Queria tanto poder falar sobre o Amor, mas há dias que tento e não consigo. A inspiração vem enquanto estou só pensando, depois se esvai quando me aproximo do computador. E a vida vai se encarregando de me dar assunto, exemplos, motivações para eu falar deste assunto quase impossível de ser dito. O amor... Para mim o amor não existe, é uma utopia, algo que o ser humano criou para que pudéssemos escravizar outras pessoas, torná-las inseguras e desarmadas. Também para encorajá-las a se lançarem para o perigo sob risco de vida. O amor nem sempre poderia ser visto como algo bom, bonito e gentil. O amor deveria ser temido e não atrair multidões de desavisados e inocentes. Dizer eu te amo deveria ser uma blasfêmia com sério risco de ir à prisão, porque o amor não é para os fracos, já dizia Roberto Shiniashiki. Só que o amor é tão insano que nem há uma definição para o que ele é, como já bem disse que Amor é fogo que arde sem se ver; é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente; é dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer; é um andar solitário entre a gente; é nunca contentar-se de contente; é um cuidar que se ganha em se perder. É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata, lealdade. Mas como causar pode seu favor, nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor? Luís de Camões estava dizendo nada mais do óbvio, de que o amor não existe por ser somente uma utopia. Como pode um contentamento descontente ou ter uma ferida que dói e não se sente? O amor não tem como existir. Se Deus é amor, entende-se que Deus é um mistério, uma esperança, uma vontade de nos tornarmos eternos. Assim é o amor, um mistério, uma esperança, a vontade de eternizar nossos sentimentos. O amor é inalcançável, intangível e intransponível. Não se pode imitar, nem dominar. O amor não existe, e mesmo se existisse se tornaria inútil, porque por ser inexplicável se tornaria intangível. Em Primeiro Coríntios, versículo 13, discorre-se sobre o amor dessa forma: "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor. (1 Coríntios 13:1-13). Oras, percebe o quanto o amor não é algo para o ser usado como fazemos? Ninguém ama, porque amar não é coisa para se fazer. Dizer "eu te amo" para uma pessoa é, no mínimo, uma heresia, uma profanação, a maior ofensa que se pode dizer, uma mentira, uma enganação, a prova de que essa pessoa é tão fútil quanto mentirosa, porque não se pode amar alguém com o amor no seu real significado. O amor sugerido entre amantes na verdade é uma paixão ardente, um tesão iminente, nada de amor, nada de pureza, apenas interesse por outra parte enquanto ainda está sendo servil. E ainda tem gente que se revolta quando a parte apaixonada não declara que a ama. Mas como declarar algo tão absurdo?! Já não bastaria dizer que se é louco apaixonado? Ou que adora? Ou mesmo que não vive sem outrem? Precisa exagerar e partir para a mentira de dizer que ama? O amor não se irrita, tudo suporta, tudo espera. Há alguém dentre vós que não se irrita, suporta e sabe esperar o seu tempo e o seu momento? Há dentre vós que não falhe, não suspeita mal, não folga com a verdade, que tudo sofre e em tudo crê? Ponhamos nossas mãos em nossas consciências! Acima da fé e da esperança, o amor. Como assim? Se a fé não for tudo, o que é a esperança? O amor não é para nós. Não é para você e nem para mim. Eu sei, é triste saber que existe o amor, mas que ele não está a nosso alcance. Quiçá em nova vida, outra quem sabe, outro plano, oxalá espiritual, não sei, mas eu sei que nessa vida não estaremos preparados para o amor, assim como não estamos prontos para usar mais do que 10% de nossa capacidade mental. Mal consigo correr, e se posso pular não tenho como saltar grandes distâncias. O ápice do meu prazer absoluto está no meu orgasmo sexual, minha sede se mata com água, não consigo ficar acordado por 24h seguidas, e quando consigo meu corpo perde mais que 70% de suas funcionalidades e coordenação motora. E todas as vezes que declarei amor absoluto a alguém estava mentindo para mim mesmo e principalmente à mulher enganada. Ela mesma se enganava, certamente ainda se engana, mas não percebe isso. Quanto mais falamos "eu te amo", mais vazio sentimos desse amor por dentro, e dizemos "eu te amo" mais e mais vezes como se dizer repetidamente fosse preencher tanto vão interior. Não! O amor não é combustível, não é produto nem alimento, aliás, eu nem sei o que é realmente. Nem consigo entender porque Cristo morreu por amor à humanidade. Se eu não consigo compreender que raios de amor foi esse, como poderei declarar amor por alguém? Nem à namorada, amante ou esposa, nem a filho, filha ou minha própria mãe, porque para tudo nesse "amor" que temos há um limite, porque chega num momento em que nos irritamos, não suportamos por não sabermos esperar o tempo de nada. E nem vem que não morremos por ninguém! Fazer amor, mas que injúria é essa? O amor já está feito, e na verdade você estará praticando sexo, trepando em busca de prazer e gozo que não durará meio minuto. A limitação humana não permite sentir o amor, é impossível. Não há nada que possa fazer o ser humano sentir amor pelo amor somente. Hoje eu entendo. Respeito o amor, não porque ele é bom e maravilhoso, até porque eu não faço ideia do que é realmente o amor, mas respeito porque o desconheço. Tudo o que eu não conheço eu respeito, porque não conheço a eletricidade e nem invento moda com ela, pois pode me deixar zonzo ou mesmo me torrar me matando. Não conheço a profundidade do oceano e nem suas criaturas que lá habitam, e por isso não vou inventar de pular por aquelas bandas só para matar minha curiosidade. Se eu passar de navio por lá respeitarei seu poder profundo e não arredarei o pé do angar que me protege, a menos que todo o barco resolva submergir, ainda assim não deixarei de lutar para evitar conhecer quão profundo é o mar. Ninguém conhece o sol nem as estrelas. Por que o homem vai à lua mas não dá um pulinho numa estrela? Eu respeito o amor, como respeito a morte. Eles lá e eu cá. Um dia a morte me buscará, e quem sabe o amor me salvará dela. Mas se o amor não existe para nosso tempo, ou para nossa realidade, como explicaríamos o sentimento de profunda entrega de cuidado com o outro, quer seja à pessoa companheira, quer seja para um estranho enfermo, como entender isso? Um sentimento de doação, de entrega, de oblação e total esforço pelo bem estar do outro, muito embora limitado, pois qualquer ser humanamente consciente não consegue levar esse tipo de entrega num sentimento tão duradouro e cheio de felicidade. Então que nome poderia ser dado para esse sentimento eu não consigo mensurar uma palavra. Volto a falar da paixão, da ardência que queima nossa razão e nos faz sentir sensações anestésicas da realidade da vida. Seria uma paixão constante esse sentimento de entrega e doação? Seria essa paixão fulminante e radioativa? 

Publicado por Rodrih às 02:37 | Link do post
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