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http://blogdorodrigocaldeira.blogs.sapo.pt

Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

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Se trata de um diário pessoal aberto, onde as pessoas podem ler experiências pessoais de vida, de relacionamentos, reflexões psicológicas, sociais ou pessoais.

Se tudo dá errado, não insista.

08.09.19, Rodrih

- Digitado pelo smartphone

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Mais de dois meses aqui tentando o encontro com uma bela garota, em que papo vai e papo vem, as afinidades vão se afinando, entrelaçando em ideias soltas de pensamentos livres. Tudo parece fazer sentido e o propósito de um encontro se torna eminente. Pareceu que a parte de lá também queria se encontrar e provavelmente as minúcias de protocolo na apresentação seriam dispensadas. Os assuntos se autoconclamavam, no sabor das palavras que se encaixavam, concordantes umas das outras em duas pessoas que se entreolhavam pelo Whatsapp. Os assuntos começavam tranquilos e iam se tornando lascivos à medida que ambos se permitiam, e era essa a hora que eu precisava para estreitar o diálogo, induzindo um discreto convite para um encontro sem muitas conversas, entretanto repletas de ações. Então, de repente, no calor da conversa quente surge a ideia de encontrar e a resposta positiva tornou ainda mais próxima a ideia de pular o protocolo do se apresentar. A mente em servece pensamentos que somente os 50 Tons de Cinza permitiriam fluir. O Dia D chegou e lá fui eu comprar uma camisa nova para o tão esperado encontro. E comprei uma camisa bonita, porém barata, em que se podia estourar os botões na pressa da roupa arrancar. Pelo WhatsApp ela me detalhava as peças que seriam fáceis de desmontar. Passei na farmácia e, por precaução, comprei um frasco de tribulus terrestris apenas para dar mais energia para a ocasião. Tudo certo, e as horas tão longínquas se tornam minutos tão próximos. E lá estou eu saindo cheiroso com meu perfume Givenchy, pronto para predar uma caça pré-anunciada. Somos adultos e a brincadeira de Caça e Caçador em muito interessa. A caminho do destino que me aguardava no encontro da garota animada, eis que o meu celular toca. Animado atendi a minha amada mãe, eufórico e confiante que o começo da noite seria impagável. E foi. Mamãe com a voz ofegante, muito brava, me falou que o cano que abastece a caixa d'água estourou, que ela chegou cansada do trabalho em que atendeu oito pacientes e sequer tinha conseguido almoçar. Aturdido pela situação desconfortável da mãe, olhei no relógio e vi que tinha uma hora ainda de prazo para o encontro. Desviei a rota para a casa de minha mãe, onde já me pus a buscar as ferramentas para fazer o conserto do bendito cano de água que abastecia a casa dela. O lote imenso me fez caminhar ofegante de um lado para o outro procurando a cegueta, a lixa, as luvas e mais um pedaço do cano para fazer o remendo. De repente o que era um final de tarde começou a se tornar um começo de noite, eu ainda não havia encontrado a serra de cortar cano. Tirei a camisa e me entreguei as picadas dos borrachudos já que o cano estava no meio do mato, mas eufórico e apressado em fazer o bendito remendo logo, nem senti as ferroadas desses malditos insetos. O tempo já estava contra mim e eu apertava o passo me acelerando em tudo o que estava fazendo, quase não conseguindo pensar direito no que tinha que fazer primeiro. Encontrei a maldita cegueta e por sorte perto dela estava o pote de cola. Já guiado pela lanterna do celular no escuro que tinha se tornado aquele lugar, corri até o cano mas não sabia onde estava o bendito furo. Isso não era hora para brincadeiras, o meu tempo estava escasso, eu precisava ainda voltar para casa e tomar outro banho antes de me encontrar com a moça, que me esperaria em quarenta minutos no local do encontro. Agachei-me perto do cano e o cortei fazendo o remendo corretamente. No sufoco daquele momento durante o agachamento, a chave do carro, que estava no bolso, quase perfurou minha virilha, e sem pestanejar arranquei a de minhas calças e coloquei-a no gramado, ali perto de mim para continuar a executar a minha tarefa. Meia hora para o encontro e meu desespero se torna fato concreto. Sem conseguir segurar o celular com uma das mãos e a outra consertar o cano, coloquei o mesmo no pescoço debaixo do queixo tentando segurar o aparelho para iluminar o local da minha cirurgia no solo daquele quintal.  