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http://blogdorodrigocaldeira.blogs.sapo.pt

Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

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Flores que passam

15.07.20, Rodrih

On road with blurred yellow flowers. traveling in thailand with beautiful view of mountains at khao yai thailand. Premium PhotoA vida passa como uma viagem de ônibus na estrada, um destino que demora chegar, e sentado ao lado da janela se olha para fora apreciando as obras de Deus, como pintor e autor da arte que encanta em toda parte. Sentado, acomodado, preguiçoso às vezes, olhando as flores que passam lá fora. Para onde irão? Não irão, estão lá, eu quem estou indo, lá elas estão ficando, mas e depois? Não sei. Algumas pude parar o ônibus e descer para apreciar a beleza, o perfume, suas delícias. Já outras, por mais que eu quisesse contemplá-las, senti-las, não se podia, não me era permitido por diversas barreiras, que impediam do ônibus parar, da porta abrir, de poder aproximar, tocar, sentir. Flores que passam e que vão, na janela eu, absorto em mim, perdido no limbo de meus devaneios, aprisionado, repleto de sentimentos, de sentidos, de momentos, iludido. Flores, lindas flores, algumas com mais espinhos do que o colorido, outras com mais perfume e suaves formas, ainda aquelas cheias de pétalas como sedas frágeis. Algumas me envenenaram, outras me veneraram, todas contemplei. Dentro do ônibus quis as flores, mas nem sempre se colhe o que se quer, tampouco se tem o que deseja, até onde a vista alcança olhei fixamente cada flor que ficou para trás. Minh'alma ficou com elas, fui dividido dentro do meu caixão sobre rodas, morrendo em meu silêncio, pesaroso em meus anseios. E se? Não, não tinha como me perguntar. O ônibus não pára, não parou, quando tentou parar os espinhos me furou, me feriu, se partiu. As flores que passam pela janela do ônibus passaram e parte de mim ficou com elas, zelando, velando, adorando. Flores que passam, nuvens que afloram, cores que perfumam, vento que movimenta o sentimento, que se perde na estrada da vida. Flores lindas flores, cada uma com sua essência, com propriedades rejuvenescedoras, todas de natureza curativa, flores. Amei cada flor que pude contemplar, umas mais, outras menos, umas senti, outras só imaginei, todas eu quis, poucas colhi, com nenhuma fiquei, nessa estrada segui e para trás olhei sem vê-las senti, sem tê-las parti. Não há culpados, só há momentos, ora bem vividos, ora mal sentidos, também ora sequer obtido. A vida não dá segunda chance, a estrada é a mesma, mas as flores nunca mais estarão no mesmo lugar, nem meu ônibus será o mesmo, eu também não serei mais. Flores, encantadas de feitiço do encanto, sereias com seus cantos, traiçoeiras. Agora a viagem está estranha, não há flores lá fora, não me sento ao lado da janela, não viajo, não contemplo. Nada mais me cativa, tampouco me alenta. Flores que passam, mas quem passou fui eu polinizando cada uma delas, mas para que florissem em outros jardins. Que flor há de vir para ser feliz em mim? Que flor há de vir?