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http://blogdorodrigocaldeira.blogs.sapo.pt

Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

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Peitos para que te quero...

29.03.15, Rodrih

Digitado em 12/12/14

Eu tinha entre 5 e 7 anos, morava no Itaim Bibi em São Paulo, perto da Avenida 9 de Julho, e na ocasião havia um mercado chamado Peg & Pag. Estava com minha mãe e, como de praxe, praticava a arte de sumir de perto dela. Em toda minha infância não houve uma vez que eu conseguisse entrar e sair do mercado sem que minha mãe estivesse estressada por meu sumiço lá dentro. As cores dos produtos, as formas, as pessoas por toda parte, e as mulheres sempre me tiraram o foco do que eu precisava fazer. Não que eu fosse um tarado infanto-juvenil na explosão de hormônios, não, longe disso, até porque fui saber o que era sexo só depois dos vinte e cinco anos, por mais que a namorada da ocasião me chamasse de falso, mentiroso por eu ter dito que ela havia sido minha primeira vez. Pior foi eu me casar com ela, quando deveria ter apenas brincado e saído fora. Mas foi importante tudo o que aconteceu, porque isso me maturou um pouco mais, ainda que tivesse me feito sofrer horrores. Mas desde criança eu era um menino apaixonado pela beleza das coisas, das cores, das formas e das pessoas. Eu via uma irônica beleza artística na mulher velha e farroupilha sentada à frente da porta da igreja pedindo esmola, no mocho mancando e encostando na coluna da casa de Deus e a imagem de Nossa Senhora logo acima, ao lado, num enquadramento perfeito e instigante da mediocridade da vida humana diante a divindade da santa no altar. O que será que a santa Maria pensaria se a estátua tomasse vida ao olhar para o homem lá embaixo tendo uma vida de merda, encostado num descanso sofrido aos seus pés? Eu era um menino de sete anos que não entendia bem o que eu disse aqui no texto, mas eu sentia cada sensação descrita acima. E por isso eu me desgrudava da minha mãe para contemplar a beleza por aí, dentro do supermercado. Nessa tarde passei por uma experiência que definiu melhor minha masculinidade e minha busca, pela qual seria uma sina ou um fardo décadas depois, às vezes não sei. Perdido de minha mãe fui encontrado por duas meninas, já moças, que me abordaram e talvez perguntassem por meu nome e onde estava minha mãe. Uma me pegou no colo e senti seu corpo macio. A blusa de botões permitia que de onde eu estava pudesse ver nitidamente o peito esquerdo da moça, que não usava soutien, principalmente nos anos 1977. Fiquei encantado com a forma e o desenho, a perfeição das linhas da auréola, do mamilo, da linha côncava inversa no colo e outra linha côncava logo abaixo formando o bojo. Depois de entregue à minha mãe, que devia também ser nova, com seus trinta e poucos anos, passei a desenhar o peito, mas sem o referencial para lembrar como era, eu passava a transforma-lo em lua, queijo, carinha de cachorro etc. Até que o tempo passou e esqueci da imagem e parei de pensar sobre isso. Minha mãe certamente via que eu era diferente, e sentado diante da psicóloga Dra. Cândida, ainda em São Paulo, ela me pediu para desenhar o que eu quisesse, então desenhei uma mulher nua. Nessa ocasião tinha lá meus nove anos. Não via a mulher nua como coisa erótica, mas como uma beleza bonita e atraente. Aos dezesseis anos tive o primeiro contato com um peito de mulher, mas foi de uma forma inusitada, num pedaço de papel de uma revista, que não sei qual era. E a imagem estava bem grande, com detalhes da auréola, do mamilo, dos pelos à volta. Vi a foto e guardei o papel na mochila, que sumiu horas depois. Aos dezessete conheci um mestre yogue que com seus contos provindos da Índia e de algum lugar do Oriente Médio, me ensinou sobre a arte de contemplar e entender sobre a beleza e divindade da sexualidade, da mulher e suas formas. Com vinte e dois anos tive a experiência de trabalhar com modelos e manequins em agência que promovia desfiles de moda. Foi um tempo em que mesmo virgem pude vivenciar muitas experiências diferentes, como a de manter os dedos indicador e polegar dentro de um copo com muito gelo e pouca água. Algumas tinham que fazer um desfile com o "farol aceso", isto é, os mamilos enrijecidos para marcar a roupa e destacar a coleção.  Era um procedimento rápido, quase mecânico, e chegava a doer os dedos por causa do gelo e do movimeto, mas era muito novo para mim e os dedos já estavam dormentes, mas foi quando me interesse de fato pela beleza dos seios na mulher. Depois de uma temporada de desfiles em 1993, saí a convite de um fotógrafo artístico e fui trabalhar como auxiliar de cabeamento de iluminação e depois como cenógrafo, auxiliando nas poses das modelos - que geralmente não eram as modelos "top de linha" que estamos acostumados a ver na mídia. E isso era o que deixava o trabalho de nu artístico fantástico. Pude constatar que havia diversos tipos de formatos de seios, auréolas, mamilos, bojos, colos, uns com estrias, outros com flacidez, um universo rico de imagens, prato cheio para um cinestésico sinestésico. O trabalho do fotógrafo, que expunha numa galeria do Masp e numa faculdade de artes cênicas também em São Paulo era muito bonito, eu adorava aquele ambiente artístico e não ficava me realizando como um pervertido, mas muito pelo contrário, eu observava, dava opiniões ao fotógrafo-mestre, e ele adorava focar nos ângulos que eu sugeria, dizia