Minha cabeça não pensava mais com objetividade, e na minha infelicidade enviei uma mensagem para a moça dizendo estou saindo a fim de garantir não sei o quê. Em resposta ela disse que ainda não tinha tomado banho, mas que ia correr para não se atrasar, e eu bati com a mão na testa com raiva de mim, que não tinha nada que inventar de mentir e fazer a moça se apressar. O meu desespero aumentou, porque eu não encontrava a bendita chave do carro que eu tinha dispensado em algum lugar do gramado. Usando a lanterna do celular pisando forte para ver se sentia  a chave naquela grama macia,  Eis que surge a mensagem da minha mãe perguntando se já podia tomar banho. Respondi ofegante, ríspido que "sim, sim, sim, sim!!! O escravo já consertou o cano sim, sim!!! Pode tomar seu bendito banho!" e CREACK  pisei na desgraça do cano e tomei um belo banho de baixo para cima, uma água gelada com pressão descomunal,  encharcando minhas bolas, minha bunda depois minhas costas e no que virei para me defender, molhei o peito, o queixo e a cara.  O ódio já tinha me tomado por refém e todos os palavrões que eu conhecia no dicionário da maldição eu roguei. Minha mãe mandou mensagem dizendo para eu ter calma, que ela só tinha a mim com quem contar naquele momento, e que a água não estava saindo no bendito chuveiro.  ainda disse que estava pelada enrolada na toalha, com frio, querendo tomar um merecido banho e poder descansar o merecido sono. E eu que achei que ia gozar um merecido sexo, com uma merecida companhia e ganhar merecidos beijos. Mas nesse momento a única coisa que eu queria era arrancar todos os canos do chão e quebrar até o pé da caixa d'água com o poder do Incrível Hulk e o seu ódio também. Chutei os montes de terra com meu sapato lustrado de couro preto, feito com material de pelica enterrando o cano consertado. Bufando feito um Marruá com os olhos cheio de ódio, o sangue borbulhando em sódio, segui terrivelmente até a caixa de ferramentas, peguei mais duas luvas, e  voltei para consertar o outro cano quebrado. A bela moça  envia mensagem pelo WhatsApp se desculpando, dizendo que vai demorar mais meia hora - no que, para meu alívio e paz de espírito, o ódio dissipa e meu coração se enche de alegria, o que me fez pensar que daria tempo de voltar para casa e me aprontar. Consegui até enviar uma mensagem mais carinhosa à mamãe, dizendo que a água já estaria abastecendo a caixa, e que aguardasse apenas dez minutos mais, para tomar seu banho quentinho. Mas quando é o seu dia de azar, você tem que entender que não adianta insistir e nem dá para em tudo confiar. Gastei a meia hora que a moça disse que atrasaria,  e nesse meio tempo minha mãe perguntou se estava tudo bem e se já poderia ir dormir, no que eu disse "ok, durma com Deus que eu também estou saindo",  então ela apagou a luz do quarto e se pôs a repousar. Enquanto isso, lá estava eu procurando a porra da chave do carro e do apartamento. Como já diz o ditado popular: "O que é um peido para quem está cagado?", em que o celular desliga a lanterna dada à falta de bateria.  O resumo dessa história é que voltei pra casa a pé, ainda que eu more perto da casa de minha mãe, cerca de 4 km,  E no meio do caminho  peguei o telefone de um chaveiro 24H, e liguei com o celular do porteiro,  em que só consegui entrar em casa na madrugada do dia seguinte. Nem carreguei o celular novamente para não ter o desprazer de receber as mensagens da moça, pelo bolo que tomou. No dia seguinte voltei a pé para casa de minha mãe e me pus a procurar as chaves debaixo de um sol escaldante do meio-dia.  Somente depois de muito procurar e não encontrar tive um insigth de procurar a chave dentro da vala do cano enterrado. E lá estava ela quietinha, sujinha, enterrada  ao lado do cano, sob a terra que eu tinha chutado naquele momento em que eu estava surtado. Até hoje a moça não enviou novo contato e eu também nem me atrevo a dizer alguma coisa.  deixa quieto e vida que segue!