seus pais (se vivos) serão amigos dos pais da sua pessoa amiga, amada. Não há como dar errado, porque serem amigos é antes de tudo serem conhecidos um do outro. Se você é conhecido de seu amigo (não de seu colega, cônjuge), você é conhecido de si próprio no conhecimento que tem do outro. "Diga-me com quem andas e te direi quem és."

 

"Felizes são aqueles que não se deixam levar pelos conselhos dos maus, que não seguem o exemplo dos que não querem saber de Deus e que não se juntam com os que zombam de tudo o que é sagrado! (Salmo 1:1 NTLH)

 

12. Não sustente vícios.

 

Vício é tudo aquilo que torna você dependente para seu prejuízo e depois esse dano se alastra para as pessoas ao seu redor. Vício não é só por tóxicos, entorpecentes, drogas. Num casamento isso pode acontecer sim, mas existem vícios que também matam uma união conjugal, como a luxúria, a melancolia, a gula, a vaidade, a ira, a cobiça e a avareza.

 

A luxúria acontece com o uso do sexo para resolver todas as circunstâncias em que o casal não consegue mais o amor e respeito mútuos. Sexo é muito bom no casamento, mas quando este se adorna de fetiches confusos e oriundos da má-fé de quem deseja e sugere à parte companheira a relação sexual perde seu valor e sua integridade, passa a ser vil e amoral. Confunde a mente da parte mais sóbria da relação e aniquila as esperanças de manter um casamento significativo.

 

Com a luxúria está o desejo de consumo, ter um conforto excessivo e fazer uso de todas as zonas de conforto indagando sempre que é uso certo do dinheiro, um investimento à qualidade de vida. Grande tolice. O casal que sustenta luxo é hipócrita e vazio, não merece o casamento. A vida a dois tem um limite de conforto e a satisfação tem que ser recíproca. Conforto é bom, mas se tornar dependente do luxo é suicídio de casamento.

 

A melancolia é outro vício que deve ser evitado ao máximo, pois se trata do espírito de tristeza, do relembrar dos tempos de outrora em que se achava que era mais feliz, ou mesmo de momentos dóceis que aconteceram entre o casal. A melancolia leva à depressão e esta à separação, pois a outra parte do casamento não aguentará por muito tempo.

 

A gula no casamento é a que mais contribui para as separações, pois além de tornar o casal mais pesado, também tirará a saúde, o bem estar, a qualidade de vida e afetará o coração. Casais saudáveis se amam nos três Amores saudáveis: Phileo, Eros e Ágape.

 

O desejo da posse é a essência da gula, quanto mais se tem necessidade da posse, mais existe a vontade de fazer os caprichos da gula, tanto comendo quanto produzindo. É incrível como existem casais que destroem como vítimas da gula! Um produz bolos, brounies, doces e iguarias enquanto a outra parte se farta comendo os "restos" do outro. Esses restos não têm o tempero da amizade nem do amor mútuo, são restos de sentimentos egoístas e individualistas que vem da outra parte como migalhas de atenção. O gosto é de plástico, não ficam na memória dos desejos, simplesmente são lavados com água, coca-cola ou suco garganta abaixo. Podem notar e verão que o que digo é verdadeiro, pois eu passei por isso e posso falar com propriedade de causa.

 

A cobiça, essa é cruel. Um veneno, uma doença, a porta de entrada com tapete vermelho para receber a vaidade. Tanto se cobiça o que o companheiro tem como qualquer pessoa que se aproxime. É prima-irmã da inveja, mas essa é um pouco mais agressiva, porque ela faz a pessoa agir a benefício próprio, arquitetar planos maliciosos e tirar proveito até do bom dia dado de bom grado. A cobiça é o desejo ardente de competir com a pessoa companheira, de ser melhor e dizer seus méritos exatamente àquela que está vivendo 24h por dia do lado, junto, o tempo todo sob o mesmo teto e que não necessitaria, jamais, de ouvir tais enredos, proclamações e discursos. A cobiça é letal, destrói uma relação com a facilidade que se derruba um castelinho de areia, porque a cobiça tira o poder do amor e do perdão, dá ênfase para o julgamento e faz da parte companheira um adversário a ser eliminado. O salário pago pela pessoa que cobiça à parte companheira chamasse solidão, desprezo e descaso. Uma gastrite no estômago do afeto, uma úlcera supurada nas entranhas do bom convívio.