que eu lançava um novo olhar para suas lentes. Depois ele pegou um trabalho em parceria com uma psiquiatra do Hospital Santa Catarina, que fica na Av. Paulista. Era um experimento com algumas pacientes dessa psiquiatra, que queria que o fotógrafo-mestre fizesse seus ensaios de nu-artístico no estúdio. Eram mulheres tipicamente sem graça, sem cores, sem expressões. Apáticas e morta-vivas. Nesse trabalho eu tive que assinar um termo de confidencialidade, além de passar por uma entrevista com a psiquiatra para ela dizer se eu estaria apto a participar do projeto ou não. O que me ajudou muito a ser aprovado foi que eu desenhava nu artístico no curso oferecido pela Escola de Artes e Artes Cênicas de São Paulo, e tinha alguns trabalhos meus em carvão, nanquim e guache. Nesse curso a modelo ficava nua sobre uma tampa redonda (de mais ou menos 1,50 de diâmetro) e um aparelho em baixo ficava girando o tampo lentamente, de modo que a modelo aos poucos ia saindo daquela posição que servia de referencial para fazermos o desenho. Então esse curso me deixou com uma memória visual tinindo de boa, já que demorava cerca de cinco minutos para ela passar na posição que eu precisava para continuar o desenho. Já o projeto da psiquiatra foi um sucesso só, muito embora tenha sido muito cansativo, pois trabalhar a nudez com mulheres potencialmente deprimidas, frustradas e de baixa autoestima não é nada edificante, muito embora seja compensador pelos resultados obtidos. E o resultado foi realmente impressionante, apesar que não podíamos escolher as fotos para montar os books, essas pacientes nos davam feedbacks de vitalidade, pois ficavam impressionadas em como elas 'ressuscitavam' nos ensaios, nem parecia que eram aquelas mulheres quase invisíveis de antes. Depois disso essa psiquiatra me convidou para me juntar num grupo de outros jovens que eram voluntários de uma experiência psicossexual. Eram doze rapazes e doze moças e a pesquisa era chamada de "sexo dos cegos". A ideia era fazer com que todos pudessem "enxergar" comos os cegos e ter estímulos sem ver o que estaríamos "vendo". Ficamos seis semanas apagando memórias de texturas, formatos, tatos indo para o Butantã ter experimentos de tato, olfato e às vezes de paladar e auditivo, sempre com os olhos vendados. Também íamos para a Serra da Mantiqueira, lugares longínquos e que afetavam nossa persepção cinestésica. Sinceramente, pensei que não perderia a noção do tato e principalmente das formas, já que enxergo e sei como é a forma de objetos e pessoas, mas não sei como era a dinâmica deles, mas quando a gente chegava nesses lugares e começávamos os exercícios de aquecimento da voz, dos olhos (pois estes ficavam vendados por mais de cinco horas seguidas), nós passávamos a não reconhecer muitos objetos comuns, como pincel atômico, mouse, régua e até alguns tipos de garrafas. Para podermos "enxergar" como os cegos precisávamos fazer isso com as pontas dos dedos e "ler" o que tocávamos. Depois de já termos "lido" com os dedos formas absurdas de coisas da natureza como folhas, pedras, caramujos, pássaros, ovos, casca de árvores, insetos, estercos, vermes, peixes, entranhas de bichos (peixes, aves, roedores, répteis) - o que levou semanas para conseguirmos êxito, conseguimos "enxergar" com as pontas dos dedos e a palma das mãos. Depois fomos para a etapa de sinestesia, todos nós em baias, sempre casal em cada uma, cheios de fios pregados em todo couro cabeludo (cabeça), nas costas e na testa para que fossem captadas nossas emoções, reações sexuais, tensões etc. Sim, estávamos nus, geralmente posicionados frente a frente, de joelhos ou sentados de pernas cruzadas, tocando um a pele do outro no comando dos pesquisadores (que eram homens e mulheres) todos vestidos de jalecos brancos de uma instituição francesa. Estávamos acostumados com elementos da natureza e, sinceramente, já havíamos esquecido de como seria a forma, o volume do corpo humano. E os seios foram de longe a parte que eu conseguia identificar com facilidade, obviamente. Através dos seios, não somente eu, mas a maioria dos voluntários homens conseguiam estabelecer um referencial do corpo, sabendo-se que durante as experiências nossos olhos estavam vendados e às vezes era uma mulher à nossa frente, às vezes era um manequim de vitrine com uma camada de tinta emborrachada, além de estar aquecida (certamente numa estufa), para que confundíssemos se era uma pessoa de fato à nossa frente. Às vezes a mulher estava vestida de um tipo de capa de chuva, toda plastificada. As mulheres também passavam pela experiência e os resultados eram colhidos pelo computador. Elas tinham por referencial os nossos ombros. Isso foi uma experiência que marcou minha vida. Fui remunerado por isso e voltei a frequentar as reuniões com o mestre Yogue, que exaltava a importância da sensualidade feminina, da sexualidade masculina, da beleza, da gratidão, do sentimento de amor e da entrega, tudo na sexualidade. Aprendi a ler o marjayasana, uma leitura tóraco-frontal da mulher, mais ou menos como as indianas lêem as mãos. Aprendi que mulheres que têm o sinal de Y no centro do mamilo possuem uma característica sexual melhor do que as que tem o sinal de U. Enfim, aprendi muita coisa pela simples admiração e certa veneração à essa bela forma feminina, os seios.

Marjayasana refeito no CorelDraw, copiado de um pergaminho de couro:

marjayasana 12.1.gif

 

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