São amigas querendo te contar da vida de alguém, é o irmão que quer te falar da outra irmã, é o pai querendo só uma oportunidade a sós com você para lamuriar sobre alguém da família. O amigo de trabalho quer falar do chefe, o chefe quer dizer que viu a secretária dando mole para aquele funcionário casado. É você falando da sua prima e emendando a falar de sua mãe. A nossa vida está ocupada demais com tanto ti-ti-ti de coisas que são estritamente desnecessárias e fúteis. Estamos acercados de fofocas, notícias, mexericos, falatórios, discussões, disse-que-me-disse e por aí vai. E para quê? Por quê? O que é que este e aquele comentário nos trará de benefício? O que eu ganho com o que você me diz sobre alguém que não me condiz? Tenho orientado a célebre e maravilhosa frase que diz: “Isso não é da minha conta”, e para os que não se tocam, isto é, aquelas pessoas que não têm desconfiômetro existe a frase melhor ainda: “Isso não é da sua conta”. Parece que soa agressivo, mas não soa, porque a pessoa que se dá ao direito de falar de alguém (e geralmente são comentários que depreciam este alguém), em seu subconsciente está aberto a ser repelido automaticamente, ou seja, seu cérebro está auto-avisado de que poderá haver uma reação adversária. Na educação de uma criança que quer saber muito sobre o que compete somente à pessoa adulta (pai ou mãe, por exemplo), a melhor resposta é: "Filho, isso não é da sua conta. Aproveita e vai para seu quarto guardar seus brinquedos espalhados no chão". Esse ato, volto a dizer, parece ser grosseiro, mas não é, põe a criança no lugar dela como criança, tira dela o poder de cobrança (crianças não devem cobrar), e salva-a de ser a futuro próximo um adulto insuportavelmente carente, chato e controlador. Então a simples frase salvaria a criança no futuro? Sim, com toda certeza do mundo. O mesmo comportamento acontece a quem te pede dinheiro emprestado. Geralmente, somos nós quem ficamos constrangidos de negar o pedido, quando quem deveria ficar constrangido era o pedinte, mas sua mente está focada em testar seus limites e ver até onde você é capaz de sustentar um "não" e provavelmente você dirá "sim", por mais que você gema, murmure e faça caretas. A mente do pedinte está tão mais preparada para ouvir um sonoro "não", do que você imagina. Essa mente já tem 70% do seu "não" e você só tem que reforçar essa afirmativa em 30%. Acontece que você é pego de surpresa e na reação da pena espontânea você acaba validando os 100% com 30% de "sim". Outra coisa é se meter onde não é chamado e nisso eu tenho sido craque. Há dois dias estacionei meu carro na garagem do prédio onde tenho um escritório e lá estavam dois caras, dois três carros, sendo que dois estavam fazendo "chupeta" (que é a ação de emendar o cabo de força de uma bateria de um carro à bateria do outro carro). Vi que os dois homens não sabiam como lidar com a situação, e eu fiquei ansioso para me meter no cenário e até me destacar por ser sabido e tal. Pensei com meus botões: "Isso não é da minha conta" e continuei dizendo a mim mesmo: "Ninguém pediu minha ajuda", e subi ao escritório, onde fiquei por meia hora. Desci para a garagem e lá estavam eles do mesmo jeito. Geralmente, homens são solícitos uns com os outros e não custaria nada eu chegar e puxar papo com relação à partida do veículo. Mas é que eu faço isso sempre, perco meus horários, gasto meu tempo, e às vezes meu dinheiro. E novamente reforcei que isso não era da minha conta. Foi tenso, porque 70% de mim queria dar pitaco na vida dos caras, e 30% meu estava dizendo para eu cuidar da minha vida. Foi o que fiz, e por mais que eu tenha ido embora sofrendo por não estar sendo útil eu consegui superar essa carência de reconhecimento do outro em mim e segui minha vida.  Não é fácil fazer o exercício do "cuida da sua vida", mas é gratificante. Pense no quanto se viveria melhor se cada um cuidasse da sua própria vida, seria realmete impagável!

Publicado por Rodrih às 15:27 | Link do post
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