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http://blogdorodrigocaldeira.blogs.sapo.pt

Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

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Desmistificando Pirenópolis

18.04.19, Rodrih

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Depois de um sono relativamente bom na própria cama, o saldo do passeio de dois dias em Pirenópolis-GO, pessoalmente, não foi tão positivo quanto o esperado. Há uma exploração explícita ao turista com preços altíssimos tanto nas lembranças, quanto na culinária de restaurantes do tipo self-service ou aqueles mais "turísticos". Algumas cachoeiras cobram quase o valor de uma diária de uma boa pousada, como a do Abade, que dá desânimo de ir visitá-la, pois a estrada é muito desconfortável de dirigir - são 17km que não compensam os 80 reais cobrados só para andar por lá.

Quando se chega na cidade você tem duas opções: transitar nas ruas de pedra num trepidar infinito, mas por serem ruas históricas é legal e interessante ter essa experiência, o que, aliás, são um charme só as pedras na pavimentação da cidade. Ou percorrer as pistas de asfalto super esburacadas com verdadeiras crateras, em que não se tem opção de desvio, num descaso absoluto da prefeitura da cidade. As ruas quase não tem sinalização com seus nomes, tampouco as avenidas que, para uma cidade histórica, turística e muito visitada deveria ter um mínimo de padronização de placas. Sim, há um pequeno trecho que parece entender o conceito de cidade turística e oferece aos transeuntes uma bela alameda, com uma adorável gelateria italiana chamada Vallentine, experimente o sorvete de hibisco e o de mirtilo, sem deixar de pedir o maravilhoso sabor de chocolate belga, mas sem o que tem morangos como cobertura. Uma cestinha de casquinha com quatro sabores sai por R$ 14,00 - que vale o preço.

Você perceberá a evidência de coisas incomuns à uma cidadezinha turística, como o excesso de escritórios de advocacia. É um escritório do lado do outro, e do outro, e do outro em toda a cidade. Não dá pra entender como uma cidade tão pequena tem tanto advogado! Você quase não verá muitas casas turisticamente falando, senão pelas fachadas delas, mas verá escritórios de advogados aos montes. 

Lembra que falei da falta de sinalização, pois é, você não perceberá se passar muito depressa por algumas vielas, formando galerias de pequenas lojas de roupas, lembranças e gourmet dentro de lotes. Não há um chamariz, algo convidativo que faça você querer entrar no recinto, principalmente se seu passeio for durante a semana, em que você não recebe toda aquela atenção costumaz de fim-de-semana. Parece que os anfitriãos estão pré-programados a serem amistosos e receptivos nos fins-de-semana, principalmente em dias de feriados. Fora esses dias, são mais silenciosos, sérios, aparentemente desanimados, até mesmo quando você está comprando seus itens caros. Se a prefeitura tivesse um real interesse de tornar Pirenópolis uma cidade de potencial turístico contrataria profissionais para treinarem seus cidadãos empreendedores. A cidade não vive da exploração do turismo, e sim da exploração ao turista, que se torna refém em qualquer lugar que vá. Daria para faturar bem, vender muito, se o empreendedor da cidade não tivesse tanta ganância de ganhar dinheiro do visitante. A exemplo disso, você encontrará restaurante self-service com preço único de R$ 26,90 para comer à vontade. Mas não encontrará com facilidade algum que venda refeições por quilo. Verá que não servirão suco em copo de 500ml, por exemplo, mas de 1 litro somente. Não conseguirá comprar um pacote de biscoitos caseiros com 150 gramas, mas um pacotão enorme e sem opção de quantidades menores, isto é, ou você compra muito em embalagens já montadas, ou não leva nada. Não pense que encontrará roupas com bordados temáticos por menos de R$ 250,00, como alguns vestidos que vi e, sinceramente, não valem esse preço todo. Pratos a la carte a preços mínimos de R$ 40,00 individuais, ou R$ 95,00 para casal, e nem estou falando de uma peixada ou algo que requer uma elaboração especial para uma cidade do interior, e sim de um espaguete ou algo que você percebe que o prato não vale o preço cobrado.  Onde se puder explorar seu bolso você encontrará uma cidade inteira focada nisso, é igual aos postos de gasolina em Brasília, em que os preços são iguais, mesmo sendo de bandeiras diferentes - não há concorrência.

As lembranças se misturam em "feitas em Pirenópolis" com as "made in China", e os preços de shopping de grandes capitais. Na cultura da exploração ao turista vale tudo, mesmo sabendo que se cobrassem valores de cidade do interior venderiam mais (muito mais) e teriam maior rotatividade de produtos durante a semana, coisa que não acontece, pelo que vi - mas muitos lojistas estão pouco se lixando de prestarem um bom atendimento aos turistas de baixa temporada, diga-se de passagem.

Quanto às cachoeiras, há várias, muitas em propriedades privadas (eu acho) e algumas - como eu já falei aqui - cobrando a peso de ouro para o turista passear em suas trilhas, fazendo valer a tal exploração sem escrúpulos, como a Cachoeira do Abade, que cobra R$ 90,00 o casal, independente se o passeio durar 30 minutos ou até às 16h - horário de encerramento das cachoeiras. A Cachoeira de Bonsucesso cobra um valor acessível de R$ 20,00 por pessoa, valor justo, recebe com hospitalidade e a trilha é agradável. Outras cachoeiras existem, mas se quiser visitar todas precisará ficar pelo menos duas semanas na cidade, um bolso com bastante dinheiro (principalmente para as cachoeiras que visam seu bolso, não exatamente sua diversão), além da exploração gourmet da cidade, onde encontrará Gatorade por R$ 8,00 ou 100 gramas de torradas por R$ 5,00 (desnecessário). Há uma pastelaria interessante de ir chamada Central, com pastéis a partir de R$ 7,00 e não mais que R$ 10,00 com recheio que vale um almoço! Eu pedi quatro pastéis, pensando que seriam parecidos com os de Brasília, que são 2/3 vento e 1/3 recheio, só que não, vieram com 2/3 de recheio, muito recheio! 

