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http://blogdorodrigocaldeira.blogs.sapo.pt

Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

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Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

Enfim, você é realmente feliz?

20.03.11, Rodrih

 

Parado num engarrafamento dias atrás eu me distraí sobre um adesivo que dizia: "Eu sou feliz." Divaguei sobre essa frase e fiquei me perguntando: "-Desde quando eu não sou feliz?". As pessoas usam da hipocrisia até consigo mesmas para que possam acreditar em coisas que não são verdadeiras. Quero dizer, estritamente verdadeiras. Há quem me diga que a felicidade está nas coisas mais simples ou no sorriso de uma criança ou num filhotinho de gato se esfregando no meu sapato e um monte de blablablás que eu, sinceramente, não tenho mais saco para ficar ouvindo e tampouco respondendo com sorriso no rosto - como se tivesse aprovando aquela ladainha toda. Não. Definitivamente eu não me permito viver de ilusões que eu mesmo construa para me alimentar, como uma droga que me obrigasse a obedecer sem questionar. Realmente se sou algo fútil, hipócrita sei que não sou. 

 

E me pus a lembrar quando foi que realmente eu senti a felicidade em minha vida. Me remeti para 1.983 e lembrei que minha irmã mais velha, que era a irmã que me batia ou me castrava psicologicamente em tudo o que eu fizesse, isto é, se eu cutucava meu pinto, era reprimido por ela me dizendo que ia me levar pro médico cortar meu pipi. Que trajédia, minha imaginação criava uma cena terrível sem sangue, mas a de ver um médico cortar meu pinto com uma tesoura e ainda ver meu bilau caindo no chão, feito uma rabicho de lagartixa - que fica mexendo sozinho como se tivesse vida própria. Terrível. Pois é, em 83 minha irmã tinha que descer do apartamento em que morávamos para exigir que os moleques devolvessem minha biclicleta, uma Barra Circular 79, verde e gigante. Ela sim, impunha respeito. Então eu não era feliz nesse tempo.

 

Preferi pensar noutra data e fui para 1.976, morando em São Paulo tomei uma advertência da professora da escola "O pequeno polegar" por não saber ler o que estava escrito no quadro, pois eu estava numa turma um ano mais adiantada do que eu, mas pelo meu tamanho fui posto dentre os mais velhos. Lembro bem aquele dia. Eu estava boiando na aula e a professora me perguntou algo e viajando na maionese eu estava, viajando eu continuei. Os colegas riram, eu respondi os colegas, a professora achou que eu tinha respondido ela e me mandou pra diretoria. Na verdade ela não ia com minha cara ou com meu tamanho. Na diretoria a diretora, Dona Izabel me humilhou, fez com que eu escrevesse frases de redenção, mas eu nem sabia escrever direito e essa querida diretora me deu um tapinha no rosto, estando atrás de mim e não sei bem porque ela fez isso. Pode ter sido um tapinha, mas marcou minha vida como um tapão. Dona Izabel, esposa do senhor Joel... esses nomes, meus fantasmas. Seu Joel era boa pessoa, com sua barba grande e seu jeito paterno. Dona Izabel era severa, todos tínhamos medo dela. Então 76 não foi um tempo legal para eu procurar o meu momento feliz.

 

Fui para 1.985, São Paulo de novo, estudando no Colégio Jesus Maria José, tentando sobreviver em colégio de freiras e driblando os assédios sexuais de gays de plantãos em seus carros oferecendo carona e alisando minha mão. Minha mãe me ensinou bem a não dar moral pra estranhos, também acho que minha cabeça já era hetero desde moleque e eu não era aventureiro, não esse aventureiro sexual, não tinha pré-disposição para ser emo... se bem que naquela época não tinha essa de emo. Ou era punk ou era viadinho mesmo. É, 1.985 não dá pra aproveitar, quem sabe 1.979.

 

1.979, morando em Taguatinga, Distrito Federal, inocente, nunca falava palavrão e não sabia mandar alguém tomar no cu mostrando o dedo obsceno. Não sabia brigar e só sabia rezar o terço e brincar de carrinho, vez outra de "Mamãe da rua" com a molecada.  E no colégio Ave Branca alguns colegas de escola cismaram de que deveriam comer a minha bunda. Esquivei como pude, não sabia brigar de dar porradas e então pedi para minha mãe me tirar da escola. Ahh se eu tivesse a mentalidade e a coragem de hoje naquele tempo.. eu ia quebrar muitas arcadas dentárias de muito moleque emo... Como pude ver, 79 também não tenho muito do que lembrar quanto à felicidade.