A vaidade é uma droga que vicia e maltrata o casal. É um mal que não tem cura. Uma vez instituída na relação o casamento está fadado à falência, não tem jeito. Quando um se veste da vaidade é como se estivesse vestido para matar, uma roupa de açougueiro, literalmente. São atitudes vaidosas quando uma parte se preocupa mais com o que as pessoas estão ou vão dizer do seu relacionamento, da sua roupa, de como o seu companheiro se veste, como se porta, se levanta, senta e até como penteia as sobrancelhas. Também está na preocupação constante com o outro, com quem está falando ao celular, se saiu sem avisar, para onde deverá ter ido(?), encontrar-se-a com alguém secreto(?). Projeta-se muito a parte vaidosa, cria situações que não existe, especula-se, desconfia-se o tempo todo porque a vaidade é tanta que tudo é motivo para provar que a outra parte é pecadora, enquanto quem se veste da vaidade se sente a santidade personificada... até a voz muda, o semblante e a aparência lânguidos surgem como testemunhos de uma pessoa injustiçada.

 

A vaidade está no exibicionismo também, no deixar-se notar com coisas novas, caras e que não estariam no orçamento do casal outrora imaginado, está na repetição de termos como: "eu sou independente", "o dinheiro é meu", "sou bonita e preciso disso ou daquilo para me sentir bem", "eu te mantenho", "sem mim você não tem para onde ir", "ganho mais que você", "entre você e meus amigos... meus amigos" dentre tantos outros. Quando a vaidade entra na relação é como a cárie entra no dente, destrói, apodrece, mata. Não tem saída, não há remédio, não existe cura nem curativo. O casamento se transforma num aquário e todos os "de fora" passam a fazer parte como escritores, colaboradores da redação do livro da vida do casal. O resultado é o divórcio e a mágoa eterna entre os cônjuges. Tal qual a maçã foi o fruto do pecado que levou Eva a Adão pecar, é a vaidade que mais faz a esposa o marido cair.

 

A ira vem depois da vaidade, nunca vem antes nem junto. A ira é o resíduo da vaidade, é o resto mortal do sentimento, uma ação de ataque, uma explosão de maldades. Já a mágoa é a calmaria da ira, não deixa de ser a ira, mas é uma ira estabilizada, constante e duradoura. Esta, por sua vez, tem curativo, não tem cura, mas se já dá para estancar o sangramento e cuidar das feridas já é uma grande vantagem que a própria vaidade não concede. Com o tempo a ira é esquecida, apesar de não haver cura para ela. Os curativos são a melhor cura para esse mal, mesmo porque já não há nada para ser feito senão aceitar os resultados da vaidade.

 

A avareza é a essência da pessoa que não ama ninguém. É o apego extremo ao poder, ao dinheiro e aos valores materiais. É o fim de todo o casamento, e o começo de uma vida desregrada e sem sentido. Quando a avareza surge, pode-se ter certeza que o casamento acabou e o casal já está separado. O mundo é o novo companheiro e a vida "lá fora" é o novo lar. Nada mais importa, tudo é novidade, a alegria está no que o dinheiro e o cartão de crédito podem comprar. Amar é só um souvenir bonito na vitrine de uma loja pequenina no shopping da vida. Tudo se perdeu, mais vale um sapato de marca que o sentimento verdadeiro de paz e unicidade. A pessoa avarenta é a que já morreu e ainda não foi avisada que só perambula pelo mundo.

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