Vi muitas oportunidades de negócios em Pirenópolis, que dá pra desbancar a concorrência, tanto em loja de lembranças, como em pousada, restaurante, lanchonete ou mesmo serviços aos turistas. Mas são percepções que não darei de graça, obviamente. Há muitos moradores da cidade descontentes e revoltados com o atual prefeito, não é de tirar a razão deles, quando você anda pela cidade e vê que não existe sequer uma única lixeira para os turistas. Num local chamado de CAT - Centro de Atendimento ao Turista, não vá esperando encontrar algo informativo... 

Enfim, Pirenópolis valerá a pena visitar suas ruas, alguns lugares como algumas cachoeiras que não exploram seu bolso, possivelmente a Fazenda Babilônia (que não fui, mas tive excelentes referências), e ficar numa boa e confortável pousada. E por falar em pousada, não confie muito nas fotos que aparecem em sites como tripadvisor, booking, trivago etc, nem acreditem muito nas opiniões que lá depositam super elogiando o local, a menos que a pousada seja realmente interessante pelo preço e conforto oferecidos. Dê atenção aos comentários negativos, esses são verdadeiros e darão uma boa percepção do local, principalmente o quesito banheiro e café da manhã. Fiquei em duas pousadas, uma foi a Gold, que gostei muito. Bom preço, espaço muito bonito e atendimento agradável. Dá pra tirar muitas fotos, pois tem ambientes bem decorados. E fui numa outra que me arrependi fortemente, de nome trissílabo e atendimento cortêz, mas fiquei no sobrado em que há uma escada de acesso extremamente perigosa, espiralada de ferro, sem a menor preocupação com o conforto do hóspede, além de uma decoração à base de giz... deixa muito a desejar. Um casal que conheci na Cachoeira de Bonsucesso disse que a Pousada da Ivana é um lugar muito aconchegante e novo, de um atendimento muito agradável. Nas fotos que vi em sua câmera percebi que oferecia redes de balanço, isso na Gold só tem para quem paga mais caro, o que é uma pena, pois é um conforto a mais e deveria ser para todos naquele espaço tão bonito. 
Saldo de gastos em dois dias: aproximadamente R$ 600,00 - com gasolina a R$ 4,70 no posto Ipiranga

5 comentários

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    Rodrih

    26.04.19

    Oi, olá, boa noite, obrigado por trazer aqui sua dor, ainda que o post não esteja na linha do que está falando. O bom de estar na linha de raciocínio do tema, é que outras pessoas podem ler e se identificar com sua experiência. Mas não tem problema, o que importa é seguir com sua reflexão e não perder o fio da meada. E, olha, não, não é um sonho, você não acordará dele, então se todas as escolhas que você fez não deram certo, está na hora de você fazer escolhas que não está muito acostumada e tentar coisas novas. Eu também estou sozinho há anos, mais precisamente dez anos, claro que temos os flertes e vivenciamos algumas coisas, mas não é aquela explosão de paixão culminando em amor, então fico refém do sentimento alheio, quando o meu sentimento não sente mais ou sente pouco. Isso não me traz orgulho, mas procuro não destratar quem se encanta comigo, faço o meu melhor, não quero mais dívidas da vida, não sou muito resistente a perdas, então o que eu puder fazer para que outras pessoas não se sintam feridas comigo, eu faço. Por vezes me divirto, às vezes até me sinto confortável, mas sei a verdade. Então, se você quer mudar: mude, faça diferente, procure falar com alguém com quem confia ou pelo menos sabe que irá ouvi-la e seguir seus conselhos, mas não acredite em fábulas e tampouco que você esteja sonhando. Enquanto você se anula o mundo gira, as pessoas vivem e a oportunidade passa na sua frente várias vezes à galope, então... agarre-a assim que possível. Fique bem, qualquer coisa conte comigo.
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    Anónimo

    26.04.19


    Por mais que eu vá, que eu volte, que eu suba, que eu desça...

    Você sempre está aí ou aqui (dentro de mim), ainda bem.

    Obrigada pelas palavras. Eu sempre sei o que você vai dizer, mas eu prefiro que as diga. Talvez eu seja um ser humano mal agradecido ou apenas iniciando essa missão, a qual nem sei  porque é.

    Obrigada por ser gentil, mesmo sem saber que sou eu.

    Mas vai melhorar.
    Att.,
    Maju
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    Rodrih

    26.04.19

    A busca sempre existirá, a independência é o principal objetivo das missões, ainda que não se saiba qual seja a sua missão. Num país e num mundo tão grande, estar com alguém pode não significar muito, quando a realidade nos joga na cara a versão cruel e de humor negro que a vida, às vezes, costuma enredar só para nos provocar. É o que falei, se tudo o que fez não deu certo, faça diferente ou tente coisas novas, que incomodam, mas que sempre valerão a pena, simplesmente porque se permitiu tentar. Bjos e fica bem!
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo

    26.04.19

    Bati o carro e estraguei o carro novo que ainda não tinha seguro...traumatizei e sinto medo de sair ... Não consigo emprego, etc. Obrigada pelo carinho. Fique bem também. Beijos. 
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