 

Vou fuçar 1.993. É.. um ano interessante. Entrei pra faculdade de administração. Saio do banco Bandeirantes onde sou infeliz no trabalho e vou a pé até a faculdade, coisa de 3km aproximadamente. Ganho pouco e parte do dinheiro de muitos meses economizados emprestei a um primo para fazer mais dinheiro com compra e venda de caixas de som. Obviamente ele comprou caixas de som, mas eu nunca mais vi a cor do dinheiro. Umas gurias me chamaram para estudar na casa de uma delas, lembro-me bem do livro-bíblia do Chiavenatto, estava empolgado em fazer amigas e quem sabe comer uma e outra. Começando os estudos (e pensando como eu ia fazer para destacar e conseguir comer uma delas, mesmo sendo virgem aos 23 anos) acontece um incidente na cozinha, donde uma senhora negra alarda um início de incêndio. Fumaça preta saía de lá de dentro e as meninas olhavam pra mim como se eu fosse o superman e não mais uma super vítima como elas. E lá fui eu encarar o fumaceiro e, resumindo, topei com a "Tia Anastácia" (do Sítio do Pica-Pau Amarelo) carregando o incêndio e caminhando rumo a "não sei onde". Era um tacho de cobre desses que cabem duas latas de 18 litros de óleo para fritar bolinhos e salgados que ela vendia. 36 litros de óleo ferventes e em grandes labaredas formadas sobre a superfície do tacho. Não deu outra, a tia parou de repente e todo o peso do líquido fervente e em fogo tombou pra frente. E lá estava eu sendo banhado com uma fervura inimaginável do ombro, braço, ante-braço, mão pra baixo até os pés, derretendo como um boneco de cera e pegando fogo como se tivessem ateado álcool e fogo em meu corpo. Mas não há com o que assustar, pois o que se sente é um banho ultra-mega-gelado, como algo muito gelado banhando o seu corpo, nem é quente e nem arde. Só dez minutos depois... aí é um ardor inimaginável, uma dor insuportável, algo que, sinceramente, não sei como não morri tamanha dor e ardor que senti.

 

Acho melhor deixar esse ano de 93 e pular para 94. Meu pai e eu nunca nos damos como deveria ser. Ele parece que tem um repelente contra mim, a vida inteira foi assim e até hoje é assim. Às vezes sinto-me desconfortável quando estou sozinho com ele em algum lugar. Às vezes não, sempre sinto. Se eu opinar sobre carros, ele me contesta de alguma forma. Se eu falar minha opinião sobre a vida, ele encontra uma maneira de me condenar e me detonar na minha opinião. É incrível. Entretanto, se alguém estiver junto ele dialoga com essa pessoa com tanta alegria, tanto interesse que me faz babar de desejo pela vontade de ver meu pai me tratando com tanto valor. Então ele sempre vira pra mim e me olha, meu corpo endurece e meu sorriso começa a se formar, meus ouvidos se preparam para ouvir atentamente e minha boca se apronta para falar algo que me inclua na conversa de meu pai com outra pessoa naquele local... e meu pai diz: "- Rodrigo, busca pra mim dois copos e uma lata de cerveja que está na porta do congelador." rsrsrs Por um instante eu fico ali pensando o tanto que sou útil. Útil para buscar uma lata de cerveja. Às vezes sou promovido a buscar uma garrafa de vinho à minha escolha. Isso é algo raro, mas acontece.

 

Então com essa afinidade paternal me vejo chegando em São Paulo em 1.994, enviado por meu pai para fazer tratamento psiquiátrico com a Dra. Marluce Muniz de Sousa Pedro e morar com meu tio-padrinho e padre, provincial do Convento de Nossa Senhora do Carmo. Não me recordo o número da clausura que eu ficava.. Lá vivi quase uma parte desse ano aéreo, drogado com um tal Zoloft, que me deixava noiado e lerdão. Meu tio-padrinho e padre fazia a outra parte da tortura, porque ele também era meu segundo psicólogo e fiel delator ao meu pai. Tempos difícieis até conseguir sair do convento e ir morar numa república de crentes. Só a república era de crentes, mas nós os "republicanos" éramos de todo tipo. Lá joguei fora o Zoloft e como represália meu tio-padrinho e padre não me repassava o dinheiro que minha família enviava, passei fome e até pensei em furtar Miojo numa mercearia. Tomava água para dormir com o estômago cheio. Eu e o André Luís, um amigo de república, quase doido de tanto ouvir, ler e seguir a AMWAY. O cara não ganhava nada e gastava o que não tinha em prol dessa AMWAY. Nós dois tomando água para dormir, a fim de enganar a fome. Tempos difíceis. Depois disso fui trabalhar com filmagem, depois com mulheres lindas, modelos, desfiles, fotografia e arte, sempre acompanhando grandes profissionais. O pagamento era algo a ver com comida, vez outra almoço, lanches e tíquetes de refeição até o dinheiro chegar às minhas mãos. É.. 94 não serve para referir momento de felicidade.

