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http://blogdorodrigocaldeira.blogs.sapo.pt

Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

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Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

O bom-senso da ajuda.

20.09.18, Rodrih

Resultado de imagem para ajudar o próximo

Uma das coisas que mais tem me consumido energia pessoal, tem sido o meu instinto altruísta em querer ajudar pessoas desfavorecidas. Eu, profissional e dominante de uma criatividade natural, também de criação de imagens gráficas, na boa intenção de querer ajudar gratuitamente pessoas amigas, que, em suas limitações pessoais financeiras e até criativas, me deparava com a mesma situação por diversas vezes: a falta de malícia da pessoa assistida. Na tentativa de promover o melhor relacionamento, a fim de deixar a parte confortável na criação e elaboração, montagem e finalização da arte, eis que acontecia um fenômeno um tanto desconfortável pra mim, que era o de perder o lugar como mentor e passar a ocupar o lugar de monitorado. Não há sensação mais incômoda para quem se dá para ajudar, do que a de sentir que "a escada que trouxe para ajudar não serve, muito embora sirva, e a parte ajudada faz com que você tenha que sair procurando uma outra escada". É como se você dissesse que vai dar carona à pessoa que, no horário e local marcados, não aparece, o fazendo esperar, sendo que a parte beneficiada deveria estar antecipada, e não o contrário, já que você é quem está com o veículo e a direção dele. Tipo isso. As pessoas perdem a noção do sentido da ajuda, simplesmente abusam na "liberdade" sugerida. Sim, a liberdade é sugerida, porque não há uma liberdade propriamente dita, já que se trata de ajuda e não uma prestação de serviços, ou de um produto pelo qual se paga por atender aos desejos do comprador. A famosa frase que diz: "Cavalo dado não se olha os dentes" vale para todas as situações. Eu mesmo, nas raras vezes que sou ajudado, procuro causar o mínimo desconforto a quem me estende a mão, tenho em mente que estou sendo beneficiado e que, por mais liberdade que a parte mentora me proporcione, sei que não devo usar de todo o crédito. O conforto para quem estende a mão deve ser maior, do que para quem é acolhido em sua escassez. Querer usufruir de toda a liberdade é imprudente e pode causar muito desconforto a quem ajuda. Com essas experiências, e ainda que já saiba disso e peque com vacilos repetindo padrões, tenho preferido vender ou trocar serviços ou produtos com quem, antes, eu ajudaria gratuitamente. Às vezes, ainda me pego ajudando e sendo sugado pela liberdade consentida, que não deveria ser exaurida, mas é. Quem é ajudado tem que ter em mente que, a parte que ajuda, não tem a obrigação de ajudar, nem de parar seus afazeres para tal. É o ajudado quem tem que se adequar a quem ajuda, e não o contrário, a menos que essa ajuda venha a ser uma espécie de venda fiada à outra parte, o que é desvantajoso a quem aceita esse tipo de oferta. Aí ocorre uma má-fé da parte que estende a mão, que ajuda, porque se isso acontecer, a parte ajudada está correndo sério risco de ser explorada. Nesse caso, a melhor coisa que a parte carente possa fazer é não aceitar a "ajuda" e procurar se guarnecer para poder pagar pelo serviço, não deixando para "o futuro" ou para situação próxima "e oportuna" a pendência em aberto, pois isso custará mais caro do que a própria ajuda recebida. Se há quem ajude, o bom senso deverá ser igual para quem recebe a ajuda, isto é, incomodar o mínimo possível, ser grato a cada ato atendido, aliás, ser incansavelmente grato por cada ação, isso pode parecer cansativo, mas não é para quem estende a mão e oferece ajuda, pelo contrário, ser agradecido a cada ato seu suaviza e dá mais prazer em ajudar a parte carente, por simplesmente perceber que a pessoa está sendo humilde, reconhecedora da importância do ato altruísta e valorizadora da boa intenção de quem ajuda. Não paga pelo serviço ou pelo produto, mas o reconhecimento é uma moeda que abre portas e aumenta a afeição entre as partes. No caso de uma carona, por exemplo, estando o beneficiado no local de encontro, já aguardando quem lho estendeu a mão oferecendo carona, com seu veículo, seu combustível (ou não), seu tempo, enfim, mais seu do que do outro, é justo que o carona o deixe muito à vontade, primeiramente agradecendo-o por tê-lo buscado, já dentro do veículo agradecê-lo por ser tão gentil. Ao que o ajudador diga para ficar à vontade, não significa que o carona possa tirar o sapato e descansar os pés no console do veículo, nem mudar a estação de rádio, aumentar ou diminuir o volume, pegar o chiclete que está no porta-treco - principalmente se perceber que há apenas uma unidade, pedir para passar ali ou acolá, a menos que sugira e pague pelo consumo de seu ajudador. Ficar à vontade, significa, na verdade, que relaxe e curta a viagem, que seja companhia agradável, que tenha uma energia positiva e faça daquele momento uma experiência gratificante. Se o ajudador disser que precisa passar num local, antes de seguir viagem, que o carona aceite prontamente a situação, ainda que isso o atrase em seu outro compromisso, e se for atrasar muito, que saiba se desvencilhar de seu ajudador com classe, antecipando-se com outro meio de transporte e comunicando-o que conseguiu uma outra carona (por mais que tenha chamado o Uber, por exemplo) e que seu ajudador poderá ficar mais relaxado para resolver sua situação, sem problema algum. Essa expertise favorece a amizade, e também minimiza o impacto entre as partes, que, nesse caso, pode ser um divisor de águas para a parte mais prejudicada, em não vir a aceitar ou oferecer-se à outra em nova ocasião de demanda. Ou seja, sendo o carona prejudicado pelo ajudador, por este estrapolar de sua liberdade com quem está ajudando e se distraindo nesse novo local de desvio, então o carona poderá entender que não deverá aceitar nova proposta de ser ajudado por este, que é uma pessoa abusiva na liberdade que recebe. Ser grato não significa ser conivente com a falta de bom senso.