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http://blogdorodrigocaldeira.blogs.sapo.pt

Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

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14.07.10, Rodrih

Eu estou cansado de mim hoje.

Vou despir-me de mim, guardar minha roupa surrada e cheia de remendos no guarda-roupas. Parei. Não. Não vou pôr na máquina para lavar. Foda-se. Vai ficar lá no guarda-roupas de minha vida, que mofe. Mofo para essa minha roupa virou talco perfumado, azar o dela. Vou andar pelado por aí. Ninguém me vê já vestido, nu verão menos ainda. Vou tirar o coração também, cansei do meu coração. Hoje eu cansei. Não quero andar com esse coração por aí e não vo-lo ser gentil depositando-o na geladeira para ser conservado como está. Vai ficar numa caixa de sapatos, que fique com cheiro de graxa, problema dele. Vou sair por aí sem a roupa de mim e sem meu coração, ainda mais um coração cheio de cordão que remendam como câmera de pneu de bicicleta de pobre. Cansei desse coração idiota, que já me pôs em situações complicadas e difíceis de lidar e já que ele é tão forte, que fique batendo dentro da caixa de papelão. Estou de saco cheio desse negócio de ser humano, isso é uma ofensa à natureza. Os seres humanos agridem, invadem, desconfiam, humilham, exploram, pisam e se alimentam de outros seres humanos. O secador de cabelo que eu uso quando uso é made in China, que foi montado por algum ser humano faminto e escravo da indústria, mas é um produto que para mim é sinal de conforto, ainda que o faminto na China o tenha montado. Assim é a vida, um humano às custas do outro. Tanto eu como o padre ou ou papa. Somos hipócritas, todos. Não quero meu sorriso, vou tirar o sorriso também. Tenho sorrido mais com os meus dedos com um tal de erre ésse repetido, ou uma tal repetição de kás. Sorrir mesmo com a boca, contraindo o diafragma e arreganhando as bochechas eu não sei como é há muito tempo. Nos anos 80 eu não imaginava que existiria celular, computador, microondas e... tampouco rir com as pontas dos dedos. O que será que virá daqui mais vinte anos? Vou mijar com um chip? Farei amor com uma mulher-espectro-de-luz? Aliás, ainda existirá fazer amor? Esse meu cérebro questionador, ninguém merece.. nem eu. Vou tirá-lo também, que se dane essa noz que eu carrego. Vai ficar aqui junto do coração. Pronto... olá coração, tá confortável aí? Olha quem vai te fazer companhia! Diz oi pra noz aqui ó, péra, tá difícil de sair.. hunf... só mais um pouquinho e estarei livre...  e aqui est................................................................................................................