 

1.995, perco a virgindade com uma colega que depois virou namorada e mais tarde esposa com casamento na igreja e festa. E eu só queria viver a sexualidade... Casado e trabalhando com festas noturnas de casamento, tudo era uma loucura. Fazia atendimento de manhã, de tarde, à noite, todos os dias, nos fins de semana era para trabalhar nas festas e não conseguia sanar as dívidas já contraídas com a amada e toda sua família, como se eu fosse o mantenedor da casa dela. Aff...

 

2001 eu caso com a garota experiente que tirou minha virgindade e em 2003 ela me deixa, depois que eu surtei quando senti que eu era um grande otário pelo simples fato dela, a esposa amada e amante, ser promovida de auxiliar de atendimento de telefone para um baita cargo de confiança na Presidência da República do Lula. aFF. Um salto de pulga para uma reles auxiliar de call-center. Tinha caroço nesse angu e eu surtei no meu limite humano de desespero e frustração. De uma simples esposa para uma mulher chique e super vaidosa. Isso mata um homem.

 

2006 eu vou pra São Paulo, que porra de cidade que eu sempre estou indo e não encontro nada lá que me alegre! Virei Diretor Financeiro e Administrativo de uma OnG de 42 anos de vida. Assumi despesas e ainda fui taxado de "mão-leve" por parentes próximos. Extorquido e humilhado, passei fome II - o retorno e cheguei a comer uma carne de gado de cor verde azulada, congelada há meses perdida no gelo do freezer da geladeira. Foi o bife mais gostoso que comi na fome e no frio mais desgraçado que senti. Descobri que a ong era um núcleo de encontros para irmãos metralhas, 171, picaretas, vigaristas e candidatos a políticos corruptos que planejavam dar um golpe no Governo do Estado de São Paulo em 240 milhões de reais. Então fui até a delegacia de polícia civil, depois à polícia federal e me entreguei literalmente. Os caras me investigaram por meses e viram minha boa fé em tudo. Não fui preso nem nunca fui intimado, mas me comprometi em fechar a OnG para desmantelar a sede desses malandros, que tinha desde senhores de 45, 55 e 65 anos, como senhoras da mesma idade e estirpe. Convenci cada membro picareta a pedir a demissão, alegando uma novela e até paguei para algumas mulheres do bando para assinarem suas demissões. Voltei para casa aliviado e apaixonado por uma moça que uma cliente armara para ser a mulher da minha vida. 

 

2007 caso de novo e cego de amores. Isso não dura muito. 2008 a amada passa num concurso cobiçado e me deixa também, dizendo friamente que não precisa mais de meu carro, nem do meu apartamento, não precisa mais do meu nome e nem de mim. rsrs Acho que eu tinha problemas com o Governo.. só pode! rsrs Jurei que a próxima mulher, se tivesse, que entrasse em minha vida eu ia me certificar se ela tem vontade de fazer concurso ou se tem interesse de trabalhar para o governo. Se disser que sim, rsrs.. eu nem me daria ao trabalho de conquistá-la e sumia da frente dela... hahaha!

 

De dezembro de 2008 a Junho de 2010 vivi um ostracismo sem igual. Sem dinheiro, sem empresa, sem amigos, sem ninguém, sem coragem de tentar outra vez, como diz Raul Seixas em sua música, sem forças, sem amor próprio, profundamente desabilitado de saúde, energia, vontade e fé. Pensei em suicídios, até arrisquei alguma coisa. Passei uma, duas, três semanas sem almoçar, nem jantar, às vezes sem tomar banho nem dormir, sem sair à rua, só beliscando pão seco e tomando água com Rivotril. 


Em Julho de 2010 conheço uma menina linda, meu coração estraçalhado começa a bater novamente e estou hoje há 7 meses e meio namorando ela à distância. Há 1.200 km de distância. É frustrante, mas ela é o meu alento. Não posso dizer que sou feliz, até porque meu histórico mostra que não tenho motivos para isso. Mas existe uma esperança que nasceu há sete meses, mas prefiro não esperar muito, apenas viver os momentos e deixar que eu me surpreenda. Com 20 anos mais nova do que eu, uma criança com cabeça de moça grande aceitei o desafio e quero ver se passo por essa vida sem conhecer finalmente a tal felicidade plena.

 

Hoje desenvolvo um projeto muito bonito e interessante, tomara que dê certo, pois é para ajudar muitas pessoas que sofrem o revés da vida, situações de infelicidade quase eterna e que fará com que muitas pessoas digam que valeu ter nascido. Tenho fé que se meu projeto vingar eu ficarei feliz definitivamente e somado ao novo amor da menina nova poderei dizer que valeu a pena por cada momento de história que tive no passado e viverei meus dias imensamente grato por ser tão feliz.

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